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Questão 1 de 12Q1757947Q1 da prova
Texto para as questões de 1 a 7.
Personagens muito comuns na capital do Império durante todo o século XIX, os caixeiros eram trabalhadores do comércio, presentes nos balcões dos estabelecimentos e até nas casas dos patrões, organizando suas finanças. Identificados cotidianamente como auxiliares do comércio, era comum ver caixeiros exercendo as mais variadas funções dentro desses ambientes. No entanto, por mais que pareça, a classe caixeiral estava longe de ser um grupo homogêneo, e uma das suas principais características é uma nítida hierarquia interna de funções.
Uma das peculiaridades da classe caixeiral reside na constante possibilidade de ascensão social, que era muito divulgada na imprensa, de forma a reforçar e validar a relação dúbia de proximidade e dominação que os caixeiros tinham com seus patrões. Este fenômeno se aplicava mais intensamente com os primeiros caixeiros e guarda‑livros, pois tinham as maiores possibilidades de alcançarem seus empregadores, fosse formando uma sociedade, ou, até mesmo, se casando com a viúva do falecido chefe, ou mesmo sua filha, e herdando seu negócio.
Com o intuito de aprofundar as possibilidades de ascensão social entre caixeiros, precisamos explicar como funcionavam ambos os “caminhos” para o patronato. Para tal, iremos recorrer ao estudo de Fabiane Popinigis (1998, 16‑17) sobre a peça O caixeiro da taverna, pois a trama principal da obra gira em torno das desventuras do primeiro‑caixeiro de uma taverna para equilibrar seu casamento com seu plano pessoal de casar‑se com a sua patroa viúva e tornar‑se, enfim, o patrão do estabelecimento. Ainda que revestido pela sua finalidade cômica, o texto nos permite inferir a existência de outras situações análogas à do primeiro caixeiro Manuel. A sucessão do primeiro caixeiro como “herdeiro” de um estabelecimento se explica pela proeminência deste nos negócios da casa, ou seja, uma vez que era ele quem, muitas vezes, efetivamente organizava o funcionamento do local, era apenas natural que ele se tornasse o patrão após o falecimento de seu chefe.
No entanto, é a outra possibilidade de ascensão do caixeiro nos oferece mais ferramentas para analisarmos a situação da classe. Para que um primeiro caixeiro fosse promovido a sócio de seu patrão, eram necessários muitos anos de trabalho e muita confiança mútua. Aqui, entramos em um aspecto muito caro para o funcionamento da classe caixeiral, a fidelidade. Lenira Martinho mostra a importância deste termo para a contratação de caixeiros, sendo muito comum nos anúncios de jornais estudados por ela a presença de recomendações e atestados de confiança em vagas de caixeiros tentando conseguir emprego (MARTINHO, 1993, 42). Adriano de Sousa (2018, 24) corrobora esta visão e nos ajuda a compreender a utilização desses laços como forma de controle dos patrões com seus empregados. Segundo o autor, “a fidelidade ao patrão era um elemento imprescindível ao caixeiro. Fidelidade aqui, diga‑se, tem um sentido de passividade, obediência e lealdade para com seu empregador”. Além disso, o autor afirma que, algumas vezes, a possibilidade de uma sociedade era mais arriscada do que benéfica ao caixeiro, pois muitos patrões impunham a condição de que o caixeiro recém‑promovido só tivesse retornos financeiros quando conseguissem igualar seus capitais, o que poderia levar muitos anos, ou, ainda, que recebesse apenas os valores que foram retidos em uma poupança obrigatória durante seus anos de trabalho.
Guilherme Gonçalves Oliveira
Texto para as questões de 1 a 7.
Personagens muito comuns na capital do Império durante todo o século XIX, os caixeiros eram trabalhadores do comércio, presentes nos balcões dos estabelecimentos e até nas casas dos patrões, organizando suas finanças. Identificados cotidianamente como auxiliares do comércio, era comum ver caixeiros exercendo as mais variadas funções dentro desses ambientes. No entanto, por mais que pareça, a classe caixeiral estava longe de ser um grupo homogêneo, e uma das suas principais características é uma nítida hierarquia interna de funções.
