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Questão 1 de 2Q2134234Q3 da prova
O texto de Mia Couto, renomado escritor de Moçambique, servirá como base para responder as questões de 01 a 05:
CHUVA: A ABENSONHADA
Estou sentado junto da janela olhando a chuva que cai há três dias. Que saudade
me fazia o molhado tintintinar do chuvisco. A terra perfumegante semelha a mulher em
véspera de carícia. Há quantos anos não chovia assim? De tanto durar, a seca foi
emudecendo a nossa miséria. O céu olhava o sucessivo falecimento da terra, e em
espelho, se via morrer. A gente se indaguava: será que ainda podemos recomeçar, será
que a alegria ainda tem cabimento?
Agora, a chuva cai, cantarosa, abençoada. O chão, esse indigente indígena, vai
ganhando variedades de belezas. Estou espreitando a rua como se estivesse à janela do
meu inteiro país. Enquanto, lá fora, se repletam os charcos a velha Tristereza vai
arrumando o quarto. Para Tia Tristereza a chuva não é assunto de clima, mas recado dos
espíritos. E a velha se atribui amplos sorrisos: desta vez é que eu envergarei o fato que
ele tanto me insiste. Indumentária tão exibível e eu envergando mangas e gangas.
Tristereza sacode em sua cabeça a minha teimosia: haverá razoável argumento para eu
me apresentar assim tão descortinado, sem me sujeitar às devidas aparências? Ela não
entende.
Enquanto alisa os lençóis, vai puxando outros assuntos. A idosa senhora não tem
dúvida: a chuva está a acontecer devido das rezas, cerimônias oferecidas aos
antepassados. Em todo o Moçambique a guerra está parar. Sim, agora já as chuvas
podem recomeçar. Todos estes anos, os deuses nos castigaram com a seca. Os mortos,
mesmo os mais veteranos, já se ressequiam lá nas profundezas. Tristereza vai escovando
o casaco que eu nunca hei-de usar e profere suas certezas:
– Nossa terra estava cheia do sangue. Hoje, está ser limpa, faz conta é essa
roupa que lavei. Mas nem agora, desculpe o favor, nem agora o senhor dá vez a este
seu fato?
– Mas, Tia Tristereza: não está chover de mais?
De mais? Não, a chuva não esqueceu os modos de tombar, diz a velha. E me
explica: a água sabe quantos grãos tem a areia. Para cada grão ela faz uma gota. Tal
igual a mãe que tricota o agasalho de um ausente filho. Para Tristereza a natureza tem
seus serviços, decorridos em simples modos como os dela. As chuvadas foram no justo
tempo encomendadas: os deslocados que regressam a seus lugares já encontrarão o chão
molhado, conforme o gosto das sementes. A Paz tem outros governos que não passam
pela vontade dos políticos.
Mas dentro de mim persiste uma desconfiança: esta chuva, minha tia, não será
prolongadamente demasiada? Não será que à calamidade de estio se seguirá a punição das cheias?
Tristereza olha a encharcada paisagem e me mostra outros entendimentos
meteorológicos que minha sabedoria não pode tocar. Um pano sempre se reconhece
pelo avesso, ela costuma me dizer. Deus fez os brancos e os pretos para, nas costas de
uns e outros, poder decifrar o Homem. E apontando as nuvens gordas me confessa:
– Lá em cima, senhor, há peixes e caranguejos. Sim, bichos que sempre
acompanham a água.
E adianta: tais bichezas sempre caem durante as tempestades.
– Não acredita, senhor? Mesmo em minha casa já caíram.
– Sim, finjo acreditar. E quais tipos de peixes?
Negativo: tais peixes não podem receber nenhum nome. Seriam precisas
sagradas palavras e essas não cabem em nossas humanas vozes. De novo, ela lonjeia
seus olhos pela janela. Lá fora continua chovendo. O céu devolve o mar que nele se
havia alojado em lentas migrações de azul. Mas parece que, desta feita, o céu entende
invadir a inteira terra, juntar os rios, ombro a ombro. E volto a interrogar: não serão
demasiadas águas, tombando em maligna bondade? A voz de Tristereza se repete em
monotonia de chuva. E ela vai murmurrindo: o senhor, desculpe a minha boca, mas
parece um bicho à procura da floresta. E acrescenta:
– A chuva está limpar a areia. Os falecidos vão ficar satisfeitos. Agora, era bom
respeito o senhor usar este fato. Para condizer com a festa de Moçambique ...
Tristereza ainda me olha, em dúvida. Depois, resignada, pendura o casaco. A
roupa parece suspirar. Minha teimosia ficou suspensa num cabide. Espreito a rua, riscos
molhados de tristeza vão descendo pelos vidros. Por que motivo eu tanto procuro a
evasão? E por que razão a velha tia se aceita interior, toda ela vestida de casa? Talvez
por pertencer mais ao mundo, Tristereza não sinta, como eu, a atração de sair. Ela
acredita que acabou o tempo de sofrer, nossa terra se está lavando do passado. Eu tenho
dúvidas, preciso olhar a rua. A janela: não é onde a casa sonha ser mundo?
A velha acabou o serviço, se despede enquanto vai fechando as portas, com
lentos vagares. Entrou uma tristeza na sua alma e eu sou o culpado. Reparo como as
plantas despontam lá fora. O verde fala a língua de todas as cores. A Tia já dobrou as
despedidas e está a sair quando eu a chamo:
– Tristereza, tira o meu casaco.
Ela se ilumina de espanto. Enquanto despe o cabide, a chuva vai parando.
Apenas uns restantes pingos vão tombando sobre o meu casaco. Tristereza me
pede: não sacuda, essa aguinha dá sorte. E de braço dado, saímos os dois pisando
charcos, em descuido de meninos que sabem do mundo a alegria de um infinito
brinquedo.
COUTO, Mia. Estórias abensonhadas. 7. ed. Lisboa: Caminho, 2003.
Use V para verdadeiro e F para falso de acordo com as informações do texto lido:
( ) Tristereza acredita que a chuva que caía era para lavar a alma das pessoas que vão para a guerra.
( )As personagens não têm a mesma opinião sobre a chuva.
( )As personagens estão alegres tanto pela chuva quanto pela guerra que está no fim (findando).
( )É possível perceber que as personagens dialogam dentro de uma casa.
Respeitando a ordem que que aparecem as frases, temos:
As pragas atuam nas plantas de diversas formas. Podem atingir folhas, raízes e matara planta. Plantas de jardim são bastante suscetíveis a essas pragas. Quando atacam as folhas é necessário combate-las. Um método muito utilizado é a ......................, que consiste em disseminar sobre a planta uma substância líquida em partículas diminutas ou converter algo em pó para destruir as pragas.
Escolha a alternativa que preenche de forma correta a lacuna: