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Questão 1 de 4Q1988120Q1 da prova
Leia o texto a seguir para responder às questões de 01 a 05:
Janeiro, na casa onde me criei, podia transcorrer em
qualquer lugar, desde que ensolarado – estou me lembran-
do de Guarapari, Araxá, Bertioga, Salvador –, mas nosso
julho era sempre na fazenda. Não havia escolha, e ninguém
eclamava.
Quando menino, me parecia uma distância enorme a
percorrer. Só mais tarde me dei conta de que aquelas terras de meus avós ficavam a 14 km da Praça Sete, o umbigo de Belo Horizonte, município ao qual acabaram sendo integral-mente incorporadas. Ficava tão perto que, com a família em
férias, meu pai seguia todas as manhãs para o batente em
seu consultório.
A sensação de lonjura que me dava tinha a ver com
a progressiva piora nas condições dos caminhos sobre
os quais, lotado, trafegava o nosso carro – primeiro, um
Chevrolet 1939, depois uma sucessão de Kombis, única
solução automobilística para um casal que se desdobrou numa dezena de crias.
O asfalto não tardava a dar lugar ao calçamento, e
este a uma estrada de terra, à qual não faltavam “costelas”,
o ndulações que me faziam pensar no plano inclinado de
um tanque onde se esfrega a roupa. A certa altura, entra-
va em nosso campo de visão, à direita, o soturno prédio do Matadouro Municipal.
A fazenda parecia longe, também, pela diferença de
temperatura, no inverno muito mais baixa do que em Belo
Horizonte. O frio era revoltante aos domingos, quando, nuns
restos ainda escuros de madrugada, nossos pais nos acor-davam para a missa das 6, a uns poucos quilômetros dali, na capela do sanatório que meu avô fizera construir.
Acho que comecei a perder a fé religiosa naquelas madru-
gadas em que me obrigavam a deixar o bem-bom das cober- as e seguir, em jejum, para a missa das 6. Foi lá que adquiri
o direito irrevogável a uma vaga no Paraíso, não importando que pecados tenha cometido desde então, e quantos venha
a cometer ainda. Estará assim compensado, espero, o sofri-
mento térmico que passei, com o Rodrigo e o Otávio, meus irmãos parelhos, quando nosso pai, um cavalheiro, nos man-dava apear do carro e seguir a pé, cedendo a alguém de mais idade (na época, praticamente não havia quem não o fosse)
três assentos ainda quentes no Chevrolet 1939.
(Humberto Werneck, https://www.estadao.com.br/cultura/
humberto-werneck/na-toca-mas-viajando/, 05.03.2025. Adaptado)
Um dos motivos pelos quais o autor tinha a sensação de que era longo o percurso que costumava fazer até a fazenda da família era o fato de
Leia o texto a seguir para responder às questões de 01 a 05:
Janeiro, na casa onde me criei, podia transcorrer em
qualquer lugar, desde que ensolarado – estou me lembran-
do de Guarapari, Araxá, Bertioga, Salvador –, mas nosso
julho era sempre na fazenda. Não havia escolha, e ninguém
eclamava.
Quando menino, me parecia uma distância enorme a
percorrer. Só mais tarde me dei conta de que aquelas terras de meus avós ficavam a 14 km da Praça Sete, o umbigo de Belo Horizonte, município ao qual acabaram sendo integral-mente incorporadas. Ficava tão perto que, com a família em
férias, meu pai seguia todas as manhãs para o batente em
seu consultório.
A sensação de lonjura que me dava tinha a ver com
a progressiva piora nas condições dos caminhos sobre
os quais, lotado, trafegava o nosso carro – primeiro, um
Chevrolet 1939, depois uma sucessão de Kombis, única
solução automobilística para um casal que se desdobrou numa dezena de crias.
O asfalto não tardava a dar lugar ao calçamento, e
este a uma estrada de terra, à qual não faltavam “costelas”,
o ndulações que me faziam pensar no plano inclinado de
um tanque onde se esfrega a roupa. A certa altura, entra-
va em nosso campo de visão, à direita, o soturno prédio do Matadouro Municipal.
A fazenda parecia longe, também, pela diferença de
temperatura, no inverno muito mais baixa do que em Belo
Horizonte. O frio era revoltante aos domingos, quando, nuns
restos ainda escuros de madrugada, nossos pais nos acor-davam para a missa das 6, a uns poucos quilômetros dali, na capela do sanatório que meu avô fizera construir.
Acho que comecei a perder a fé religiosa naquelas madru-
gadas em que me obrigavam a deixar o bem-bom das cober- as e seguir, em jejum, para a missa das 6. Foi lá que adquiri
o direito irrevogável a uma vaga no Paraíso, não importando que pecados tenha cometido desde então, e quantos venha
a cometer ainda. Estará assim compensado, espero, o sofri-
mento térmico que passei, com o Rodrigo e o Otávio, meus irmãos parelhos, quando nosso pai, um cavalheiro, nos man-dava apear do carro e seguir a pé, cedendo a alguém de mais idade (na época, praticamente não havia quem não o fosse)
três assentos ainda quentes no Chevrolet 1939.
(Humberto Werneck, https://www.estadao.com.br/cultura/
humberto-werneck/na-toca-mas-viajando/, 05.03.2025. Adaptado)
De acordo com informações presentes no texto, é correto afirmar que a família do autor era
Leia o texto a seguir para responder às questões de 01 a 05:
Janeiro, na casa onde me criei, podia transcorrer em
qualquer lugar, desde que ensolarado – estou me lembran-
do de Guarapari, Araxá, Bertioga, Salvador –, mas nosso
julho era sempre na fazenda. Não havia escolha, e ninguém
eclamava.