Uma das peculiaridades da classe caixeiral reside na constante possibilidade de ascensão social, que era muito divulgada na imprensa, de forma a reforçar e validar a relação dúbia de proximidade e dominação que os caixeiros tinham com seus patrões. Este fenômeno se aplicava mais intensamente com os primeiros caixeiros e guarda‑livros, pois tinham as maiores possibilidades de alcançarem seus empregadores, fosse formando uma sociedade, ou, até mesmo, se casando com a viúva do falecido chefe, ou mesmo sua filha, e herdando seu negócio.
Com o intuito de aprofundar as possibilidades de ascensão social entre caixeiros, precisamos explicar como funcionavam ambos os “caminhos” para o patronato. Para tal, iremos recorrer ao estudo de Fabiane Popinigis (1998, 16‑17) sobre a peça O caixeiro da taverna, pois a trama principal da obra gira em torno das desventuras do primeiro‑caixeiro de uma taverna para equilibrar seu casamento com seu plano pessoal de casar‑se com a sua patroa viúva e tornar‑se, enfim, o patrão do estabelecimento. Ainda que revestido pela sua finalidade cômica, o texto nos permite inferir a existência de outras situações análogas à do primeiro caixeiro Manuel. A sucessão do primeiro caixeiro como “herdeiro” de um estabelecimento se explica pela proeminência deste nos negócios da casa, ou seja, uma vez que era ele quem, muitas vezes, efetivamente organizava o funcionamento do local, era apenas natural que ele se tornasse o patrão após o falecimento de seu chefe.
No entanto, é a outra possibilidade de ascensão do caixeiro nos oferece mais ferramentas para analisarmos a situação da classe. Para que um primeiro caixeiro fosse promovido a sócio de seu patrão, eram necessários muitos anos de trabalho e muita confiança mútua. Aqui, entramos em um aspecto muito caro para o funcionamento da classe caixeiral, a fidelidade. Lenira Martinho mostra a importância deste termo para a contratação de caixeiros, sendo muito comum nos anúncios de jornais estudados por ela a presença de recomendações e atestados de confiança em vagas de caixeiros tentando conseguir emprego (MARTINHO, 1993, 42). Adriano de Sousa (2018, 24) corrobora esta visão e nos ajuda a compreender a utilização desses laços como forma de controle dos patrões com seus empregados. Segundo o autor, “a fidelidade ao patrão era um elemento imprescindível ao caixeiro. Fidelidade aqui, diga‑se, tem um sentido de passividade, obediência e lealdade para com seu empregador”. Além disso, o autor afirma que, algumas vezes, a possibilidade de uma sociedade era mais arriscada do que benéfica ao caixeiro, pois muitos patrões impunham a condição de que o caixeiro recém‑promovido só tivesse retornos financeiros quando conseguissem igualar seus capitais, o que poderia levar muitos anos, ou, ainda, que recebesse apenas os valores que foram retidos em uma poupança obrigatória durante seus anos de trabalho.
Guilherme Gonçalves Oliveira
Texto para as questões de 1 a 7.
Personagens muito comuns na capital do Império durante todo o século XIX, os caixeiros eram trabalhadores do comércio, presentes nos balcões dos estabelecimentos e até nas casas dos patrões, organizando suas finanças. Identificados cotidianamente como auxiliares do comércio, era comum ver caixeiros exercendo as mais variadas funções dentro desses ambientes. No entanto, por mais que pareça, a classe caixeiral estava longe de ser um grupo homogêneo, e uma das suas principais características é uma nítida hierarquia interna de funções.
Uma das peculiaridades da classe caixeiral reside na constante possibilidade de ascensão social, que era muito divulgada na imprensa, de forma a reforçar e validar a relação dúbia de proximidade e dominação que os caixeiros tinham com seus patrões. Este fenômeno se aplicava mais intensamente com os primeiros caixeiros e guarda‑livros, pois tinham as maiores possibilidades de alcançarem seus empregadores, fosse formando uma sociedade, ou, até mesmo, se casando com a viúva do falecido chefe, ou mesmo sua filha, e herdando seu negócio.
Com o intuito de aprofundar as possibilidades de ascensão social entre caixeiros, precisamos explicar como funcionavam ambos os “caminhos” para o patronato. Para tal, iremos recorrer ao estudo de Fabiane Popinigis (1998, 16‑17) sobre a peça O caixeiro da taverna, pois a trama principal da obra gira em torno das desventuras do primeiro‑caixeiro de uma taverna para equilibrar seu casamento com seu plano pessoal de casar‑se com a sua patroa viúva e tornar‑se, enfim, o patrão do estabelecimento. Ainda que revestido pela sua finalidade cômica, o texto nos permite inferir a existência de outras situações análogas à do primeiro caixeiro Manuel. A sucessão do primeiro caixeiro como “herdeiro” de um estabelecimento se explica pela proeminência deste nos negócios da casa, ou seja, uma vez que era ele quem, muitas vezes, efetivamente organizava o funcionamento do local, era apenas natural que ele se tornasse o patrão após o falecimento de seu chefe.
No entanto, é a outra possibilidade de ascensão do caixeiro nos oferece mais ferramentas para analisarmos a situação da classe. Para que um primeiro caixeiro fosse promovido a sócio de seu patrão, eram necessários muitos anos de trabalho e muita confiança mútua. Aqui, entramos em um aspecto muito caro para o funcionamento da classe caixeiral, a fidelidade. Lenira Martinho mostra a importância deste termo para a contratação de caixeiros, sendo muito comum nos anúncios de jornais estudados por ela a presença de recomendações e atestados de confiança em vagas de caixeiros tentando conseguir emprego (MARTINHO, 1993, 42). Adriano de Sousa (2018, 24) corrobora esta visão e nos ajuda a compreender a utilização desses laços como forma de controle dos patrões com seus empregados. Segundo o autor, “a fidelidade ao patrão era um elemento imprescindível ao caixeiro. Fidelidade aqui, diga‑se, tem um sentido de passividade, obediência e lealdade para com seu empregador”. Além disso, o autor afirma que, algumas vezes, a possibilidade de uma sociedade era mais arriscada do que benéfica ao caixeiro, pois muitos patrões impunham a condição de que o caixeiro recém‑promovido só tivesse retornos financeiros quando conseguissem igualar seus capitais, o que poderia levar muitos anos, ou, ainda, que recebesse apenas os valores que foram retidos em uma poupança obrigatória durante seus anos de trabalho.
Guilherme Gonçalves Oliveira
O termo “caixeiral”, recorrente no texto, refere‑se à
Texto para as questões de 1 a 7.
Personagens muito comuns na capital do Império durante todo o século XIX, os caixeiros eram trabalhadores do comércio, presentes nos balcões dos estabelecimentos e até nas casas dos patrões, organizando suas finanças. Identificados cotidianamente como auxiliares do comércio, era comum ver caixeiros exercendo as mais variadas funções dentro desses ambientes. No entanto, por mais que pareça, a classe caixeiral estava longe de ser um grupo homogêneo, e uma das suas principais características é uma nítida hierarquia interna de funções.
Uma das peculiaridades da classe caixeiral reside na constante possibilidade de ascensão social, que era muito divulgada na imprensa, de forma a reforçar e validar a relação dúbia de proximidade e dominação que os caixeiros tinham com seus patrões. Este fenômeno se aplicava mais intensamente com os primeiros caixeiros e guarda‑livros, pois tinham as maiores possibilidades de alcançarem seus empregadores, fosse formando uma sociedade, ou, até mesmo, se casando com a viúva do falecido chefe, ou mesmo sua filha, e herdando seu negócio.
Com o intuito de aprofundar as possibilidades de ascensão social entre caixeiros, precisamos explicar como funcionavam ambos os “caminhos” para o patronato. Para tal, iremos recorrer ao estudo de Fabiane Popinigis (1998, 16‑17) sobre a peça O caixeiro da taverna, pois a trama principal da obra gira em torno das desventuras do primeiro‑caixeiro de uma taverna para equilibrar seu casamento com seu plano pessoal de casar‑se com a sua patroa viúva e tornar‑se, enfim, o patrão do estabelecimento. Ainda que revestido pela sua finalidade cômica, o texto nos permite inferir a existência de outras situações análogas à do primeiro caixeiro Manuel. A sucessão do primeiro caixeiro como “herdeiro” de um estabelecimento se explica pela proeminência deste nos negócios da casa, ou seja, uma vez que era ele quem, muitas vezes, efetivamente organizava o funcionamento do local, era apenas natural que ele se tornasse o patrão após o falecimento de seu chefe.
No entanto, é a outra possibilidade de ascensão do caixeiro nos oferece mais ferramentas para analisarmos a situação da classe. Para que um primeiro caixeiro fosse promovido a sócio de seu patrão, eram necessários muitos anos de trabalho e muita confiança mútua. Aqui, entramos em um aspecto muito caro para o funcionamento da classe caixeiral, a fidelidade. Lenira Martinho mostra a importância deste termo para a contratação de caixeiros, sendo muito comum nos anúncios de jornais estudados por ela a presença de recomendações e atestados de confiança em vagas de caixeiros tentando conseguir emprego (MARTINHO, 1993, 42). Adriano de Sousa (2018, 24) corrobora esta visão e nos ajuda a compreender a utilização desses laços como forma de controle dos patrões com seus empregados. Segundo o autor, “a fidelidade ao patrão era um elemento imprescindível ao caixeiro. Fidelidade aqui, diga‑se, tem um sentido de passividade, obediência e lealdade para com seu empregador”. Além disso, o autor afirma que, algumas vezes, a possibilidade de uma sociedade era mais arriscada do que benéfica ao caixeiro, pois muitos patrões impunham a condição de que o caixeiro recém‑promovido só tivesse retornos financeiros quando conseguissem igualar seus capitais, o que poderia levar muitos anos, ou, ainda, que recebesse apenas os valores que foram retidos em uma poupança obrigatória durante seus anos de trabalho.
Guilherme Gonçalves Oliveira
Na linha 10, em “ou mesmo sua filha”, o pronome “sua” refere‑se ao termo
Texto para as questões de 1 a 7.
Personagens muito comuns na capital do Império durante todo o século XIX, os caixeiros eram trabalhadores do comércio, presentes nos balcões dos estabelecimentos e até nas casas dos patrões, organizando suas finanças. Identificados cotidianamente como auxiliares do comércio, era comum ver caixeiros exercendo as mais variadas funções dentro desses ambientes. No entanto, por mais que pareça, a classe caixeiral estava longe de ser um grupo homogêneo, e uma das suas principais características é uma nítida hierarquia interna de funções.
Uma das peculiaridades da classe caixeiral reside na constante possibilidade de ascensão social, que era muito divulgada na imprensa, de forma a reforçar e validar a relação dúbia de proximidade e dominação que os caixeiros tinham com seus patrões. Este fenômeno se aplicava mais intensamente com os primeiros caixeiros e guarda‑livros, pois tinham as maiores possibilidades de alcançarem seus empregadores, fosse formando uma sociedade, ou, até mesmo, se casando com a viúva do falecido chefe, ou mesmo sua filha, e herdando seu negócio.
Com o intuito de aprofundar as possibilidades de ascensão social entre caixeiros, precisamos explicar como funcionavam ambos os “caminhos” para o patronato. Para tal, iremos recorrer ao estudo de Fabiane Popinigis (1998, 16‑17) sobre a peça O caixeiro da taverna, pois a trama principal da obra gira em torno das desventuras do primeiro‑caixeiro de uma taverna para equilibrar seu casamento com seu plano pessoal de casar‑se com a sua patroa viúva e tornar‑se, enfim, o patrão do estabelecimento. Ainda que revestido pela sua finalidade cômica, o texto nos permite inferir a existência de outras situações análogas à do primeiro caixeiro Manuel. A sucessão do primeiro caixeiro como “herdeiro” de um estabelecimento se explica pela proeminência deste nos negócios da casa, ou seja, uma vez que era ele quem, muitas vezes, efetivamente organizava o funcionamento do local, era apenas natural que ele se tornasse o patrão após o falecimento de seu chefe.
