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Questão 1 de 2Q2315584Q7 da prova
O Homem Trocado O homem acorda da anestesia e olha em volta. Ainda está na sala de recuperação. Há uma enfermeira do seu lado. Ele pergunta se foi tudo bem. -Tudo perfeito - diz a enfermeira, sorrindo. -Eu estava com medo desta operação... -Por quê? Não havia risco nenhum. -Comigo, sempre há risco. Minha vida tem sido uma série de enganos... E conta que os enganos começaram com seu nascimento. Houve uma troca de bebês no berçário e ele foi criado até os dez anos por um casal de orientais, que nunca entenderam o fato de terem um filho claro com olhos redondos. Descoberto o erro, ele fora viver com seus verdadeiros pais. Ou com sua verdadeira mãe, pois o pai abandonara a mulher depois que esta não soubera explicar o nascimento de um bebê chinês. -E o meu nome? Outro engano. -Seu nome não é Lírio? -Era para ser Lauro. Se enganaram no cartório e... Os enganos se sucediam. Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não fazia. Fizera o vestibular com sucesso, mas não conseguira entrar na universidade. O computador se enganara, seu nome não apareceu na lista. -Há anos que a minha conta do telefone vem com cifras incríveis. No mês passado tive que pagar mais de R$ 3 mil. -O senhor não faz chamadas interurbanas? -Eu não tenho telefone! Conhecera sua mulher por engano. Ela o confundira com outro. Não foram felizes. -Por quê? -Ela me enganava. Fora preso por engano. Várias vezes. Recebia intimações para pagar dívidas que não fazia. Até tivera uma breve, louca alegria, quando ouvira o médico dizer: -O senhor está desenganado. Mas também fora um engano do médico. Não era tão grave assim. Uma simples apendicite. -Se você diz que a operação foi bem... A enfermeira parou de sorrir. -Apendicite? - perguntou, hesitante. -É. A operação era para tirar o apêndice. -Não era para trocar de sexo? (Luís Fernando Veríssimo, Comédias para se ler na escola, OBJETIVA, 2004)
O Homem Trocado O homem acorda da anestesia e olha em volta. Ainda está na sala de recuperação. Há uma enfermeira do seu lado. Ele pergunta se foi tudo bem. -Tudo perfeito - diz a enfermeira, sorrindo. -Eu estava com medo desta operação... -Por quê? Não havia risco nenhum. -Comigo, sempre há risco. Minha vida tem sido uma série de enganos... E conta que os enganos começaram com seu nascimento. Houve uma troca de bebês no berçário e ele foi criado até os dez anos por um casal de orientais, que nunca entenderam o fato de terem um filho claro com olhos redondos. Descoberto o erro, ele fora viver com seus verdadeiros pais. Ou com sua verdadeira mãe, pois o pai abandonara a mulher depois que esta não soubera explicar o nascimento de um bebê chinês. -E o meu nome? Outro engano. -Seu nome não é Lírio? -Era para ser Lauro. Se enganaram no cartório e... Os enganos se sucediam. Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não fazia. Fizera o vestibular com sucesso, mas não conseguira entrar na universidade. O computador se enganara, seu nome não apareceu na lista. -Há anos que a minha conta do telefone vem com cifras incríveis. No mês passado tive que pagar mais de R$ 3 mil. -O senhor não faz chamadas interurbanas? -Eu não tenho telefone! Conhecera sua mulher por engano. Ela o confundira com outro. Não foram felizes. -Por quê? -Ela me enganava. Fora preso por engano. Várias vezes. Recebia intimações para pagar dívidas que não fazia. Até tivera uma breve, louca alegria, quando ouvira o médico dizer: -O senhor está desenganado. Mas também fora um engano do médico. Não era tão grave assim. Uma simples apendicite. -Se você diz que a operação foi bem... A enfermeira parou de sorrir. -Apendicite? - perguntou, hesitante. -É. A operação era para tirar o apêndice. -Não era para trocar de sexo? (Luís Fernando Veríssimo, Comédias para se ler na escola, OBJETIVA, 2004)
N pois o pai abandonara a mulher depois que esta não soubera explicar o nascimento de um bebê conjunção sem prejuízo de sentido: