Quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Facultar a portadores de diploma de curso superior, não titulados em nível de pós-graduação, o acesso ao Magistério Superior nos cursos das Áreas Tecnológicas e de Engenharia. Esse é o objetivo de projeto que a Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) decidiu apresentar, em reunião desta quarta-feira (4 de agosto de 2010), como resultado de 12 audiências públicas realizadas este ano para discutir a carência de mão de obra qualificada na economia.
A iniciativa faz parte da Agenda 2009/2015 - Desafios Estratégicos Setoriais - Recursos Humanos para Inovação e Competitividade, conduzida pela comissão.
A proposta decorre da constatação de que, entre os egressos desses cursos, registram-se graves carências de formação, muitas vezes relacionadas à pouca articulação entre teoria e prática na trajetória escolar dos futuros engenheiros.
O projeto, que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº 9.394 de 1996), será encaminhado à secretaria geral da Mesa para iniciar sua tramitação na Casa.
Como resultado dessas audiências, em abril deste ano, a CI já apresentou o projeto (PLS-Complementar nº 90/2010), em exame pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), que prevê a possibilidade de adesão de Escritórios de Engenharia e Arquitetura ao imposto denominado Simples Nacional, que é direcionado a micros e pequenas empresas.
Educação continuada
Em relatório sobre as audiências públicas, o presidente da CI, senador Fernando Collor (PTB-AL), afirma que as deficiências brasileiras no campo da formação e capacitação de recursos humanos já trazem impactos sobre a economia do país. Ressalta também que, em função da evolução tecnológica e da dinâmica do mundo do trabalho, o conceito de "educação continuada" torna-se cada vez mais importante na implantação de políticas públicas e no processo de formação e de conscientização dos estudantes e profissionais brasileiros.
A criação de um consórcio de formação de mão de obra envolvendo universidades, escolas técnicas e o sistemas (Senai, Senac, Senar, Senat, Sescoop e Sebrae) e a concessão de seguro desemprego vinculada à obrigatoriedade de recapacitação do trabalhador estão entre as 35 propostas consolidadas após as audiências públicas que contaram com a participação de 52 especialistas.
Segundo Collor, essas sugestões poderão ser utilizadas para formulação de uma nova política de formação e capacitação de recursos humanos para a infraestrutura, especialmente em articulação com o Plano Nacional de Educação 2011-2020.
Foi apresentada ainda uma agenda de prioridades com ações a serem desenvolvidas no âmbito do governo federal, das universidades e institutos de educação tecnológica, e da iniciativa privada, que será encaminhada a órgãos e representantes desses setores.
Informações através do endereço eletrônico www.senado.gov.br.