O “espanto” a que se refere o excerto e é tematizado por Platão e Aristóteles
A pergunta ‘para que Filosofia?’ é comum. Mas é interessante observar que ninguém dirige essa pergunta às ciências, às artes e às técnicas. No entanto, em nossos dias, essa velha pergunta não é repetida sem motivo. (Chaui, Marilena. Boas-vindas à filosofia. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2010).
Um dos modos mais simples e menos polêmicos de se caracterizar a filosofia é através de sua história: forma de pensamento que nasce na Grécia antiga, por volta do séc. VI a.C. De fato, podemos considerar tal caracterização praticamente como uma unanimidade, o que costuma ser raro entre os historiadores da filosofia e os especialistas na área (Marcondes, Danilo. Iniciação à história da filosofia: Dos pré-socráticos a Wittgenstein. Rio de Janeiro: Zahar Editora, 2010).
Diante da dificuldade de formular uma definição de filosofia, cabe afirmar que a filosofia
Diante do excerto, qual é o primeiro passo da dialética socrática?
Hegel introduz uma noção nova, a de que a razão é histórica, ou seja, a verdade é construída no tempo. Partindo da noção kantiana de que a consciência (ou o sujeito) interfere ativamente na construção da realidade, propõe o que se chama filosofia do devir, do ser como processo, como movimento, como vir-a-ser. Desse ponto de vista, o ser está em constante transformação, donde surge a necessidade de fundar uma nova lógica (Aranha, Maria Lúcia de Arruda; Martins, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009).
O projeto filosófico de Edmund Husserl caracterizou-se inicialmente pela formulação da fenomenologia como um método através de uma análise da consciência em sua relação com o real (Marcondes, Danilo. Iniciação à história da filosofia: Dos pré-socráticos a Wittgenstein. Rio de Janeiro: Zahar Editora, 2010. Adaptado).
Segundo Danilo Marcondes: “Em termos gerais, a filosofia analítica pode ser caracterizada por ter como ideia básica a concepção de que a filosofia deve realizar-se pela análise da linguagem” (Marcondes, Danilo. Filosofia analítica. Rio de Janeiro: Zahar, 2004).
Para Kant, então, o que está fora do alcance da experiência é
Uma forma de responder à questão de saber o que é o conhecimento consiste em refletir sobre as coisas que conhecemos para identificarmos o que há de comum entre elas. A primeira coisa que verificamos é que o conhecimento é uma relação entre o agente que conhece e aquilo que é conhecido. Em segundo lugar, parece impossível saber algo sem acreditar no que se sabe. Se sabemos que o Sol é uma estrela é porque acreditamos nisso. Se não acreditamos que o Sol é uma estrela, então também parece que não podemos saber que o é (Teixeira, Celia. Epistemologia. In: Galvão, Pedro (org.). Filosofia: uma introdução por disciplinas. Lisboa: Edições 70, 2012. Adaptado).
Para Maquiavel, os traços humanos imutáveis seriam
A epistemologia não deve ser confundida com a filosofia da ciência, a qual trata de questões epistêmicas e metafísicas relativas às ciências da natureza. Pode-se dizer que a epistemologia é uma das disciplinas centrais da filosofia. De um modo geral, a epistemologia (ou teoria do conhecimento) dedica-se ao estudo da natureza do conhecimento, dos seus requisitos e limites (Teixeira, Celia. Epistemologia. In: Galvão, Pedro (org.). Filosofia: uma introdução por disciplinas. Lisboa: Edições 70, 2012. Adaptado).
Qual é a posição de Platão a respeito das questões levantadas no excerto?
Para muitos filósofos do século XX deixou simplesmente de fazer sentido falar de beleza nas discussões sobre a arte, visto que muita da arte moderna não é bela nem procura sê-lo. Arte e beleza passaram, então, a ser assuntos distintos, embora por vezes se tocassem e até se sobrepusessem (Almeida, Aires. Estética e Filosofia da Arte. In: Galvão, Pedro (org.). Filosofia: uma introdução por disciplinas. Lisboa: Edições 70, 2012. Adaptado).
No sistema de Aristóteles, a ética, juntamente com a política, pertence ao domínio do saber prático, que pode ser contrastado ao saber teórico. Enquanto no âmbito do saber teórico, que inclui a metafísica, a matemática e as ciências naturais, sobretudo a física, o objetivo é o conhecimento da realidade em suas leis e princípios mais gerais, no domínio do saber prático o intuito é estabelecer sob que condições podemos agir da melhor forma possível tendo em vista nosso objetivo primordial (Marcondes, Danilo. Textos Básicos de Ética: De Platão a Foucault. Rio de Janeiro: Zahar Editora, 2007. Adaptado).
Zeno de Cítio (336-264 a.C.) criou a ética estoica, que se contrapunha ao epicurismo no sentido de desprezar os prazeres em geral, por considerá-los fonte de muitos males. As paixões devem ser eliminadas porque só provocam sofrimento, e por isso a virtude do sábio, que vive de acordo com a natureza e a razão, consiste em aceitar com impassibilidade o destino e a dor (Aranha, Maria Lúcia de Arruda; Martins, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009).
Questões sobre a natureza do mal ou por que existe o mal em um mundo criado por um Deus bom sempre foram centrais nas discussões sobre ética na tradição cristã. Agostinho havia inicialmente simpatizado com o maniqueísmo, cuja crença central consiste em afirmar a existência de dois princípios fundamentais que governam o universo, o Bem e o Mal, representados pela Luz e pelas Trevas, equivalentes em força e em permanente combate. Após sua conversão e o desenvolvimento de seu pensamento, Santo Agostinho passa a combater explicitamente o maniqueísmo, defendendo uma posição acerca da natureza do bem e do mal de inspiração platônica (Marcondes, Danilo. Textos básicos de filosofia. Rio de Janeiro: Zahar Editora, 2007).
Jean-Paul Sartre foi inicialmente um discípulo da fenomenologia, e suas primeiras obras, como A imaginação (1936) e Esboços de uma teoria das emoções (1939), foram escritas com base nessa influência. É a partir de romances como A náusea (1938) e Os caminhos da liberdade (1944-49), de peças de teatro como As moscas (1943) e Entre quatro paredes (1945), bem como de obras teóricas como O ser e o nada (1943) e, sobretudo, O existencialismo é um humanismo (1946), que começa a desenvolver sua filosofia existencial (Marcondes, Danilo. Iniciação à história da filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. Rio de Janeiro: Zahar, 2010).
Os filósofos da corrente fenomenológica criticam a concepção dualista que separa corpo-mente, sujeito-mundo. Na perspectiva fenomenológica, não há pura consciência separada do mundo, mas toda consciência visa ao mundo. Desse modo, a fenomenologia tenta superar não só o dualismo corpo-mente, como as dicotomias consciência-objeto e indivíduo-mundo, descobrindo nesses polos relações de reciprocidade (Aranha, Maria Lúcia de Arruda; Martins, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009. Adaptado).
A obra de Michel Foucault teve grande importância nos anos 1970 e 80, influenciando muitas vertentes, inclusive no Brasil, a partir da metodologia que propôs, a arqueologia do saber. Em sua História da loucura (1961), Foucault realiza uma “análise arqueológica” da constituição em nossa tradição do conceito de loucura e da forma de tratá-la (Marcondes, Danilo. Iniciação à história da filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. Rio de Janeiro: Zahar, 2010. Adaptado).
Com que sentido então é que o termo «probabilidade» pode ser usado para qualificar a ocorrência de um evento no mundo? Na realidade, e apesar da importância de que o uso deste termo se reveste na ciência contemporânea, não há uma resposta unívoca a esta questão. Uma primeira tentativa de captar o sentido deste termo, quando usado em contextos deste gênero, é aquela que é característica do pensamento clássico acerca da probabilidade, tal como foi desenvolvido por Laplace, no início do século XIX. (Zilhão, Antonio. Filosofia da Ciência. In: Galvão, Pedro (org.). Filosofia: uma introdução por disciplinas. Lisboa: Edições 70, 2012. Adaptado).
O conhecimento científico é uma conquista recente da humanidade, datando de cerca de quatrocentos anos. No pensamento grego, ciência e filosofia achavam-se ainda vinculadas e só vieram a se separar a partir da Idade Moderna, no século XVII, com a revolução científica instaurada por Galileu. A ciência moderna nasce ao determinar seu objeto específico de investigação e ao criar um método confiável pelo qual estabelece o controle desse conhecimento (Aranha, Maria Lúcia de Arruda; Martins, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009. Adaptado).
Entendemos que a característica central do realismo científico seja uma atitude epistêmica otimista frente aos resultados da investigação científica que abrangem os aspectos do mundo tanto observáveis como inobserváveis. Assim, segundo o realismo científico, as entidades inobserváveis postuladas pelas teorias científicas bem-sucedidas têm existência real e essas teorias são verdadeiras ou aproximadamente verdadeiras, no sentido correspondencial ou minimalista da verdade (Souza, Edna Alves de. Sobre a relevância filosófica do Argumento do Milagre. In: Trans/Form/Ação, vol. 42, n o 4, outubro/dezembro, 2019. Adaptado).
A divisão tradicional do estudo da linguagem em sintaxe, semântica e pragmática tem sua origem, contemporaneamente, no texto Fundamentos de uma Teoria dos Signos do filósofo Charles William Morris, da Universidade de Chicago. De acordo com a definição tradicional encontrada em Morris, a sintaxe examina as relações entre os signos, a semântica estuda a relação dos signos com os objetos a que se referem (Marcondes de Souza Filho, Danilo. A Teoria dos Atos de Fala como concepção pragmática de linguagem. In: Filosofia Unisinos, 7(3):217-230, set/dez 2006. Adaptado).
Em sua “segunda fase”, Wittgenstein aponta uma espécie de dissolução da lógica na linguagem, optando pela utilização do termo “jogos de linguagem”. Nessa perspectiva, o significado não seria mais estabelecido pela forma como é proposto conceitualmente, mas emerge do contexto em que ocorre a comunicação. Assim, em múltiplos contextos, a maneira como as palavras passam a ser empregadas é que torna uma série de distintas conotações possíveis (Ferraro, José Luis. Wittgenstein e os jogos de linguagem. In: Educação Pública, v. 21, n o 30, 10 de agosto de 2021. Adaptado).
Um tema central da Filosofia Política de Santo Agostinho é o da possibilidade de uma “guerra justa”. Como esclarece Everton Maciel: “No Antigo Testamento, Deus permite, e de fato exige, que os Israelitas se envolvam em massacres. Na terra prometida aos Israelitas, os habitantes de uma cidade que se renderem serão feitos escravos, mas se a cidade resistir “não deves deixar uma única alma viva” (Deuteronômio 20: 11, 16). “Deves destruí-los completamente; não deves fazer nenhum tipo de aliança, nem mostrar nenhum tipo de misericórdia a eles” (Deuteronômio 7: 2). Já no Novo Testamento, em contraste, Cristo diz “Se alguém te bater numa face, ofereça-lhe também a outra” (Mateus 5:39). De acordo com o bispo de Hipona, Deus pode tratar de suas criaturas como quiser, e os Israelitas não agiram mal em seguir os comandos de Deus (pois ‘Deus é senhor da vida e da morte’). (Maciel, Everton (org.). Série Investigação Filosófica: Textos Selecionados de Filosofia Política. Pelotas: NEPFIL Online, 2021, p. 98).
A teorização da justiça é, provavelmente, a vertente mais visível e prolífica da Filosofia Política contemporânea. Isso deve-se ao influxo da obra publicada por John Rawls, em 1971, com o título Uma Teoria da Justiça. Aí a ideia de justiça surge como ‘a primeira virtude das instituições sociais’. A justiça é o padrão moral que permite ajuizar se as instituições de enquadramento de uma sociedade estão ou não bem ordenadas (Rosas, João Cardoso, Thaler, Mathias & González, Iñigo. Filosofia Política. In: Galvão, Pedro (org.). Filosofia: uma introdução por disciplinas. Lisboa: Edições 70, 2012. Adaptado).
Entre tantas formas de força e poder, as que nos interessam referem-se à política e, em especial, ao poder do Estado que, desde os tempos modernos (séc. XVII), configura-se como a instância por excelência do exercício do poder político em várias áreas da vida pública. Embora a força física seja condição necessária e exclusiva do Estado para o funcionamento da ordem na sociedade, não é condição suficiente para a manutenção do poder (Aranha, Maria Lúcia de Arruda; Martins, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009. Adaptado).
Uma característica central dos Direitos Humanos é que
Um agente enfrenta um dilema moral genuíno quando está numa situação em que (1) deve realizar um certo ato; (2) deve também realizar outro ato e (3) é-lhe impossível realizar ambos os atos, ou seja, a realização de um deles exclui a realização do outro. Note-se que, num dilema deste tipo, as obrigações em causa não são meramente aparentes (Galvão, Pedro. Ética. In: Galvão, Pedro (org.). Filosofia: uma introdução por disciplinas. Lisboa: Edições 70, 2012. Adaptado).
Na maioria das sociedades humanas é considerado completamente normal discriminar animais de outras espécies. As maneiras pelas quais essa discriminação ocorre e sua severidade variam de lugar para lugar, e certos animais são tratados de maneira pior em alguns lugares do que em outros. Por exemplo, cães, vacas e golfinhos são considerados de forma muito diferente dependendo da sociedade. Uma coisa que a maioria das sociedades têm em comum é que elas discriminam de maneira muito danosa pelo menos algumas espécies de animais (Ética animal. Disponível em: https://www.animal-ethics.org/especismo-pt/).