Quando menino, me parecia uma distância enorme a
percorrer. Só mais tarde me dei conta de que aquelas terras de meus avós ficavam a 14 km da Praça Sete, o umbigo de Belo Horizonte, município ao qual acabaram sendo integral-mente incorporadas. Ficava tão perto que, com a família em
férias, meu pai seguia todas as manhãs para o batente em
seu consultório.
A sensação de lonjura que me dava tinha a ver com
a progressiva piora nas condições dos caminhos sobre
os quais, lotado, trafegava o nosso carro – primeiro, um
Chevrolet 1939, depois uma sucessão de Kombis, única
solução automobilística para um casal que se desdobrou numa dezena de crias.
O asfalto não tardava a dar lugar ao calçamento, e
este a uma estrada de terra, à qual não faltavam “costelas”,
o ndulações que me faziam pensar no plano inclinado de
um tanque onde se esfrega a roupa. A certa altura, entra-
va em nosso campo de visão, à direita, o soturno prédio do Matadouro Municipal.
A fazenda parecia longe, também, pela diferença de
temperatura, no inverno muito mais baixa do que em Belo
Horizonte. O frio era revoltante aos domingos, quando, nuns
restos ainda escuros de madrugada, nossos pais nos acor-davam para a missa das 6, a uns poucos quilômetros dali, na capela do sanatório que meu avô fizera construir.
Acho que comecei a perder a fé religiosa naquelas madru-
gadas em que me obrigavam a deixar o bem-bom das cober- as e seguir, em jejum, para a missa das 6. Foi lá que adquiri
o direito irrevogável a uma vaga no Paraíso, não importando que pecados tenha cometido desde então, e quantos venha
a cometer ainda. Estará assim compensado, espero, o sofri-
mento térmico que passei, com o Rodrigo e o Otávio, meus irmãos parelhos, quando nosso pai, um cavalheiro, nos man-dava apear do carro e seguir a pé, cedendo a alguém de mais idade (na época, praticamente não havia quem não o fosse)
três assentos ainda quentes no Chevrolet 1939.
(Humberto Werneck, https://www.estadao.com.br/cultura/
humberto-werneck/na-toca-mas-viajando/, 05.03.2025. Adaptado)
Considere as passagens:
• … nosso julho era sempre na fazenda. (1o parágrafo)
• … entrava em nosso campo de visão, à direita, o sotur-
o prédio do Matadouro Municipal. (4o parágrafo)
• … deixar o bem-bom das cobertas e seguir, em jejum,
para a missa das 6. (6o parágrafo)
As expressões destacadas apresentam, cor reta e respec-
tivamente, circunstâncias de:
Leia o texto a seguir para responder às questões de 01 a 05:
Janeiro, na casa onde me criei, podia transcorrer em
qualquer lugar, desde que ensolarado – estou me lembran-
do de Guarapari, Araxá, Bertioga, Salvador –, mas nosso
julho era sempre na fazenda. Não havia escolha, e ninguém
eclamava.
Quando menino, me parecia uma distância enorme a
percorrer. Só mais tarde me dei conta de que aquelas terras de meus avós ficavam a 14 km da Praça Sete, o umbigo de Belo Horizonte, município ao qual acabaram sendo integral-mente incorporadas. Ficava tão perto que, com a família em
férias, meu pai seguia todas as manhãs para o batente em
seu consultório.
A sensação de lonjura que me dava tinha a ver com
a progressiva piora nas condições dos caminhos sobre
os quais, lotado, trafegava o nosso carro – primeiro, um
Chevrolet 1939, depois uma sucessão de Kombis, única
solução automobilística para um casal que se desdobrou numa dezena de crias.
O asfalto não tardava a dar lugar ao calçamento, e
este a uma estrada de terra, à qual não faltavam “costelas”,
o ndulações que me faziam pensar no plano inclinado de
um tanque onde se esfrega a roupa. A certa altura, entra-
va em nosso campo de visão, à direita, o soturno prédio do Matadouro Municipal.
A fazenda parecia longe, também, pela diferença de
temperatura, no inverno muito mais baixa do que em Belo
Horizonte. O frio era revoltante aos domingos, quando, nuns
restos ainda escuros de madrugada, nossos pais nos acor-davam para a missa das 6, a uns poucos quilômetros dali, na capela do sanatório que meu avô fizera construir.
Acho que comecei a perder a fé religiosa naquelas madru-
gadas em que me obrigavam a deixar o bem-bom das cober- as e seguir, em jejum, para a missa das 6. Foi lá que adquiri
o direito irrevogável a uma vaga no Paraíso, não importando que pecados tenha cometido desde então, e quantos venha
a cometer ainda. Estará assim compensado, espero, o sofri-
mento térmico que passei, com o Rodrigo e o Otávio, meus irmãos parelhos, quando nosso pai, um cavalheiro, nos man-dava apear do carro e seguir a pé, cedendo a alguém de mais idade (na época, praticamente não havia quem não o fosse)
três assentos ainda quentes no Chevrolet 1939.
(Humberto Werneck, https://www.estadao.com.br/cultura/
humberto-werneck/na-toca-mas-viajando/, 05.03.2025. Adaptado)
No trecho “Janeiro, na casa onde me criei, podia trans-
correr em qualquer lugar, desde que ensolarado…” (1o parágrafo), as expressões destacadas podem ser, correta e respectivamente, substituídas por: