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Prova Bibliotecário Documentalista - UNIFAL
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Questão 1 de 10 Q2327466 Q1 da prova
Leia o texto abaixo e responda às questões de 01 a 10:

Um meio-elogio à meia-idade

§ 1

§ 2

§ 3

§ 4

§ 5

§ 6

§ 7

§ 8

§ 9

Somados, teríamos aí por volta de uns cinco mil anos de idade – e de prudência, juízo, sabedoria e experiência. Mas também de muito colesterol, triglicerídeo e ácido úrico. Éramos cerca de 90 idosos, entre expositores e ouvintes, reunidos para discutir o tema da velhice, dentro do ciclo “Rio na virada do século”, que há três anos vem sendo promovido pela Associação Cultural da Arquidiocese do Rio. Já ia escrever que a reunião seria para debater o futuro da terceira idade quando me dei conta de que poderia ser mal compreendido. “E velhice tem futuro?”, alguém poderia me provocar, ainda mais nesse Brasil neoliberal, onde a senectude está condenada, não só pela biologia, mas também pela política. Aqui, na minha idade, ou se é presidente da República ou se corre o risco de ser chamado de vagabundo. O tema do seminário foi “Envelhecimento saudável – Responsabilidade de todos nós”, e nele aprendi muita coisa, ainda que se diga que nessa idade não se aprende mais nada. Aprendi, por exemplo, que o Brasil não é mais um país de jovens, mas de velhos; que há um século a esperança de vida era de 33 anos e agora é de 70; que há 14 milhões de brasileiros com mais de 75 e, pasmem, 15 mil com mais de 100. O problema é que, apesar disso, nossa sociedade tem o mais solene desprezo pela terceira idade. “Idosos como eu continuam descartáveis”, disse o padre Fernando Ávila – ele, que continua sendo uma das melhores cabeças do país e que, com sua exposição sobre ética, demonstrou que pelo menos intelectualmente pode-se ficar melhor com a idade. “Com a mísera aposentadoria ou pensão que recebe, o velho pobre sobrevive sem dignidade”, declarou o professor Sérgio Pereira da Silva, e outros expositores ressaltaram o preconceito e o desrespeito com que é tratado o idoso, a quem se opõem todas as dificuldades de acessos, literais e simbólicos: acesso aos ônibus, às rampas, ao lazer, à justiça e à cidadania. Parece que se foi o tempo em que o ancião significava experiência, que o sábio da tribo era um velho, que o idoso era ouvido pelos jovens e que a literatura fazia o elogio da velhice, como fez o sessentão Cícero, 44 anos antes de Cristo, em De senectute. Hoje, o novo De senectute, de Norberto Bobbio, é um belíssimo livro, mas triste e pessimista. “Quem louva a velhice não a viu de perto”, ele escreveu. Não estou entre os que fazem elogio irrestrito de uma fase da vida em que até o prefixo é traiçoeiro – sexagenário não tem nada a ver com sexo, se é que se precisa avisar. Mas também não acho que é o pior dos tempos, principalmente quando se lembra que a adolescência, tão idealizada a distância, é uma das fases mais atormentadas da existência. Nem sempre é a idade que faz a vida feliz ou infeliz, mas a cabeça, assim como o que faz mal à saúde é a doença, não a idade. A terceira idade não é evidentemente a número 1, mas merece um lugar de destaque nessa moda cabalística do tertius – Terceiro Mundo, terceira via, terceiro sexo – principalmente agora, às vésperas do terceiro milênio e do século que será – isso aprendi também no seminário do Sumaré – do Espírito Santo, que não por acaso é a terceira pessoa da Santíssima Trindade. Além do mais, a velhice é um lugar onde em geral se chega – e, na melhor das hipóteses, todos chegam lá – munido de uma preciosa virtude anciã: a indulgência. Graças a ela pode-se descobrir que, a exemplo do que ocorre olhando o pôr-do-sol, existe no ocaso uma serena e crepuscular beleza. Isso, evidentemente, se os óculos não estiverem embaçados.

De acordo com o texto, é INCORRETO afirmar que os velhos:

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Questão 2 de 10 Q2327468 Q2 da prova
Leia o texto abaixo e responda às questões de 01 a 10:

Um meio-elogio à meia-idade

§ 1

§ 2

§ 3

§ 4

§ 5

§ 6

§ 7

§ 8

§ 9

Somados, teríamos aí por volta de uns cinco mil anos de idade – e de prudência, juízo, sabedoria e experiência. Mas também de muito colesterol, triglicerídeo e ácido úrico. Éramos cerca de 90 idosos, entre expositores e ouvintes, reunidos para discutir o tema da velhice, dentro do ciclo “Rio na virada do século”, que há três anos vem sendo promovido pela Associação Cultural da Arquidiocese do Rio. Já ia escrever que a reunião seria para debater o futuro da terceira idade quando me dei conta de que poderia ser mal compreendido. “E velhice tem futuro?”, alguém poderia me provocar, ainda mais nesse Brasil neoliberal, onde a senectude está condenada, não só pela biologia, mas também pela política. Aqui, na minha idade, ou se é presidente da República ou se corre o risco de ser chamado de vagabundo. O tema do seminário foi “Envelhecimento saudável – Responsabilidade de todos nós”, e nele aprendi muita coisa, ainda que se diga que nessa idade não se aprende mais nada. Aprendi, por exemplo, que o Brasil não é mais um país de jovens, mas de velhos; que há um século a esperança de vida era de 33 anos e agora é de 70; que há 14 milhões de brasileiros com mais de 75 e, pasmem, 15 mil com mais de 100. O problema é que, apesar disso, nossa sociedade tem o mais solene desprezo pela terceira idade. “Idosos como eu continuam descartáveis”, disse o padre Fernando Ávila – ele, que continua sendo uma das melhores cabeças do país e que, com sua exposição sobre ética, demonstrou que pelo menos intelectualmente pode-se ficar melhor com a idade. “Com a mísera aposentadoria ou pensão que recebe, o velho pobre sobrevive sem dignidade”, declarou o professor Sérgio Pereira da Silva, e outros expositores ressaltaram o preconceito e o desrespeito com que é tratado o idoso, a quem se opõem todas as dificuldades de acessos, literais e simbólicos: acesso aos ônibus, às rampas, ao lazer, à justiça e à cidadania. Parece que se foi o tempo em que o ancião significava experiência, que o sábio da tribo era um velho, que o idoso era ouvido pelos jovens e que a literatura fazia o elogio da velhice, como fez o sessentão Cícero, 44 anos antes de Cristo, em De senectute. Hoje, o novo De senectute, de Norberto Bobbio, é um belíssimo livro, mas triste e pessimista. “Quem louva a velhice não a viu de perto”, ele escreveu. Não estou entre os que fazem elogio irrestrito de uma fase da vida em que até o prefixo é traiçoeiro – sexagenário não tem nada a ver com sexo, se é que se precisa avisar. Mas também não acho que é o pior dos tempos, principalmente quando se lembra que a adolescência, tão idealizada a distância, é uma das fases mais atormentadas da existência. Nem sempre é a idade que faz a vida feliz ou infeliz, mas a cabeça, assim como o que faz mal à saúde é a doença, não a idade. A terceira idade não é evidentemente a número 1, mas merece um lugar de destaque nessa moda cabalística do tertius – Terceiro Mundo, terceira via, terceiro sexo – principalmente agora, às vésperas do terceiro milênio e do século que será – isso aprendi também no seminário do Sumaré – do Espírito Santo, que não por acaso é a terceira pessoa da Santíssima Trindade. Além do mais, a velhice é um lugar onde em geral se chega – e, na melhor das hipóteses, todos chegam lá – munido de uma preciosa virtude anciã: a indulgência. Graças a ela pode-se descobrir que, a exemplo do que ocorre olhando o pôr-do-sol, existe no ocaso uma serena e crepuscular beleza. Isso, evidentemente, se os óculos não estiverem embaçados.

O texto de Zuenir Ventura é uma crônica. Assinale, dentre as características abaixo, aquela que NÃ O se aplica ao gênero em questão:

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Questão 3 de 10 Q2327470 Q3 da prova
Leia o texto abaixo e responda às questões de 01 a 10:

Um meio-elogio à meia-idade

§ 1

§ 2

§ 3

§ 4

§ 5

§ 6

§ 7

§ 8

§ 9

Somados, teríamos aí por volta de uns cinco mil anos de idade – e de prudência, juízo, sabedoria e experiência. Mas também de muito colesterol, triglicerídeo e ácido úrico. Éramos cerca de 90 idosos, entre expositores e ouvintes, reunidos para discutir o tema da velhice, dentro do ciclo “Rio na virada do século”, que há três anos vem sendo promovido pela Associação Cultural da Arquidiocese do Rio. Já ia escrever que a reunião seria para debater o futuro da terceira idade quando me dei conta de que poderia ser mal compreendido. “E velhice tem futuro?”, alguém poderia me provocar, ainda mais nesse Brasil neoliberal, onde a senectude está condenada, não só pela biologia, mas também pela política. Aqui, na minha idade, ou se é presidente da República ou se corre o risco de ser chamado de vagabundo. O tema do seminário foi “Envelhecimento saudável – Responsabilidade de todos nós”, e nele aprendi muita coisa, ainda que se diga que nessa idade não se aprende mais nada. Aprendi, por exemplo, que o Brasil não é mais um país de jovens, mas de velhos; que há um século a esperança de vida era de 33 anos e agora é de 70; que há 14 milhões de brasileiros com mais de 75 e, pasmem, 15 mil com mais de 100. O problema é que, apesar disso, nossa sociedade tem o mais solene desprezo pela terceira idade. “Idosos como eu continuam descartáveis”, disse o padre Fernando Ávila – ele, que continua sendo uma das melhores cabeças do país e que, com sua exposição sobre ética, demonstrou que pelo menos intelectualmente pode-se ficar melhor com a idade. “Com a mísera aposentadoria ou pensão que recebe, o velho pobre sobrevive sem dignidade”, declarou o professor Sérgio Pereira da Silva, e outros expositores ressaltaram o preconceito e o desrespeito com que é tratado o idoso, a quem se opõem todas as dificuldades de acessos, literais e simbólicos: acesso aos ônibus, às rampas, ao lazer, à justiça e à cidadania. Parece que se foi o tempo em que o ancião significava experiência, que o sábio da tribo era um velho, que o idoso era ouvido pelos jovens e que a literatura fazia o elogio da velhice, como fez o sessentão Cícero, 44 anos antes de Cristo, em De senectute. Hoje, o novo De senectute, de Norberto Bobbio, é um belíssimo livro, mas triste e pessimista. “Quem louva a velhice não a viu de perto”, ele escreveu. Não estou entre os que fazem elogio irrestrito de uma fase da vida em que até o prefixo é traiçoeiro – sexagenário não tem nada a ver com sexo, se é que se precisa avisar. Mas também não acho que é o pior dos tempos, principalmente quando se lembra que a adolescência, tão idealizada a distância, é uma das fases mais atormentadas da existência. Nem sempre é a idade que faz a vida feliz ou infeliz, mas a cabeça, assim como o que faz mal à saúde é a doença, não a idade. A terceira idade não é evidentemente a número 1, mas merece um lugar de destaque nessa moda cabalística do tertius – Terceiro Mundo, terceira via, terceiro sexo – principalmente agora, às vésperas do terceiro milênio e do século que será – isso aprendi também no seminário do Sumaré – do Espírito Santo, que não por acaso é a terceira pessoa da Santíssima Trindade. Além do mais, a velhice é um lugar onde em geral se chega – e, na melhor das hipóteses, todos chegam lá – munido de uma preciosa virtude anciã: a indulgência. Graças a ela pode-se descobrir que, a exemplo do que ocorre olhando o pôr-do-sol, existe no ocaso uma serena e crepuscular beleza. Isso, evidentemente, se os óculos não estiverem embaçados.

“[...] há um século a esperança de vida era de 33 anos e agora é de 70 [...].” (§ 3) O termo que melhor traduz o sentido da palavra esperança, na passagem acima, é:

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Questão 4 de 10 Q2327472 Q4 da prova
Leia o texto abaixo e responda às questões de 01 a 10:

Um meio-elogio à meia-idade

§ 1

§ 2

§ 3

§ 4

§ 5

§ 6

§ 7

§ 8

§ 9

Somados, teríamos aí por volta de uns cinco mil anos de idade – e de prudência, juízo, sabedoria e experiência. Mas também de muito colesterol, triglicerídeo e ácido úrico. Éramos cerca de 90 idosos, entre expositores e ouvintes, reunidos para discutir o tema da velhice, dentro do ciclo “Rio na virada do século”, que há três anos vem sendo promovido pela Associação Cultural da Arquidiocese do Rio. Já ia escrever que a reunião seria para debater o futuro da terceira idade quando me dei conta de que poderia ser mal compreendido. “E velhice tem futuro?”, alguém poderia me provocar, ainda mais nesse Brasil neoliberal, onde a senectude está condenada, não só pela biologia, mas também pela política. Aqui, na minha idade, ou se é presidente da República ou se corre o risco de ser chamado de vagabundo. O tema do seminário foi “Envelhecimento saudável – Responsabilidade de todos nós”, e nele aprendi muita coisa, ainda que se diga que nessa idade não se aprende mais nada. Aprendi, por exemplo, que o Brasil não é mais um país de jovens, mas de velhos; que há um século a esperança de vida era de 33 anos e agora é de 70; que há 14 milhões de brasileiros com mais de 75 e, pasmem, 15 mil com mais de 100. O problema é que, apesar disso, nossa sociedade tem o mais solene desprezo pela terceira idade. “Idosos como eu continuam descartáveis”, disse o padre Fernando Ávila – ele, que continua sendo uma das melhores cabeças do país e que, com sua exposição sobre ética, demonstrou que pelo menos intelectualmente pode-se ficar melhor com a idade. “Com a mísera aposentadoria ou pensão que recebe, o velho pobre sobrevive sem dignidade”, declarou o professor Sérgio Pereira da Silva, e outros expositores ressaltaram o preconceito e o desrespeito com que é tratado o idoso, a quem se opõem todas as dificuldades de acessos, literais e simbólicos: acesso aos ônibus, às rampas, ao lazer, à justiça e à cidadania. Parece que se foi o tempo em que o ancião significava experiência, que o sábio da tribo era um velho, que o idoso era ouvido pelos jovens e que a literatura fazia o elogio da velhice, como fez o sessentão Cícero, 44 anos antes de Cristo, em De senectute. Hoje, o novo De senectute, de Norberto Bobbio, é um belíssimo livro, mas triste e pessimista. “Quem louva a velhice não a viu de perto”, ele escreveu. Não estou entre os que fazem elogio irrestrito de uma fase da vida em que até o prefixo é traiçoeiro – sexagenário não tem nada a ver com sexo, se é que se precisa avisar. Mas também não acho que é o pior dos tempos, principalmente quando se lembra que a adolescência, tão idealizada a distância, é uma das fases mais atormentadas da existência. Nem sempre é a idade que faz a vida feliz ou infeliz, mas a cabeça, assim como o que faz mal à saúde é a doença, não a idade. A terceira idade não é evidentemente a número 1, mas merece um lugar de destaque nessa moda cabalística do tertius – Terceiro Mundo, terceira via, terceiro sexo – principalmente agora, às vésperas do terceiro milênio e do século que será – isso aprendi também no seminário do Sumaré – do Espírito Santo, que não por acaso é a terceira pessoa da Santíssima Trindade. Além do mais, a velhice é um lugar onde em geral se chega – e, na melhor das hipóteses, todos chegam lá – munido de uma preciosa virtude anciã: a indulgência. Graças a ela pode-se descobrir que, a exemplo do que ocorre olhando o pôr-do-sol, existe no ocaso uma serena e crepuscular beleza. Isso, evidentemente, se os óculos não estiverem embaçados.

“Aprendi, por exemplo, [...] que há 14 milhões de brasileiros com mais de 75 e, pasmem, 15 mil com mais de 100.” (§ 3) Das alterações processadas no trecho sublinhado, assinale aquela INCORRETA quanto à concordância verbal:

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Questão 5 de 10 Q2327474 Q5 da prova
Leia o texto abaixo e responda às questões de 01 a 10:

Um meio-elogio à meia-idade

§ 1

§ 2

§ 3

§ 4

§ 5

§ 6

§ 7

§ 8

§ 9

Somados, teríamos aí por volta de uns cinco mil anos de idade – e de prudência, juízo, sabedoria e experiência. Mas também de muito colesterol, triglicerídeo e ácido úrico. Éramos cerca de 90 idosos, entre expositores e ouvintes, reunidos para discutir o tema da velhice, dentro do ciclo “Rio na virada do século”, que há três anos vem sendo promovido pela Associação Cultural da Arquidiocese do Rio. Já ia escrever que a reunião seria para debater o futuro da terceira idade quando me dei conta de que poderia ser mal compreendido. “E velhice tem futuro?”, alguém poderia me provocar, ainda mais nesse Brasil neoliberal, onde a senectude está condenada, não só pela biologia, mas também pela política. Aqui, na minha idade, ou se é presidente da República ou se corre o risco de ser chamado de vagabundo. O tema do seminário foi “Envelhecimento saudável – Responsabilidade de todos nós”, e nele aprendi muita coisa, ainda que se diga que nessa idade não se aprende mais nada. Aprendi, por exemplo, que o Brasil não é mais um país de jovens, mas de velhos; que há um século a esperança de vida era de 33 anos e agora é de 70; que há 14 milhões de brasileiros com mais de 75 e, pasmem, 15 mil com mais de 100. O problema é que, apesar disso, nossa sociedade tem o mais solene desprezo pela terceira idade. “Idosos como eu continuam descartáveis”, disse o padre Fernando Ávila – ele, que continua sendo uma das melhores cabeças do país e que, com sua exposição sobre ética, demonstrou que pelo menos intelectualmente pode-se ficar melhor com a idade. “Com a mísera aposentadoria ou pensão que recebe, o velho pobre sobrevive sem dignidade”, declarou o professor Sérgio Pereira da Silva, e outros expositores ressaltaram o preconceito e o desrespeito com que é tratado o idoso, a quem se opõem todas as dificuldades de acessos, literais e simbólicos: acesso aos ônibus, às rampas, ao lazer, à justiça e à cidadania. Parece que se foi o tempo em que o ancião significava experiência, que o sábio da tribo era um velho, que o idoso era ouvido pelos jovens e que a literatura fazia o elogio da velhice, como fez o sessentão Cícero, 44 anos antes de Cristo, em De senectute. Hoje, o novo De senectute, de Norberto Bobbio, é um belíssimo livro, mas triste e pessimista. “Quem louva a velhice não a viu de perto”, ele escreveu. Não estou entre os que fazem elogio irrestrito de uma fase da vida em que até o prefixo é traiçoeiro – sexagenário não tem nada a ver com sexo, se é que se precisa avisar. Mas também não acho que é o pior dos tempos, principalmente quando se lembra que a adolescência, tão idealizada a distância, é uma das fases mais atormentadas da existência. Nem sempre é a idade que faz a vida feliz ou infeliz, mas a cabeça, assim como o que faz mal à saúde é a doença, não a idade. A terceira idade não é evidentemente a número 1, mas merece um lugar de destaque nessa moda cabalística do tertius – Terceiro Mundo, terceira via, terceiro sexo – principalmente agora, às vésperas do terceiro milênio e do século que será – isso aprendi também no seminário do Sumaré – do Espírito Santo, que não por acaso é a terceira pessoa da Santíssima Trindade. Além do mais, a velhice é um lugar onde em geral se chega – e, na melhor das hipóteses, todos chegam lá – munido de uma preciosa virtude anciã: a indulgência. Graças a ela pode-se descobrir que, a exemplo do que ocorre olhando o pôr-do-sol, existe no ocaso uma serena e crepuscular beleza. Isso, evidentemente, se os óculos não estiverem embaçados.

“Hoje, o novo De senectute, de Norberto Bobbio, é um belíssimo livro, mas triste e pessimista.” (§ 6) Leia as afirmativas a respeito do uso do termo hoje, na passagem acima:

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Questão 6 de 10 Q2327476 Q6 da prova
Leia o texto abaixo e responda às questões de 01 a 10:

Um meio-elogio à meia-idade

§ 1

§ 2

§ 3

§ 4

§ 5

§ 6

§ 7

§ 8

§ 9

Somados, teríamos aí por volta de uns cinco mil anos de idade – e de prudência, juízo, sabedoria e experiência. Mas também de muito colesterol, triglicerídeo e ácido úrico. Éramos cerca de 90 idosos, entre expositores e ouvintes, reunidos para discutir o tema da velhice, dentro do ciclo “Rio na virada do século”, que há três anos vem sendo promovido pela Associação Cultural da Arquidiocese do Rio. Já ia escrever que a reunião seria para debater o futuro da terceira idade quando me dei conta de que poderia ser mal compreendido. “E velhice tem futuro?”, alguém poderia me provocar, ainda mais nesse Brasil neoliberal, onde a senectude está condenada, não só pela biologia, mas também pela política. Aqui, na minha idade, ou se é presidente da República ou se corre o risco de ser chamado de vagabundo. O tema do seminário foi “Envelhecimento saudável – Responsabilidade de todos nós”, e nele aprendi muita coisa, ainda que se diga que nessa idade não se aprende mais nada. Aprendi, por exemplo, que o Brasil não é mais um país de jovens, mas de velhos; que há um século a esperança de vida era de 33 anos e agora é de 70; que há 14 milhões de brasileiros com mais de 75 e, pasmem, 15 mil com mais de 100. O problema é que, apesar disso, nossa sociedade tem o mais solene desprezo pela terceira idade. “Idosos como eu continuam descartáveis”, disse o padre Fernando Ávila – ele, que continua sendo uma das melhores cabeças do país e que, com sua exposição sobre ética, demonstrou que pelo menos intelectualmente pode-se ficar melhor com a idade. “Com a mísera aposentadoria ou pensão que recebe, o velho pobre sobrevive sem dignidade”, declarou o professor Sérgio Pereira da Silva, e outros expositores ressaltaram o preconceito e o desrespeito com que é tratado o idoso, a quem se opõem todas as dificuldades de acessos, literais e simbólicos: acesso aos ônibus, às rampas, ao lazer, à justiça e à cidadania. Parece que se foi o tempo em que o ancião significava experiência, que o sábio da tribo era um velho, que o idoso era ouvido pelos jovens e que a literatura fazia o elogio da velhice, como fez o sessentão Cícero, 44 anos antes de Cristo, em De senectute. Hoje, o novo De senectute, de Norberto Bobbio, é um belíssimo livro, mas triste e pessimista. “Quem louva a velhice não a viu de perto”, ele escreveu. Não estou entre os que fazem elogio irrestrito de uma fase da vida em que até o prefixo é traiçoeiro – sexagenário não tem nada a ver com sexo, se é que se precisa avisar. Mas também não acho que é o pior dos tempos, principalmente quando se lembra que a adolescência, tão idealizada a distância, é uma das fases mais atormentadas da existência. Nem sempre é a idade que faz a vida feliz ou infeliz, mas a cabeça, assim como o que faz mal à saúde é a doença, não a idade. A terceira idade não é evidentemente a número 1, mas merece um lugar de destaque nessa moda cabalística do tertius – Terceiro Mundo, terceira via, terceiro sexo – principalmente agora, às vésperas do terceiro milênio e do século que será – isso aprendi também no seminário do Sumaré – do Espírito Santo, que não por acaso é a terceira pessoa da Santíssima Trindade. Além do mais, a velhice é um lugar onde em geral se chega – e, na melhor das hipóteses, todos chegam lá – munido de uma preciosa virtude anciã: a indulgência. Graças a ela pode-se descobrir que, a exemplo do que ocorre olhando o pôr-do-sol, existe no ocaso uma serena e crepuscular beleza. Isso, evidentemente, se os óculos não estiverem embaçados.

Assinale a alternativa INCORRETA quanto à presença ou ausência de acento grave indicativo de crase:

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Questão 7 de 10 Q2327477 Q7 da prova
Leia o texto abaixo e responda às questões de 01 a 10:

Um meio-elogio à meia-idade

§ 1

§ 2

§ 3

§ 4

§ 5

§ 6

§ 7

§ 8

§ 9

Somados, teríamos aí por volta de uns cinco mil anos de idade – e de prudência, juízo, sabedoria e experiência. Mas também de muito colesterol, triglicerídeo e ácido úrico. Éramos cerca de 90 idosos, entre expositores e ouvintes, reunidos para discutir o tema da velhice, dentro do ciclo “Rio na virada do século”, que há três anos vem sendo promovido pela Associação Cultural da Arquidiocese do Rio. Já ia escrever que a reunião seria para debater o futuro da terceira idade quando me dei conta de que poderia ser mal compreendido. “E velhice tem futuro?”, alguém poderia me provocar, ainda mais nesse Brasil neoliberal, onde a senectude está condenada, não só pela biologia, mas também pela política. Aqui, na minha idade, ou se é presidente da República ou se corre o risco de ser chamado de vagabundo. O tema do seminário foi “Envelhecimento saudável – Responsabilidade de todos nós”, e nele aprendi muita coisa, ainda que se diga que nessa idade não se aprende mais nada. Aprendi, por exemplo, que o Brasil não é mais um país de jovens, mas de velhos; que há um século a esperança de vida era de 33 anos e agora é de 70; que há 14 milhões de brasileiros com mais de 75 e, pasmem, 15 mil com mais de 100. O problema é que, apesar disso, nossa sociedade tem o mais solene desprezo pela terceira idade. “Idosos como eu continuam descartáveis”, disse o padre Fernando Ávila – ele, que continua sendo uma das melhores cabeças do país e que, com sua exposição sobre ética, demonstrou que pelo menos intelectualmente pode-se ficar melhor com a idade. “Com a mísera aposentadoria ou pensão que recebe, o velho pobre sobrevive sem dignidade”, declarou o professor Sérgio Pereira da Silva, e outros expositores ressaltaram o preconceito e o desrespeito com que é tratado o idoso, a quem se opõem todas as dificuldades de acessos, literais e simbólicos: acesso aos ônibus, às rampas, ao lazer, à justiça e à cidadania. Parece que se foi o tempo em que o ancião significava experiência, que o sábio da tribo era um velho, que o idoso era ouvido pelos jovens e que a literatura fazia o elogio da velhice, como fez o sessentão Cícero, 44 anos antes de Cristo, em De senectute. Hoje, o novo De senectute, de Norberto Bobbio, é um belíssimo livro, mas triste e pessimista. “Quem louva a velhice não a viu de perto”, ele escreveu. Não estou entre os que fazem elogio irrestrito de uma fase da vida em que até o prefixo é traiçoeiro – sexagenário não tem nada a ver com sexo, se é que se precisa avisar. Mas também não acho que é o pior dos tempos, principalmente quando se lembra que a adolescência, tão idealizada a distância, é uma das fases mais atormentadas da existência. Nem sempre é a idade que faz a vida feliz ou infeliz, mas a cabeça, assim como o que faz mal à saúde é a doença, não a idade. A terceira idade não é evidentemente a número 1, mas merece um lugar de destaque nessa moda cabalística do tertius – Terceiro Mundo, terceira via, terceiro sexo – principalmente agora, às vésperas do terceiro milênio e do século que será – isso aprendi também no seminário do Sumaré – do Espírito Santo, que não por acaso é a terceira pessoa da Santíssima Trindade. Além do mais, a velhice é um lugar onde em geral se chega – e, na melhor das hipóteses, todos chegam lá – munido de uma preciosa virtude anciã: a indulgência. Graças a ela pode-se descobrir que, a exemplo do que ocorre olhando o pôr-do-sol, existe no ocaso uma serena e crepuscular beleza. Isso, evidentemente, se os óculos não estiverem embaçados.

Das alterações processadas no trecho sublinhado, assinale aquela INCORRETA quanto à regência:

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Questão 8 de 10 Q2327480 Q8 da prova
Leia o texto abaixo e responda às questões de 01 a 10:

Um meio-elogio à meia-idade

§ 1

§ 2

§ 3

§ 4

§ 5

§ 6

§ 7

§ 8

§ 9

Somados, teríamos aí por volta de uns cinco mil anos de idade – e de prudência, juízo, sabedoria e experiência. Mas também de muito colesterol, triglicerídeo e ácido úrico. Éramos cerca de 90 idosos, entre expositores e ouvintes, reunidos para discutir o tema da velhice, dentro do ciclo “Rio na virada do século”, que há três anos vem sendo promovido pela Associação Cultural da Arquidiocese do Rio. Já ia escrever que a reunião seria para debater o futuro da terceira idade quando me dei conta de que poderia ser mal compreendido. “E velhice tem futuro?”, alguém poderia me provocar, ainda mais nesse Brasil neoliberal, onde a senectude está condenada, não só pela biologia, mas também pela política. Aqui, na minha idade, ou se é presidente da República ou se corre o risco de ser chamado de vagabundo. O tema do seminário foi “Envelhecimento saudável – Responsabilidade de todos nós”, e nele aprendi muita coisa, ainda que se diga que nessa idade não se aprende mais nada. Aprendi, por exemplo, que o Brasil não é mais um país de jovens, mas de velhos; que há um século a esperança de vida era de 33 anos e agora é de 70; que há 14 milhões de brasileiros com mais de 75 e, pasmem, 15 mil com mais de 100. O problema é que, apesar disso, nossa sociedade tem o mais solene desprezo pela terceira idade. “Idosos como eu continuam descartáveis”, disse o padre Fernando Ávila – ele, que continua sendo uma das melhores cabeças do país e que, com sua exposição sobre ética, demonstrou que pelo menos intelectualmente pode-se ficar melhor com a idade. “Com a mísera aposentadoria ou pensão que recebe, o velho pobre sobrevive sem dignidade”, declarou o professor Sérgio Pereira da Silva, e outros expositores ressaltaram o preconceito e o desrespeito com que é tratado o idoso, a quem se opõem todas as dificuldades de acessos, literais e simbólicos: acesso aos ônibus, às rampas, ao lazer, à justiça e à cidadania. Parece que se foi o tempo em que o ancião significava experiência, que o sábio da tribo era um velho, que o idoso era ouvido pelos jovens e que a literatura fazia o elogio da velhice, como fez o sessentão Cícero, 44 anos antes de Cristo, em De senectute. Hoje, o novo De senectute, de Norberto Bobbio, é um belíssimo livro, mas triste e pessimista. “Quem louva a velhice não a viu de perto”, ele escreveu. Não estou entre os que fazem elogio irrestrito de uma fase da vida em que até o prefixo é traiçoeiro – sexagenário não tem nada a ver com sexo, se é que se precisa avisar. Mas também não acho que é o pior dos tempos, principalmente quando se lembra que a adolescência, tão idealizada a distância, é uma das fases mais atormentadas da existência. Nem sempre é a idade que faz a vida feliz ou infeliz, mas a cabeça, assim como o que faz mal à saúde é a doença, não a idade. A terceira idade não é evidentemente a número 1, mas merece um lugar de destaque nessa moda cabalística do tertius – Terceiro Mundo, terceira via, terceiro sexo – principalmente agora, às vésperas do terceiro milênio e do século que será – isso aprendi também no seminário do Sumaré – do Espírito Santo, que não por acaso é a terceira pessoa da Santíssima Trindade. Além do mais, a velhice é um lugar onde em geral se chega – e, na melhor das hipóteses, todos chegam lá – munido de uma preciosa virtude anciã: a indulgência. Graças a ela pode-se descobrir que, a exemplo do que ocorre olhando o pôr-do-sol, existe no ocaso uma serena e crepuscular beleza. Isso, evidentemente, se os óculos não estiverem embaçados.

Assinale a afirmativa que NÃO se aplica ao uso da expressão meio-elogio, no título do texto:

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Questão 9 de 10 Q2327482 Q9 da prova
Leia o texto abaixo e responda às questões de 01 a 10:

Um meio-elogio à meia-idade

§ 1

§ 2

§ 3

§ 4

§ 5

§ 6

§ 7

§ 8

§ 9

Somados, teríamos aí por volta de uns cinco mil anos de idade – e de prudência, juízo, sabedoria e experiência. Mas também de muito colesterol, triglicerídeo e ácido úrico. Éramos cerca de 90 idosos, entre expositores e ouvintes, reunidos para discutir o tema da velhice, dentro do ciclo “Rio na virada do século”, que há três anos vem sendo promovido pela Associação Cultural da Arquidiocese do Rio. Já ia escrever que a reunião seria para debater o futuro da terceira idade quando me dei conta de que poderia ser mal compreendido. “E velhice tem futuro?”, alguém poderia me provocar, ainda mais nesse Brasil neoliberal, onde a senectude está condenada, não só pela biologia, mas também pela política. Aqui, na minha idade, ou se é presidente da República ou se corre o risco de ser chamado de vagabundo. O tema do seminário foi “Envelhecimento saudável – Responsabilidade de todos nós”, e nele aprendi muita coisa, ainda que se diga que nessa idade não se aprende mais nada. Aprendi, por exemplo, que o Brasil não é mais um país de jovens, mas de velhos; que há um século a esperança de vida era de 33 anos e agora é de 70; que há 14 milhões de brasileiros com mais de 75 e, pasmem, 15 mil com mais de 100. O problema é que, apesar disso, nossa sociedade tem o mais solene desprezo pela terceira idade. “Idosos como eu continuam descartáveis”, disse o padre Fernando Ávila – ele, que continua sendo uma das melhores cabeças do país e que, com sua exposição sobre ética, demonstrou que pelo menos intelectualmente pode-se ficar melhor com a idade. “Com a mísera aposentadoria ou pensão que recebe, o velho pobre sobrevive sem dignidade”, declarou o professor Sérgio Pereira da Silva, e outros expositores ressaltaram o preconceito e o desrespeito com que é tratado o idoso, a quem se opõem todas as dificuldades de acessos, literais e simbólicos: acesso aos ônibus, às rampas, ao lazer, à justiça e à cidadania. Parece que se foi o tempo em que o ancião significava experiência, que o sábio da tribo era um velho, que o idoso era ouvido pelos jovens e que a literatura fazia o elogio da velhice, como fez o sessentão Cícero, 44 anos antes de Cristo, em De senectute. Hoje, o novo De senectute, de Norberto Bobbio, é um belíssimo livro, mas triste e pessimista. “Quem louva a velhice não a viu de perto”, ele escreveu. Não estou entre os que fazem elogio irrestrito de uma fase da vida em que até o prefixo é traiçoeiro – sexagenário não tem nada a ver com sexo, se é que se precisa avisar. Mas também não acho que é o pior dos tempos, principalmente quando se lembra que a adolescência, tão idealizada a distância, é uma das fases mais atormentadas da existência. Nem sempre é a idade que faz a vida feliz ou infeliz, mas a cabeça, assim como o que faz mal à saúde é a doença, não a idade. A terceira idade não é evidentemente a número 1, mas merece um lugar de destaque nessa moda cabalística do tertius – Terceiro Mundo, terceira via, terceiro sexo – principalmente agora, às vésperas do terceiro milênio e do século que será – isso aprendi também no seminário do Sumaré – do Espírito Santo, que não por acaso é a terceira pessoa da Santíssima Trindade. Além do mais, a velhice é um lugar onde em geral se chega – e, na melhor das hipóteses, todos chegam lá – munido de uma preciosa virtude anciã: a indulgência. Graças a ela pode-se descobrir que, a exemplo do que ocorre olhando o pôr-do-sol, existe no ocaso uma serena e crepuscular beleza. Isso, evidentemente, se os óculos não estiverem embaçados.

