Diante de um expressivo aumento de notificações internas relacionadas a falhas na administração medicamentosa em uma unidade de cuidados clínicos de média complexidade, incluindo erros de dose, desrespeito à janela terapêutica e intercorrências decorrentes de incompatibilidades farmacológicas, a comissão de segurança institucional, em conjunto com o núcleo de educação permanente em saúde, propôs a revisão crítica dos processos de trabalho da equipe de enfermagem. Tal iniciativa baseia-se nos pressupostos do cuidado centrado no paciente, nas diretrizes preconizadas pela RDC nº 36/2013 da ANVISA, na Resolução COFEN nº 564/2017, e nos referenciais bioéticos da beneficência, não maleficência e justiça. Considerando uma abordagem sistêmica, centrada na cultura de segurança, e reconhecendo a complexidade dos elementos que envolvem o circuito da medicação, qual das medidas a seguir representa uma conduta eticamente robusta, normativamente respaldada e com efetividade comprovada para mitigação do risco e promoção da qualidade assistencial?
Durante o atendimento a um paciente com choque anafilático em uma unidade de pronto atendimento, a equipe médica ainda não se encontrava presente na sala de emergência no momento da chegada. O enfermeiro, diante de sinais de taquicardia extrema, hipotensão severa e estridor laríngeo progressivo, considera a administração de epinefrina intramuscular como intervenção emergencial. Considerando os fundamentos legais do exercício da enfermagem (Lei nº 7.498/1986), a Resolução COFEN nº 564/2017, os princípios de autonomia técnica em situação de risco iminente de vida e os protocolos internacionais para reações anafiláticas graves, qual decisão representa a conduta mais ética, legalmente respaldada e clinicamente eficaz?
Em um hospital-escola vinculado ao sistema público de saúde, durante a discussão interdisciplinar de um caso clínico envolvendo paciente com diagnóstico de transtorno mental grave e múltiplas tentativas de suicídio, um residente de medicina mencionou publicamente, em sala com presença de alunos e demais profissionais, dados clínicos sensíveis e episódios prévios do paciente sem a devida cautela quanto à confidencialidade. A enfermeira preceptora, ao perceber a exposição indevida, propôs ao comitê de ética hospitalar uma análise crítica da situação à luz dos princípios da bioética, do Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem (Resolução COFEN nº 564/2017) e da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei nº 13.709/2018). Considerando tais fundamentos, qual das condutas abaixo se alinha de forma mais rigorosa com os deveres legais, os princípios éticos do cuidado e as obrigações inerentes à prática profissional da enfermagem?
Durante a avaliação de um paciente adulto internado em unidade de clínica médica com diagnóstico primário de sepse de foco pulmonar, a equipe de enfermagem registrou os seguintes sinais vitais nas primeiras 12 horas: pressão arterial média decrescente (de 82 mmHg para 65 mmHg), frequência respiratória ascendente (de 20 para 30 irpm), temperatura corporal persistentemente elevada (39,2 °C), taquicardia mantida (acima de 110 bpm) e débito urinário inferior a 0,4 mL/kg/h. Considerando os conhecimentos clínico-fisiológicos, as diretrizes internacionais de avaliação de pacientes críticos (como o protocolo qSOFA e os critérios do Sepsis-3), bem como o raciocínio clínico avançado em enfermagem, qual deve ser a interpretação mais adequada para o quadro descrito?
Em uma unidade de cuidados paliativos, uma paciente de 84 anos com neoplasia avançada e prognóstico reservado recusa, de forma reiterada e consciente, a instalação de uma sonda nasogástrica para nutrição enteral, procedimento prescrito pela equipe médica com o argumento de manutenção da ingesta calórica mínima. A enfermeira responsável pela paciente, ao registrar a recusa, entra em desacordo com o corpo clínico, que insiste na realização do procedimento alegando que a autonomia da paciente não pode se sobrepor à autoridade técnica da equipe. Considerando os marcos legais brasileiros, os princípios da bioética clínica e os dispositivos do Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem, qual conduta apresenta maior respaldo ético-jurídico diante da situação?
Uma paciente de 79 anos, submetida a laparotomia exploradora por abdome agudo vascular, encontra-se em fase de recuperação pós-operatória imediata, com suporte ventilatório removido após 24 horas, apresentando instabilidade hemodinâmica compensada e início de reintrodução alimentar. A equipe de enfermagem, diante da complexidade do caso e da vulnerabilidade gerada pela idade e comorbidades associadas, estrutura o plano assistencial com base nas diretrizes do protocolo ERAS (Enhanced Recovery After Surgery), nos fundamentos da enfermagem perioperatória e nos princípios da segurança do paciente. Considerando a atuação interprofissional e as práticas baseadas em evidência, qual conduta deve ser priorizada no planejamento assistencial imediato?
A implantação obrigatória do Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP) em um hospital de ensino trouxe à tona desafios relacionados à segurança informacional, à estruturação do Processo de Enfermagem e à padronização da linguagem técnico-científica. À luz da Resolução COFEN nº 658/2021, da Lei nº 13.709/2018 (LGPD), e dos princípios da sistematização da assistência, qual atitude da equipe de enfermagem se coaduna com os marcos normativos, as boas práticas clínicas e os princípios da ética digital?
Diante da ocorrência de um surto de hepatite A em comunidade ribeirinha marcada por precariedade sanitária, baixa cobertura vacinal e resistência à comunicação com os serviços oficiais de saúde, a equipe da Estratégia Saúde da Família propõe medidas de vigilância ativa. Com base na Portaria GM/MS nº 1.861/2023, nos pressupostos da vigilância em saúde e nos princípios da equidade e do controle social, qual das ações representa uma intervenção eticamente justificada, tecnicamente robusta e coerente com o cuidado em saúde coletiva?
Em uma Unidade Básica de Saúde vinculada a um território de alta complexidade social, a equipe de enfermagem identifica um número crescente de usuários com histórico de sofrimento psíquico grave, muitos deles egressos de internações psiquiátricas prolongadas e com vínculos familiares fragilizados. Diante da inexistência de hospital psiquiátrico de referência na microrregião, a articulação com o CAPS do município vizinho tornou-se fundamental para a construção de projetos terapêuticos singulares. À luz dos princípios da reabilitação psicossocial, da clínica ampliada e da intersetorialidade, qual das estratégias abaixo é mais aderente à lógica antimanicomial e à função estratégica do enfermeiro na atenção psicossocial territorializada?
Durante uma visita técnica a uma residência terapêutica vinculada ao CAPS III de uma capital do Nordeste, uma equipe de supervisão interinstitucional identificou fragilidades na condução dos planos terapêuticos de dois usuários egressos de hospital psiquiátrico judicialmente desativado. Ambos apresentavam histórico de esquizofrenia paranoide refratária, múltiplas internações compulsórias, comportamento heteroagressivo episódico e rupturas familiares definitivas. Além disso, um deles fora recentemente envolvido em episódio de conflito comunitário que gerou boletim de ocorrência e repercussão na imprensa local. Diante da pressão por “contenção institucional” e da atuação do Ministério Público exigindo responsabilização sanitária, qual deve ser a postura técnico-política da equipe de enfermagem do CAPS frente à situação, considerando os preceitos da Lei nº 10.216/2001, a Portaria GM/MS nº 3.088/2011, os princípios da política de redução de danos e os fundamentos da ética do cuidado?
Durante um plantão noturno em uma Unidade de Pronto Atendimento de classificação 24h, uma paciente com insuficiência respiratória aguda secundária à exacerbação de DPOC é admitida com saturação periférica de O₂ de 82%, rebaixamento do nível de consciência (GCS 10), uso de musculatura acessória e sinais de esforço ventilatório acentuado. O médico plantonista encontra-se em atendimento simultâneo a uma parada cardiorrespiratória em outra sala, e o acesso venoso periférico da paciente não foi ainda puncionado. O enfermeiro avançado, habilitado em suporte avançado de vida e integrante da equipe de resposta rápida, delibera quanto à conduta imediata. Considerando os limites da prática profissional, as diretrizes do Advanced Cardiovascular Life Support (ACLS), os dispositivos legais do COFEN, os critérios da Resolução nº 564/2017 (Código de Ética), e o debate sobre competência técnico-decisa em situações-limite, qual deve ser a conduta mais eticamente defensável e juridicamente embasada?
Uma instituição hospitalar com certificação ONA Nível 3 implantou um sistema de apoio à decisão clínica (CDSS) integrado ao Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP), com funcionalidades baseadas em inteligência artificial (IA) para alertas de interações medicamentosas, estratificação de risco e sugestões de condutas assistenciais baseadas em protocolos clínicos. Durante sua utilização na unidade de cuidados intensivos, o sistema emitiu recomendação automática para modificação de um plano de cuidados de enfermagem relacionado à prevenção de lesões por pressão, substituindo cobertura de interface por filme semipermeável com base em evidência extraída de metanálises em tempo real. A enfermeira supervisora recusou a recomendação, argumentando que a decisão clínica não pode ser automatizada sem análise contextualizada. Considerando a Resolução COFEN nº 659/2021, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), as diretrizes da HIMSS (Healthcare Information and Management Systems Society) sobre apoio à decisão baseado em IA, e os princípios da responsabilidade técnico-profissional na enfermagem, qual posicionamento é mais compatível com o uso ético, legal e tecnicamente qualificado desses dispositivos no cuidado clínico?
Em uma enfermaria de clínica médica, um paciente acamado há mais de 15 dias, com diagnóstico de acidente vascular encefálico extenso e escala de Braden com escore 9, evolui com úlcera por pressão estágio 3 na região sacral, apresentando exsudato purulento moderado, odor fétido e sinais periféricos de infecção local. A família, que é adepta de práticas terapêuticas alternativas, recusa a aplicação de coberturas impregnadas com prata e solicita que sejam utilizados apenas métodos naturais (mel, argila medicinal e curativos abertos). A instituição não possui protocolo específico para curativos avançados, e há divergência entre os profissionais quanto à autonomia do paciente e aos riscos clínicos. Considerando os princípios da boa prática clínica, as recomendações internacionais da NPUAP/EPUAP/PPPIA, o Código de Ética de Enfermagem e as normativas do SUS sobre práticas integrativas e complementares, qual conduta do enfermeiro apresenta maior densidade técnico-ética, diante da complexidade da situação?
Durante uma inspeção sanitária extraordinária em uma clínica privada de cuidados paliativos, a vigilância sanitária municipal identificou inconformidades nos processos de higienização de dispositivos invasivos, ausência de protocolos atualizados de prevenção de infecção relacionada à assistência à saúde (IRAS) e delegação de atividades privativas do enfermeiro a técnicos de enfermagem. O enfermeiro responsável técnico (RT), presente há menos de três meses na função, justificou que ainda não havia concluído o plano de ação corretiva e afirmou não ter autonomia decisória junto à direção institucional. À luz da Resolução COFEN nº 509/2016 (atribuições do RT), da RDC ANVISA nº 11/2023, da Lei nº 7.498/1986 (Lei do Exercício Profissional), e dos princípios da responsabilidade solidária e subsidiária, qual posicionamento é mais coerente, técnica e juridicamente, com o papel ético-institucional do enfermeiro enquanto agente de regulação sanitária interna?
Em uma unidade de terapia intensiva cardiológica de um hospital de ensino, a enfermeira-assistente discorda da prescrição médica de limitação de visitas a uma paciente com disfunção ventricular grave, internada há 38 dias, em cuidados paliativos integrados, e com manifestações de sofrimento existencial acentuado. A equipe médica, amparada na Resolução CFM nº 1.995/2012, argumenta pela restrição como estratégia de contenção emocional e preservação da estabilidade hemodinâmica. A enfermeira, por sua vez, fundamenta sua posição na Política Nacional de Humanização (Portaria GM/MS nº 1.820/2009), na Resolução COFEN nº 564/2017 e em evidências clínicas que indicam benefícios da presença familiar para a modulação neurofisiológica do estresse. Considerando a tensão entre decisões técnico-assistenciais, os princípios da bioética clínica, e os fundamentos das práticas integrativas centradas no paciente crítico, qual conduta representa maior aderência técnico-normativa e epistêmica?
Durante a avaliação de um paciente em pós-operatório imediato de ressecção de tumor abdominal extenso, o enfermeiro da unidade cirúrgica, ao realizar a inspeção do sítio operatório e o controle do dreno de Portovac, identificou sinais de hiperemia, aumento de tensão local, débito hemático de 220 mL nas últimas 2 horas e sinais sistêmicos de taquicardia, hipotensão relativa e oligúria progressiva. A equipe médica foi comunicada, mas orientou apenas a continuidade do controle e o reforço da hidratação venosa. Considerando os fundamentos da avaliação de feridas cirúrgicas complexas, os critérios de detecção precoce de sangramento ativo, as recomendações para escalonamento da resposta hemodinâmica e os parâmetros técnico-científicos da atuação da enfermagem na vigilância pós-operatória, qual conduta deve ser adotada pelo enfermeiro, considerando sua autonomia técnico-legal e sua responsabilidade clínica?