No entanto, é a outra possibilidade de ascensão do caixeiro nos oferece mais ferramentas para analisarmos a situação da classe. Para que um primeiro caixeiro fosse promovido a sócio de seu patrão, eram necessários muitos anos de trabalho e muita confiança mútua. Aqui, entramos em um aspecto muito caro para o funcionamento da classe caixeiral, a fidelidade. Lenira Martinho mostra a importância deste termo para a contratação de caixeiros, sendo muito comum nos anúncios de jornais estudados por ela a presença de recomendações e atestados de confiança em vagas de caixeiros tentando conseguir emprego (MARTINHO, 1993, 42). Adriano de Sousa (2018, 24) corrobora esta visão e nos ajuda a compreender a utilização desses laços como forma de controle dos patrões com seus empregados. Segundo o autor, “a fidelidade ao patrão era um elemento imprescindível ao caixeiro. Fidelidade aqui, diga‑se, tem um sentido de passividade, obediência e lealdade para com seu empregador”. Além disso, o autor afirma que, algumas vezes, a possibilidade de uma sociedade era mais arriscada do que benéfica ao caixeiro, pois muitos patrões impunham a condição de que o caixeiro recém‑promovido só tivesse retornos financeiros quando conseguissem igualar seus capitais, o que poderia levar muitos anos, ou, ainda, que recebesse apenas os valores que foram retidos em uma poupança obrigatória durante seus anos de trabalho.
Guilherme Gonçalves Oliveira
O termo “estabelecimento”, na linha 16, é um recurso coesivo ao retomar um termo por meio de um
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Personagens muito comuns na capital do Império durante todo o século XIX, os caixeiros eram trabalhadores do comércio, presentes nos balcões dos estabelecimentos e até nas casas dos patrões, organizando suas finanças. Identificados cotidianamente como auxiliares do comércio, era comum ver caixeiros exercendo as mais variadas funções dentro desses ambientes. No entanto, por mais que pareça, a classe caixeiral estava longe de ser um grupo homogêneo, e uma das suas principais características é uma nítida hierarquia interna de funções.
Uma das peculiaridades da classe caixeiral reside na constante possibilidade de ascensão social, que era muito divulgada na imprensa, de forma a reforçar e validar a relação dúbia de proximidade e dominação que os caixeiros tinham com seus patrões. Este fenômeno se aplicava mais intensamente com os primeiros caixeiros e guarda‑livros, pois tinham as maiores possibilidades de alcançarem seus empregadores, fosse formando uma sociedade, ou, até mesmo, se casando com a viúva do falecido chefe, ou mesmo sua filha, e herdando seu negócio.
Com o intuito de aprofundar as possibilidades de ascensão social entre caixeiros, precisamos explicar como funcionavam ambos os “caminhos” para o patronato. Para tal, iremos recorrer ao estudo de Fabiane Popinigis (1998, 16‑17) sobre a peça O caixeiro da taverna, pois a trama principal da obra gira em torno das desventuras do primeiro‑caixeiro de uma taverna para equilibrar seu casamento com seu plano pessoal de casar‑se com a sua patroa viúva e tornar‑se, enfim, o patrão do estabelecimento. Ainda que revestido pela sua finalidade cômica, o texto nos permite inferir a existência de outras situações análogas à do primeiro caixeiro Manuel. A sucessão do primeiro caixeiro como “herdeiro” de um estabelecimento se explica pela proeminência deste nos negócios da casa, ou seja, uma vez que era ele quem, muitas vezes, efetivamente organizava o funcionamento do local, era apenas natural que ele se tornasse o patrão após o falecimento de seu chefe.
No entanto, é a outra possibilidade de ascensão do caixeiro nos oferece mais ferramentas para analisarmos a situação da classe. Para que um primeiro caixeiro fosse promovido a sócio de seu patrão, eram necessários muitos anos de trabalho e muita confiança mútua. Aqui, entramos em um aspecto muito caro para o funcionamento da classe caixeiral, a fidelidade. Lenira Martinho mostra a importância deste termo para a contratação de caixeiros, sendo muito comum nos anúncios de jornais estudados por ela a presença de recomendações e atestados de confiança em vagas de caixeiros tentando conseguir emprego (MARTINHO, 1993, 42). Adriano de Sousa (2018, 24) corrobora esta visão e nos ajuda a compreender a utilização desses laços como forma de controle dos patrões com seus empregados. Segundo o autor, “a fidelidade ao patrão era um elemento imprescindível ao caixeiro. Fidelidade aqui, diga‑se, tem um sentido de passividade, obediência e lealdade para com seu empregador”. Além disso, o autor afirma que, algumas vezes, a possibilidade de uma sociedade era mais arriscada do que benéfica ao caixeiro, pois muitos patrões impunham a condição de que o caixeiro recém‑promovido só tivesse retornos financeiros quando conseguissem igualar seus capitais, o que poderia levar muitos anos, ou, ainda, que recebesse apenas os valores que foram retidos em uma poupança obrigatória durante seus anos de trabalho.
