Na Educação Física escolar existem diversas perspectivas teóricas que buscam orientar a prática pedagógica. Nesse sentido, Kunz (2006) assinala que a teoria pedagógica crítico-emancipatória está acompanhada de uma didática:
Os jogos e os brinquedos tradicionais são importantes campos de conhecimento, especialmente quando se pensa neles na dimensão do lazer. Segundo Marcelino (2002), diversos fatores têm contribuído para o desaparecimento dos jogos e das brincadeiras tradicionais, principalmente nos grandes centros urbanos. Para o autor, a preservação e a revitalização dos jogos e das brincadeiras tradicionais não deve ser objeto de mero saudosismo ou de uma oposição ineficaz ao desenvolvimento tecnológico, mas deve ter como propósito:
Ensinar esporte no espaço pedagógico da Educação Física escolar é fundamental para a construção de um processo pedagógico potente. Nesse sentido, Kunz (2006) afirma que ensinar o esporte nas escolas enquanto cópia irrefletida do esporte de competição fomenta nos estudantes:
Ao articular o conceito amplo de inclusão com as inspirações freireanas no que se refere à leitura de mundo dos estudantes, partindo de suas realidades interligadas às suas práticas culturais e corporais, Fonseca e colaboradoras (2024) destacam a necessidade de repensar e questionar a formação em que são historicamente forjados(as) professores(as) sob a ótica da diretividade permeada por exclusões, em que os/as estudantes dificilmente são percebidos(as) como protagonistas. Segundo as autoras, são propostas para mudar a ótica da diretividade e das exclusões nas aulas de Educação Física:
Embora o esporte de alto nível estivesse presente no interior da sociedade brasileira desde os anos 1920 e 1930, Mauro Betti (1991), em sua conhecida obra “Educação Física e Sociedade”, relata que, de 1969 a 1979, o Brasil observou a ascensão do esporte devido à inclusão do binômio Educação Física/Esporte na planificação estratégica do governo militar. Nessa época, a influência do esporte no sistema educacional é tamanha que, conforme problematiza o Coletivo de Autores (1992), não se poderia definir como esporte da escola, mas sim o esporte na escola. Isso indica, segundo os autores:
Historicamente, a Educação Física foi marcada pela valorização da aptidão física e dos aspectos biologicistas que, muitas vezes, excluíram corpos não padronizados. Embora se tenha observado, desde a década de 1990, reconfigurações dessas influências históricas materializadas em proposições de uma Educação Física escolar mais crítica e reflexiva, Fonseca e colaboradoras (2024) comentam que refletir sobre as exclusões ainda presentes impulsiona o fortalecimento de uma prática pedagógica em direção a uma perspectiva inclusiva. Defendendo uma concepção ampliada de inclusão articulada aos princípios freireanos de criticidade, construção coletiva, dialogicidade e horizontalidade, as autoras apontam como estratégias pedagógicas inclusivas para a Educação Física escolar:
Desfilando pela Passarela do Samba Professor Darcy Ribeiro, conhecida por Sambódromo da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro no ano de 2024, o G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro entoou os versos “Meu Salgueiro é a flecha pelo povo da floresta, pois a chance que nos resta é um Brasil cocar”. No contexto da Educação Física escolar, a tematização do chamado “Brasil cocar” reforça a Lei nº 11.645/2008, que tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas públicas e privadas do Brasil. Nesse sentido, os povos indígenas produzem cultura que, segundo Pereira (2021), deve ser trabalhada não somente em datas comemorativas no ambiente escolar. Para a autora, o ensino das práticas corporais indígenas dá-se como uma proposição pedagógica decolonial e contra-hegemônica em Educação Física, reconhecendo os indígenas como:
Durante uma aula de "condicionamento aeróbico" para o 9° ano do Ensino Fundamental, o professor de Educação Física solicitou que os estudantes corressem para que pudessem perceber as alterações fisiológicas que seus corpos produziam. Uma das mudanças percebidas pelos alunos foi o aumento da frequência cardíaca, uma das variáveis do débito cardíaco. Referenciado por Fernández, Saínz e Garzón (2002), o professor explicou as razões pelas quais há o aumento do débito cardíaco durante uma corrida e apresentou para a turma a outra variável fisiológica que, multiplicada pela frequência cardíaca, resulta no débito cardíaco. Essa variável fisiológica é o:
Um debate muito presente na Educação Física escolar remete ao ensino da técnica dos conteúdos da Cultura Corporal. A abordagem pedagógica crítico-superadora (Coletivo de Autores, 2012) trata o ensino das técnicas dos esportes, da dança, da ginástica, da luta e outros conhecimentos da Cultura Corporal da seguinte forma:
A Capoeira é constituída por múltiplos elementos, como golpes, esquivas, ginga e floreios. Segundo Pasqua (2021), o floreio, saber corporal específico da Capoeira, é compreendido como:
Por muito tempo, a área do desenvolvimento motor influenciou parte significativa das ações pedagógicas da Educação Física escolar. Contudo, outras áreas de conhecimento ganharam espaço nas práticas pedagógicas do referente componente curricular. Assim, ao refletir sobre o papel do meio cultural e social na formação do ser humano, Freire (2011) assinala que não acredita em padrão de movimento, mas sim em esquemas motores. Nesse sentido, para o autor, os esquemas motores são organizações de movimentos construídos:
A abordagem pedagógica crítico-superadora tem atenção especial com o currículo, considerando que este deva ter clara a sua função social, fazendo com que o estudante seja capaz de pensar a realidade social a partir do conhecimento científico em confronto com o saber que traz do seu cotidiano. Para construir o currículo, a abordagem crítico-superadora (Coletivo de Autores, 2012) faz uso de alguns princípios para tratar o conhecimento junto ao estudante. Para os autores, o princípio curricular que permite ao estudante romper com a ideia de terminalidade do conhecimento, desenvolvendo nele a noção de historicidade, retraçando-o desde a sua gênese e demonstrando que toda a produção humana expressa um determinado estágio da humanidade é o princípio da:
O jogo em suas diversas camadas é um conteúdo fundamental da Educação Física escolar. Assim, Freire e Scaglia (2009), ao diferenciar o exercício corporal do jogo, afirmam que o primeiro é limitado e possui uma finalidade específica enquanto o jogo é:
No livro “Metodologia do Ensino de Educação Física”, o Coletivo de Autores (1992) defende que os conteúdos devem ter ligação de forma indissociável à sua significação humana e social. Tal afirmação destaca um princípio curricular que implica compreender o sentido e o significado desse princípio, para a reflexão pedagógica escolar, nomeado:
A avaliação em Educação Física ainda é motivo de muitos debates da área e apreensão por parte de estudantes e professores no interior da escola. Para o Coletivo de Autores (2012), a variedade de eventos avaliativos deve constituir-se numa totalidade em que haja uma finalidade, um sentido, um conteúdo e uma forma. Sobre a forma da avaliação, os autores defendem que esta deva ser:
A Educação Física escolar deve trabalhar pedagogicamente o jogo ao longo de toda a escolarização. Com isso, é fundamental que o docente conheça o tipo de jogo adequado para cada idade escolar. Nesse sentido, segundo Freire (2011), o jogo de construção estabelece uma espécie de transição entre:
Refletindo sobre as políticas públicas do esporte escolar, Bracht e Almeida (2003) vêm destacando que o esporte escolar encontrará o seu sentido por meio de sua pedagogização, sendo assim submetido aos códigos escolares. Logo, para os autores, além do aprendizado e prática esportiva, parece fundamental que o esporte escolar:
A psicomotricidade, a Educação Física e os jogos infantis têm apresentado relevante interlocução desde a década de 1970. Pensando a definição de uma das funções psicomotoras, Mello (2009) a descreve como “a colocação simultânea de grandes grupos musculares diferentes para a execução de movimentos amplos e voluntários”. Assim sendo, o autor está descrevendo a função:
