Durante o turno da manhã em uma UTI geral, um paciente com choque séptico refratário encontra-se sob uso de noradrenalina em bomba de infusão contínua, titulada conforme PAM alvo ≥ 65 mmHg. O médico plantonista prescreveu: “noradrenalina 0,2 mcg/kg/min, paciente com 80 kg, diluída em 250 mL de SG 5%”. A enfermeira intensivista identifica oscilação importante da PAM, com tendência à hipotensão progressiva, e decide ajustar a velocidade da bomba perfusora para alcançar a dose prescrita. Considerando os princípios da farmacodinâmica dos agentes vasoativos, os cálculos de infusão contínua com base na microdosagem, a manipulação segura de medicamentos potencialmente letais e os critérios legais para administração de fármacos em situação crítica, qual deve ser a conduta tecnicamente mais precisa e eticamente segura?
Um paciente com síndrome da angústia respiratória aguda (SARA), em ventilação mecânica invasiva sob pressão controlada (PCV), apresenta hipoxemia persistente, aumento progressivo da pressão de platô (> 30 cmH₂O), queda da complacência pulmonar e distensão abdominal significativa. A enfermeira intensivista, ao realizar a avaliação respiratória, identifica valores elevados de pressão positiva expiratória final (PEEP) e a presença de sibilos difusos à ausculta pulmonar. Frente à suspeita de auto-PEEP e instabilidade gasométrica, considera-se a necessidade de intervenção imediata. Com base nas recomendações da American Association of Critical-Care Nurses (AACN), nos princípios de fisiologia respiratória avançada e nos limites técnico-legais da enfermagem no manejo do suporte ventilatório, qual conduta é a mais adequada frente ao quadro clínico descrito?
Durante o plantão noturno em uma unidade de terapia intensiva oncológica, um paciente em nutrição parenteral total (NPT), com cateter venoso central de inserção subclávia, evolui com febre persistente (38,7 °C), dor torácica à inspiração profunda, hipotensão leve e eritema ao redor do ponto de inserção do cateter. O enfermeiro identifica ainda rigidez do trajeto venoso, turvação do infundido e presença de secreção seropurulenta no curativo. Considerando os critérios do CDC para diagnóstico de infecção primária de corrente sanguínea (IPCS) relacionada ao uso de CVC, os protocolos clínicos de segurança do paciente (MS e ANVISA), as atribuições técnicas do enfermeiro frente à detecção precoce de complicações infecciosas e as obrigações de notificação e intervenção, qual conduta é tecnicamente mais precisa e legalmente respaldada?
Durante um plantão vespertino em unidade de pronto atendimento (UPA), três pacientes são admitidos quase simultaneamente na sala de emergência: - Paciente A: adulto jovem, vítima de colisão automobilística, com ferimento lacerante no tórax direito, saturação de O₂ em 89% e murmúrio vesicular abolido nesse hemitórax; - Paciente B: idoso com história de DPOC e diabetes, apresentando confusão mental súbita, glicemia capilar de 48 mg/dL, sudorese intensa e taquicardia; - Paciente C: gestante de 32 semanas, com sangramento vaginal moderado e dor hipogástrica, mas sem sinais de instabilidade hemodinâmica. A equipe médica encontra-se em procedimento cirúrgico em outra unidade, e o enfermeiro da sala de emergência deve, com base em seu escopo técnico-legal, garantir a estabilização inicial e organizar o plano de ação assistencial até o suporte médico. Considerando os princípios do atendimento em múltiplas vítimas, os protocolos de suporte básico e avançado de vida, a legislação do exercício profissional da enfermagem (Lei nº 7.498/1986), e os fundamentos da classificação de risco e julgamento clínico em ambiente de urgência, qual conduta representa a melhor sequência técnico-prioritária e legalmente respaldada?
