Guilherme Gonçalves Oliveira
Texto para as questões de 1 a 7.
Personagens muito comuns na capital do Império durante todo o século XIX, os caixeiros eram trabalhadores do comércio, presentes nos balcões dos estabelecimentos e até nas casas dos patrões, organizando suas finanças. Identificados cotidianamente como auxiliares do comércio, era comum ver caixeiros exercendo as mais variadas funções dentro desses ambientes. No entanto, por mais que pareça, a classe caixeiral estava longe de ser um grupo homogêneo, e uma das suas principais características é uma nítida hierarquia interna de funções.
Uma das peculiaridades da classe caixeiral reside na constante possibilidade de ascensão social, que era muito divulgada na imprensa, de forma a reforçar e validar a relação dúbia de proximidade e dominação que os caixeiros tinham com seus patrões. Este fenômeno se aplicava mais intensamente com os primeiros caixeiros e guarda‑livros, pois tinham as maiores possibilidades de alcançarem seus empregadores, fosse formando uma sociedade, ou, até mesmo, se casando com a viúva do falecido chefe, ou mesmo sua filha, e herdando seu negócio.
Com o intuito de aprofundar as possibilidades de ascensão social entre caixeiros, precisamos explicar como funcionavam ambos os “caminhos” para o patronato. Para tal, iremos recorrer ao estudo de Fabiane Popinigis (1998, 16‑17) sobre a peça O caixeiro da taverna, pois a trama principal da obra gira em torno das desventuras do primeiro‑caixeiro de uma taverna para equilibrar seu casamento com seu plano pessoal de casar‑se com a sua patroa viúva e tornar‑se, enfim, o patrão do estabelecimento. Ainda que revestido pela sua finalidade cômica, o texto nos permite inferir a existência de outras situações análogas à do primeiro caixeiro Manuel. A sucessão do primeiro caixeiro como “herdeiro” de um estabelecimento se explica pela proeminência deste nos negócios da casa, ou seja, uma vez que era ele quem, muitas vezes, efetivamente organizava o funcionamento do local, era apenas natural que ele se tornasse o patrão após o falecimento de seu chefe.
No entanto, é a outra possibilidade de ascensão do caixeiro nos oferece mais ferramentas para analisarmos a situação da classe. Para que um primeiro caixeiro fosse promovido a sócio de seu patrão, eram necessários muitos anos de trabalho e muita confiança mútua. Aqui, entramos em um aspecto muito caro para o funcionamento da classe caixeiral, a fidelidade. Lenira Martinho mostra a importância deste termo para a contratação de caixeiros, sendo muito comum nos anúncios de jornais estudados por ela a presença de recomendações e atestados de confiança em vagas de caixeiros tentando conseguir emprego (MARTINHO, 1993, 42). Adriano de Sousa (2018, 24) corrobora esta visão e nos ajuda a compreender a utilização desses laços como forma de controle dos patrões com seus empregados. Segundo o autor, “a fidelidade ao patrão era um elemento imprescindível ao caixeiro. Fidelidade aqui, diga‑se, tem um sentido de passividade, obediência e lealdade para com seu empregador”. Além disso, o autor afirma que, algumas vezes, a possibilidade de uma sociedade era mais arriscada do que benéfica ao caixeiro, pois muitos patrões impunham a condição de que o caixeiro recém‑promovido só tivesse retornos financeiros quando conseguissem igualar seus capitais, o que poderia levar muitos anos, ou, ainda, que recebesse apenas os valores que foram retidos em uma poupança obrigatória durante seus anos de trabalho.
Guilherme Gonçalves Oliveira
Em “Adriano de Sousa (2018, 24) corrobora esta visão”, a expressão “esta visão” é
Admitindo‑se que as proposições “Amanda é astuta” e “Beatriz é bonita” são verdadeiras, e que a proposição “Carolina é confiante” é falsa, assinale a opção que apresenta uma proposição falsa.