Dentre as palavras abaixo, aquela cujo prefixo NÃO apresenta o mesmo sentido dos demais é:

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Questão 10 de 10 Q2327484 Q10 da prova
Leia o texto abaixo e responda às questões de 01 a 10:

Um meio-elogio à meia-idade

§ 1

§ 2

§ 3

§ 4

§ 5

§ 6

§ 7

§ 8

§ 9

Somados, teríamos aí por volta de uns cinco mil anos de idade – e de prudência, juízo, sabedoria e experiência. Mas também de muito colesterol, triglicerídeo e ácido úrico. Éramos cerca de 90 idosos, entre expositores e ouvintes, reunidos para discutir o tema da velhice, dentro do ciclo “Rio na virada do século”, que há três anos vem sendo promovido pela Associação Cultural da Arquidiocese do Rio. Já ia escrever que a reunião seria para debater o futuro da terceira idade quando me dei conta de que poderia ser mal compreendido. “E velhice tem futuro?”, alguém poderia me provocar, ainda mais nesse Brasil neoliberal, onde a senectude está condenada, não só pela biologia, mas também pela política. Aqui, na minha idade, ou se é presidente da República ou se corre o risco de ser chamado de vagabundo. O tema do seminário foi “Envelhecimento saudável – Responsabilidade de todos nós”, e nele aprendi muita coisa, ainda que se diga que nessa idade não se aprende mais nada. Aprendi, por exemplo, que o Brasil não é mais um país de jovens, mas de velhos; que há um século a esperança de vida era de 33 anos e agora é de 70; que há 14 milhões de brasileiros com mais de 75 e, pasmem, 15 mil com mais de 100. O problema é que, apesar disso, nossa sociedade tem o mais solene desprezo pela terceira idade. “Idosos como eu continuam descartáveis”, disse o padre Fernando Ávila – ele, que continua sendo uma das melhores cabeças do país e que, com sua exposição sobre ética, demonstrou que pelo menos intelectualmente pode-se ficar melhor com a idade. “Com a mísera aposentadoria ou pensão que recebe, o velho pobre sobrevive sem dignidade”, declarou o professor Sérgio Pereira da Silva, e outros expositores ressaltaram o preconceito e o desrespeito com que é tratado o idoso, a quem se opõem todas as dificuldades de acessos, literais e simbólicos: acesso aos ônibus, às rampas, ao lazer, à justiça e à cidadania. Parece que se foi o tempo em que o ancião significava experiência, que o sábio da tribo era um velho, que o idoso era ouvido pelos jovens e que a literatura fazia o elogio da velhice, como fez o sessentão Cícero, 44 anos antes de Cristo, em De senectute. Hoje, o novo De senectute, de Norberto Bobbio, é um belíssimo livro, mas triste e pessimista. “Quem louva a velhice não a viu de perto”, ele escreveu. Não estou entre os que fazem elogio irrestrito de uma fase da vida em que até o prefixo é traiçoeiro – sexagenário não tem nada a ver com sexo, se é que se precisa avisar. Mas também não acho que é o pior dos tempos, principalmente quando se lembra que a adolescência, tão idealizada a distância, é uma das fases mais atormentadas da existência. Nem sempre é a idade que faz a vida feliz ou infeliz, mas a cabeça, assim como o que faz mal à saúde é a doença, não a idade. A terceira idade não é evidentemente a número 1, mas merece um lugar de destaque nessa moda cabalística do tertius – Terceiro Mundo, terceira via, terceiro sexo – principalmente agora, às vésperas do terceiro milênio e do século que será – isso aprendi também no seminário do Sumaré – do Espírito Santo, que não por acaso é a terceira pessoa da Santíssima Trindade. Além do mais, a velhice é um lugar onde em geral se chega – e, na melhor das hipóteses, todos chegam lá – munido de uma preciosa virtude anciã: a indulgência. Graças a ela pode-se descobrir que, a exemplo do que ocorre olhando o pôr-do-sol, existe no ocaso uma serena e crepuscular beleza. Isso, evidentemente, se os óculos não estiverem embaçados.

“Além do mais, a velhice é um lugar onde em geral se chega [...] .” (§ 9) A respeito da função de além do mais, na passagem acima, é CORRETO afirmar que:

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