Gilbert Simondon foi um dos principais filósofos da tecnologia do século XX. Ele abordou esse tema por estar preocupado com a falta de compreensão do mundo tecnológico por parte do mundo cultural. A alta cultura, argumentava, ignora a realidade humana dos objetos técnicos, especificamente, as máquinas, tendo como resultado, por uma parte, a alienação do ser humano com relação à máquina e, por outra, o desequilíbrio da cultura, que não está à altura dos tempos. Desse descompasso surge tanto um tecnicismo imoderado e a tentação da tecnocracia, de um lado, quanto a atitude de rejeição do mundo tecnológico, atribuindo aos artefatos intenções hostis para com a vida humana, de outro (Cupani, Alberto. Filosofia da Tecnologia: um convite. Florianópolis: Editora UFSC, 2011. Adaptado).
A Epistemologia Feminista, no contexto da Epistemologia Social, está preocupada em investigar o papel do gênero nas diversas atividades epistêmicas, na transmissão de conhecimento e/ou crença por testemunho, assim como na produção científica. Considera-se que há preconceito de gênero infiltrado nas mais variadas áreas do conhecimento humano, desde as ciências humanas e sociais até as ciências da vida. Esses preconceitos de gênero são expressos em determinadas afirmações e facilitados pelos princípios disciplinares básicos. A experiência das mulheres torna-se invisível ou distorcida, assim como as relações de gênero” (Ketzer, Patrícia. Epistemologia Feminista. In: Blogs de Ciência da Universidade Estadual de Campinas: Mulheres na Filosofia, v. 7, n o 2, 2021. Adaptado).
As inovações tecnológicas das últimas décadas no campo das ciências médicas e biológicas trazem em si enorme poder de intervenção sobre a vida e a natureza, obrigando a profunda reflexão bioética em razão das consequências advindas para os indivíduos e a sociedade. A Bioética, de caráter eminentemente multidisciplinar, compreende o estudo sistemático da conduta humana na área das ciências da vida e dos cuidados da saúde, na medida em que esta conduta é examinada à luz dos valores e princípios morais (Fortes, Paulo Antônio de Carvalho. Reflexões sobre a bioética e o consentimento esclarecido. In: Bioética, 1994; 2: 129-35).
Pensar a relação entre filosofia e educação, na atualidade, nos leva inevitavelmente a uma pluralidade de questões que envolvem a formação dos seres humanos em sociedades complexas. A análise, mesmo que superficial, da história do ensino da filosofia no Ensino Médio no Brasil mostra que não é suficiente exaltarmos sua importância na formação da educação básica a partir da discriminação teórica de suas competências e habilidades, mas exige, sobretudo, o compromisso de problematizar a desenvoltura do seu exercício, atentando-se para sua identidade, seus objetivos e seu fazer (Baptista, Alexandre Jordão. Dialética Socrática e Ensino de Filosofia: a sala de aula como espaço privilegiado do perguntar filosófico, 2024. Adaptado).
A epistemologia dominante europeia fundou as linhas globais divisórias do conhecimento que concede à ciência moderna, à filosofia, à teologia e ao direito o monopólio unilateral e universal entre o verdadeiro e o falso, o oficial e o contingente, o divino e profano. A epistemologia abissal, ou pensamento abissal, representa a dominação do Norte-global sobre o Sul-global que se outorga o poder racional de dividir experiências, saberes e atores sociais considerados úteis, inteligíveis e visíveis e os que estão do outro lado da linha na condição de inúteis, perigosos, ininteligíveis, suprimíveis e esquecíveis (Muraro, Darcísio Natal. O ensino de filosofia e descolonização: a experiência de escrita autobiográfica na perspectiva de Paulo Freire, 2024. Adaptado).
A filosofia no século XX e, principalmente, hoje em dia, no século XXI, vem tomando vários direcionamentos que até então não eram trabalhados pelos filósofos. Michel Foucault, ao proferir uma conferência em 1970, afirma que “[...] há um sintoma que merece ser assinalado: a filosofia, hoje, não passa de um ofício de professor”. Com isso, o autor tenta mostrar que, desde Hegel, a filosofia passa a ser mais valorizada no seu ensino nas universidades e o principal papel do filósofo era ensiná-la (Batista, Tarciano Silva. A avaliação no ensino de filosofia: possibilidades para um fazer filosófico e uma experiência do pensar em sala de aula. In: Anais do V Encontro de iniciação à docência da Universidade Estadual da Paraíba. 2016. Adaptado).
































