Matem o Papai Noel

William Douglas

Existem alguns símbolos de Natal que são especialíssimos. Um exemplo é a árvore. Curiosamente originada da cultura pagã, a árvore foi assimilada pelo seu espírito natalino e vem cumprido uma função nobilíssima: reunir pessoas ao seu redor para prepará-la e, depois, receber as caixas de presentes - fakes ou não -, mas que cumprem a lembrança do gesto recíproco de trocar presentes.

Fora ela e outros poucos símbolos, o Natal parece ter perdido sua graça, espremido entre o reveillon e os problemas financeiros, de tempo, obrigações do cotidiano somada à lista de presentes, compras, festas e uma ruidosa série de comemorações de final de ano que, se por um lado são agradáveis, ao se somarem, geram um estresse tipicamente natalino, cujo ápice é, sem dúvida, a tentativa de estacionar, deslocar-se ou ser atendido em um shopping center.

O Natal transformou-se no reinado do bom velhinho sorridente e consumista. De alguma forma, o sentido original do Natal - um menino-Deus nascendo - foi perdido; pois o conceito real de doação sacrificial e amor incondicional, valores espirituais e coisas do gênero são diametralmente opostos às exigências de presentes caros e mesa farta. De certo modo, num carnaval constante que parece ser a preferência de muitos, sempre regado à festa, esquecimento e bebida, Jesus e sua idéia de vir ao mundo foram perdendo lugar para promoções e tentações mais práticas, objetivas e reluzentes.

Há que se reconhecer que Jesus é pouco falado no período onde originariamente se comemorava sua vinda ao mundo.

Tudo bem, afinal, é um direito de cada um decidir o que e quando comemorar. O único cuidado é perceber até que ponto as pessoas se convenceram, a partir da propaganda, de uma outra forma de Natal, caminhando para um natal sem qualquer conectividade com seu sentido original. O problema não é a opção, mas até que ponto a opção é resultado não de uma decisão pessoal, mas, sim, de uma campanha publicitária, materialista e consumista que vem se realizando regularmente há décadas.

Pode ser que o final do ano seja mesmo uma ocasião para festas, presentes, muita comida e bebida e só. Nesse sentido, Papai Noel é um bom representante desse sistema.

Fogos de artifício, ilusão, fuga, omissão, acho que tudo é parecido. Já pensei em sugerir que o Natal fosse transferido para março (mês onde, provavelmente, Jesus realmente nasceu), e deixar dezembro dedicado apenas ao Papai Noel e ao reveillon. A outra solução é matar Papai Noel. Sem dúvida, algo radical. Pior se o crucificássemos como ocorreu com o motivo do primeiro Natal, trinta e três anos depois de seu nascimento.

Registro novamente: nada contra cada um escolher suas festas. Apenas acho que o sentido original do Natal está totalmente fora de foco.

Temo, ainda, que esteja incomodando o leitor com esse assunto, pesado, ácido, desagradável mesmo. Falar de coisas desagradáveis no período de festejos talvez seja contrário ao "espírito natalino". Alguns haverão de preferir que fale desses assuntos apenas em janeiro, ou, talvez, depois do carnaval.

Acho mesmo antipática a idéia de matar o Papai Noel. Embora ataques terroristas sejam comuns, esse seria um pouco diferente. Para quem acha um exagero, lembro que mataram Jesus na Palestina e, pouco a pouco, nos festejos de Natal.

Ainda vou sugerir o Natal em março.

Enquanto isso, alguém deve estar pensando: "O que esse cara está falando?" ou "O assunto aqui são os concursos!", "William saiu do assunto", "surtou", "viajou" etc.

Bem, vamos por partes. Em relação aos concursos que estiverem acontecendo no próximo ano, valem as dicas que preparei sobre as vésperas, bem conhecidas, e os check lists, por via das dúvidas, caso alguém ainda não os tenham baixado através de minha página pessoal.

Em relação ao Natal, uma festa opcional, permitam-me mencionar que sua origem é o nascimento de Jesus Cristo, um judeu descendente de Davi, de família pobre, que apresentou-se ao mundo não só como o Messias esperado pelos judeus, mas, também, como Aquele através de quem todos os povos seriam chamados para participar da vida eterna. Esse homem, carpinteiro até os 30 anos de idade, começou a fazer milagres e a pregar boas novas e uma nova forma de ver e entender não só Deus como também a vida humana. Revolucionário, contestador, carismático, veemente, doce, seu fim foi a crucificação. Fim? Bem, no caso Dele, a história continuou três dias depois, com sua ressurreição. Seu nascimento foi o primeiro Natal. Daí, já que dia 25 de dezembro é Natal, vale mencionar que Jesus declarou ter vindo ao mundo buscar e salvar os perdidos, os pecadores, os necessitados. Se algum leitor se sente fraco, rejeitado, vazio ou precisando de cuidados, saiba que foi para pessoas assim (eu estou na lista), que Ele veio. Logo, o Natal é um momento de festa, de amor e de reconciliação.

Se você não é ligado a Jesus ou ao sentido original do Natal, tudo bem. Como disse, isso é opcional. Espero que as festas sejam boas e que os bons sentimentos apregoados nesse período sejam realidade, e não somente slogans promocionais ou frases de efeito.

Cristãos e não-cristãos podem fazer um esforço para que este período não seja apenas um momento de consumo, gastos e materialismo.

Estamos a poucos dias do Natal. Este texto é em homenagem a essa data. Se ela não lhe diz nada, espero que os check lists sejam de alguma utilidade. Mas se o NATAL lhe diz alguma coisa, ou, se no fundo você gostaria que ele lhe dissesse alguma coisa, espero que possa dar uma breve pausa nas angústias, correrias e preocupações típicas tanto dos concurseiros, quanto das pessoas em proximidade no Natal.

Dê uma pausa.

Daqui a alguns dias ainda haverá tempo para estudar, fazer provas, trocar presentes, enviar ou responder aos cartões e e-mails comemorativos.

Aceite minha humilde e modesta sugestão: dê uma pausa.

Todas as obrigações, tarefas e responsabilidades estarão conosco depois do dia 25. Até chegar a data natalina, lembre-se de que - ao menos para o autor do primeiro Natal - você é uma pessoa especial, única, um filho querido do Pai Celeste, querido a ponto de ser objeto de atenção igualmente única: Jesus vir ao mundo.

Ele, Jesus, disse que veio ao mundo para trazer vida.

Acredito que a "prova" dessa semana, e todos a temos, é conseguir respirar fundo, dar uma pausa, e se deixar ser amado, é lograr perceber o amor que você foi objeto quando se comemorou o primeiro Natal, numa estrebaria humilde, em Belém.

Perdoem seu colunista de concursos: check lists à parte, eu gostaria de lhe desejar um bom Natal.

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