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Prova Assistente de Manutenção - Hospital de Câncer de Pernambuco - HCP Gestão
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Questão 1 de 1 Q1024301 Q1 da prova
O texto servirá de base para as questões 01 e 02:

Os filhos do lixo
Lya Luft

Há quem diga que dou esperança; há quem
proteste que sou pessimista. Eu digo que os maiores
otimistas são aqueles que, apesar do que vivem ou
observam, continuam apostando na vida, trabalhando,
cultivando afetos e tendo projetos. Às vezes, porém,
escrevo com dor. Como hoje.
Acabo de assistir a uma reportagem sobre crianças
do Brasil que vivem do lixo. Digamos que são o lixo deste
país, e nós permitimos ou criamos isso. Eu mesma já vi
com estes olhos gente morando junto de lixões, e crianças
disputando com urubus pedaços de comida estragada
para matar a fome.
A reportagem era uma história de terror – mas
verdadeira, nossa, deste país. Uma jovem de menos de 20
anos trazia numa carretinha feita de madeiras velhas seus
três filhos, de 4, 2 e 1 ano.
Chegavam ao lixão, e a maiorzinha, já treinada, saía
a catar coisas úteis, sobretudo comida. Logo estavam os
três comendo, e a mãe, indagada, explicou com
simplicidade: "A gente tem de sobreviver, né?".
Não sei como é possível alguém dizer que este país
vai bem enquanto esses fatos, e outros semelhantes,
acontecem. Pois, sendo na nossa pátria, não importa em
que recanto for, tudo nos diz respeito, como nos dizem
respeito a malandragem e a roubalheira, a mentira e a
impunidade e o falso ufanismo. Ouvimos a toda hora que
nunca o país esteve tão bem. Até que em algumas coisas,
talvez muitas, melhoramos.
Mas quem somos, afinal? Que país somos, que
gente nos tornamos, se vemos tudo isso e continuamos
comendo, bebendo, trabalhando e estudando como se
nem fosse conosco? Deve ser o nosso jeito de sobreviver
– não comendo lixo concreto, mas engolindo esse lixo
moral e fingindo que está tudo bem. Pois, se nos
convencermos de que isso acontece no nosso meio, no
nosso país, talvez na nossa cidade, e nos sentirmos parte
disso, responsáveis por isso, o que se poderia fazer?

Analise as afirmativas acerca do texto:

I. A finalidade do texto é suscitar uma reflexão a respeito
dos problemas sociais do nosso país, mostrando que
ainda existem pessoas vivendo de forma sub-humana,
na miséria, e muitos acabam se acostumando e
achando normal a referida situação.
II. Pelas características, pode-se afirmar que o texto é
uma crônica.
III. “Chegavam ao lixão, e a maiorzinha, já treinada, saía
a catar coisas úteis, sobretudo comida. Logo estavam
os três comendo, e a mãe, indagada, explicou com
simplicidade: "A gente tem de sobreviver, né?". Neste
trecho, há o predomínio da argumentação.
IV. A autora, de forma ufanista, concorda com os que
afirmam que o país está indo muito bem.

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