Entre os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde encontra-se aquele que reconhece os indivíduos como singulares, possuindo características biológicas, psíquicas, culturais e sociais diversas. É com base nele que grupos vulneráveis devem receber uma maior atenção, diminuindo assim a desigualdade. Este princípio é chamado de:
Desde o início dos anos 1990 a Política Nacional de Saúde Mental tem como uma de suas direções principais a reorientação do modelo tecnoassistencial de sua rede. São considerados serviços estratégicos neste modelo:
A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) tem como uma de suas direções de trabalho a criação, ampliação e articulação de pontos de atenção à saúde para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Entre as principais diretrizes da RAPS, é importante destacar:
Estudos no campo da micropolítica do trabalho e do cuidado em saúde afirmam que no encontro entre aquele que cuida e aquele que demanda o cuidado, o profissional de saúde utiliza uma “caixa de ferramentas tecnológicas” para agir nesse processo de interseção. Essas ferramentas são vistas como tecnologias de cuidado e nomeadas como tecnologias:
A transformação dos modos de organizar a atenção à saúde é indispensável para a consolidação do SUS, e nesse processo a integralidade é um conceito chave. Entre as estratégias para construir a integralidade nas redes de saúde, encontra-se a proposta de construção de linhas de cuidado que:
A mudança no perfil de morbimortalidade pediátrico, com redução proporcional de internações por condições agudas e crescimento das hospitalizações por agudizações de condições crônicas, traz desafios inerentes ao cuidado dessa população. O atendimento às necessidades de saúde dessas crianças e adolescentes e seus respectivos planos de cuidado demandam:
As redes de atenção à saúde (RAS) são arranjos organizativos de ações e serviços de saúde, de diferentes densidades tecnológicas que, integrados por meio de sistemas de apoio técnico, logístico e de gestão, buscam garantir a integralidade do cuidado. Os elementos constitutivos que interagem na operacionalização da RAS são:
Estudos de análise institucional que trabalham com o conceito de clínica transdisciplinar indicam que ela acontece nas regiões de vizinhança da clínica com outros saberes para, a partir daí, construir suas estratégias de intercessão e os planos de cuidado. Nesta clínica importa traçar as circunstâncias em que os modos de subjetivação se compuseram, as forças que se atravessam e que efeitos estão se dando. A noção de estratégia clínica diz respeito a uma reformulação da atitude do terapeuta em relação ao saber. Não há uma separação entre investimentos familiares, objetos, individuais do desejo e os investimentos políticos e sociais. Nesta clínica, os dois conceitos operadores fundamentais são:
O espectro das condições crônicas na infância cada vez mais se torna amplo e heterogêneo. Varia desde as crianças com déficit cognitivo, atraso na linguagem, até com condições mais complexas que cursam com vulnerabilidade clínica e internações recorrentes, como aquelas que necessitam de dispositivos tecnológicos para alimentação e/ou respiração. As condições crônicas complexas são, portanto, um subgrupo das chamadas Crianças com Necessidades Especiais de Saúde (CRIANES). Os principais desafios para a gestão do cuidado a essas crianças é garantir:
As práticas grupais na atuação profissional do psicólogo constituem-se como importantes tecnologias de cuidado, tanto nas áreas da psicologia clínica como institucional. Entre os dispositivos utilizados pela psicologia institucional, figuram os grupos:
Estudos contemporâneos apontam o desafio necessário para compreender o universal, o particular e o singular como relacionais e não antagonistas. Essas dimensões precisam estar presentes tanto na formulação e condução das políticas públicas quanto na formação dos profissionais de saúde, aí incluídos os psicólogos. Nessa direção, é tarefa fundamental desses campos reconhecer:
Autores importantes da psicologia brasileira contemporânea não medem esforços em demonstrar a urgência de problematizar o tema da subjetividade, matéria tão cara para a ciência psicológica. Esses estudos e debates convocam cada vez mais a uma complexificação da definição dos sujeitos para quem se dirigem nossas interpretações e intervenções, isto porque:
A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher reconhece que a situação de saúde envolve diversos aspectos da vida, como a relação com o meio ambiente, o lazer, a alimentação e as condições de trabalho, moradia e renda. Apresenta, entretanto, fissuras por onde é possível identificar os efeitos de fenômenos psicossociais, entre os quais se destaca a significativa incidência de violências ginecológicas e obstétricas. Nesse sentido, é urgente reconhecer que:
O sistema de saúde brasileiro tem como princípios a universalidade, a integralidade e a participação social. Reconhece-se que os determinantes maiores das iniquidades verificadas em nosso país estão na sociedade e não podem ser corrigidos por um esforço isolado do setor saúde. Há, entretanto, modificações a serem feitas neste setor. Um exemplo é a inclusão como um dos indicadores de qualidade dos serviços para acreditação hospitalar do item:
A hierarquização das pessoas a partir da aproximação de seus corpos à corponormatividade enquadra determinados corpos como inferiores, incompletos ou passíveis de reparação. Nesse sentido, a cultura capacitista, independentemente da idade:
Análises sobre a questão racial e o racismo nos estudos da infância e juventude no Brasil demonstram que a raça como aspecto fundamental no processo de subjetivação das crianças e jovens no Brasil, tanto negras como brancas, não esteve presente na grande maioria de pesquisas empíricas ao longo da segunda metade do século XX. No campo da psicologia, um dos efeitos desta ausência se traduz pela deficiência de:
O Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei Federal nº 8.069, de 13 de julho de 1990, define as crianças e os adolescentes como sujeitos de direitos, em condição peculiar de desenvolvimento, que demandam proteção integral e prioritária por parte da família, sociedade e do Estado. Os direitos das crianças podem ser divididos em três dimensões:
Aspectos psicossociais do fenômeno da violência exercida contra a mulher são multideterminados, seja no sentido da diversidade de elementos de análise que nela convergem como em termos da diversidade de conceituações utilizada para nomear essa violência. Ao pensar a mulher em situação de violência estamos diante de um processo interacional que não pode ser concebido como uma construção individual, mas sim como um conjunto complexo de fatores e dimensões que forjam uma trama relacional na qual todas as partes envolvidas se afetam recursivamente. Vários estudos apontam fatores que servem de base para a ocorrência das desigualdades entre os gêneros e para a perpetuação da violência e, entre eles, encontra-se:
Nelson Mandela, na apresentação do Relatório Mundial Sobre Violência e Saúde, em 2002, chama a atenção de que o século XX será lembrado como um século marcado pela violência. Em uma escala jamais vista e nunca antes possível na história da humanidade, ele nos oprime com seu legado de destruição em massa, de violência imposta. Mas esse legado - resultado de novas tecnologias a serviço de ideologias de ódio – não é o único que carregamos, nem que devemos enfrentar. Menos visível, mas ainda mais disseminado, é o legado do sofrimento individual diário. A violência contra crianças e adolescentes, devido às consequências psicossociais que gera, tem sido considerada um problema de saúde pública que compromete a saúde e a qualidade de vida das pessoas, tornando-as mais vulneráveis. Para o estudo e compreensão do complexo fenômeno da violência, fez-se necessário construir algumas classificações, tipologias e considerações quanto à sua natureza. No que diz respeito à natureza da violência, a privação de medicamentos, a falta de atendimento à saúde e à educação podem ser consideradas como:
A Política Nacional de Humanização (PNH) pressupõe orientações para cada tipo de atenção das Redes de Saúde. No caso da atenção hospitalar, a PNH recomenda a seguinte ação:
A Política Nacional de Humanização tem como centro os princípios de inseparabilidade entre a atenção e a gestão dos processos de produção de saúde, transversalidade e autonomia e protagonismo dos sujeitos. Além disso, está em constante atualização, em busca de coerência com os princípios do SUS. São ações fundamentais recomendadas pela Política Nacional de Humanização (PNH):
A atuação do psicólogo na atenção hospitalar, de forma frequente, é atravessada por um contexto marcado pelo sofrimento que, em maior ou menor intensidade, apresenta-se como próprio das situações de crise e adoecimento. O hospital é um lugar que sempre produz mobilizações intensas. Esse espaço traz o encontro da pessoa afetada pela fragilidade que emerge da doença e do impacto que estar doente provoca na organização de seu cotidiano. Nesse sentido, a prática clínica psicológica, no âmbito hospitalar, acontece dirigida:
Cuidados Paliativos (CP) é definido pela Organização Mundial de Saúde como uma abordagem que melhora a qualidade de vida dos pacientes (adultos e crianças) e suas famílias, que enfrentam problemas associados a doenças que ameaçam a vida. Previne e alivia o sofrimento por meio da identificação precoce, avaliação correta e tratamento da dor e outros problemas, físicos, psicossociais ou espirituais. Nesse sentido, trabalhar com doenças crônicas que evoluem para terminalidade, independente da idade e fase do desenvolvimento, exige dos profissionais cuidadores:
As consequências da violência contra mulheres são multidimensionais e afetam desde o âmbito familiar até o mercado de trabalho e a saúde pública. Pesquisas realizadas no âmbito da área da saúde apontam que entre as principais consequências sofridas pelas mulheres que passam por situação de violência encontram-se os sentimentos de aniquilação, tristeza, desânimo, solidão, estresse, baixa autoestima, incapacidade, impotência, ódio e inutilidade. Entre as principais doenças que são desenvolvidas, como consequência, estão:
O luto é um processo natural e esperado diante do rompimento de um vínculo significativo. A função do luto é proporcionar a reconstrução de recursos e viabilizar um processo de adaptação às mudanças ocorridas em consequência das perdas. Uma tecnologia de cuidado que apresenta um forte impacto positivo nas mães e pais que passaram pela perda perinatal é aquela que:
Estudos indicam que a maioria dos profissionais de saúde não estão preparados para lidar com o processo de óbito. Se a equipe não recebe o suporte adequado, dificilmente será capaz de ofertar o cuidado com a qualidade necessária. Entre as possibilidades de suporte para os profissionais de saúde, encontramos:
Nos últimos anos, registram-se, de forma crescente, frentes de estudo e pesquisa que revelam preocupação com o processo de medicalização das crianças e adolescentes. Esses estudos afirmam que na prática clínica com adolescentes o diagnóstico:
É de extrema importância que as instituições e os profissionais de saúde entendam as mulheres climatéricas de forma integral (biopsicossocial), levando em consideração suas singularidades, experiências, formas de estar na vida, cultura, a fim de proporcionar ações de promoção de saúde, atendimento multiprofissional, humanizado, acolhendo suas demandas sem minimizar queixas e, de forma frequente, patologizando-as. Nessa direção é CORRETO afirmar que:
As mulheres são a maioria da população brasileira (50,77%) e as principais usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS). Frequentam os serviços de saúde para o seu próprio atendimento, mas, sobretudo, acompanhando crianças e outros familiares, pessoas idosas, com deficiência, vizinhos, amigos. São também cuidadoras, não só das crianças ou outros membros da família, mas também de pessoas da vizinhança e da comunidade. No Brasil, a saúde da mulher foi incorporada às políticas nacionais de saúde nas primeiras décadas do século XX, sendo limitada, nesse período, às demandas relativas à gravidez e ao parto. As metas eram definidas pelo nível central, sem qualquer avaliação das necessidades de saúde das populações locais. Um dos resultados dessa prática foi a fragmentação da assistência e o baixo impacto nos indicadores de saúde da mulher. Em 2003, a Área Técnica de Saúde da Mulher identifica ainda a necessidade de articulação com outras áreas técnicas e da proposição de novas ações, quais sejam:
A ideia de que os processos afetivos, relacionais e subjetivos são distratores do cuidado, sobretudo nos ambientes hospitalares, vem sendo paulatinamente superada, sobretudo a partir da compreensão de que essas dimensões são indissociáveis das/nas instituições e organizações. No entanto, mesmo com esse reconhecimento, é frequente encontrar nos ambientes hospitalares que assistem crianças e adolescentes em situação de intensa vulnerabilidade de saúde, social, afetiva o que alguns estudos chamam de produção de corpos tristes, tanto dos profissionais quanto dessas crianças e adolescentes. Entre as estratégias de cuidado capazes de enfrentar essa situação, trazendo potência e vida a esses ambientes, a seus profissionais e pacientes estão:
Estudos têm revelado que o estigma em torno da sexualidade de jovens portadores de deficiência ainda se faz muito presente, inclusive entre os profissionais de saúde. A sexualidade é um fenômeno inerente a todos os seres humanos, não se limitando ao coito ou às práticas genitais, mas sim, englobando processos corporais e afetivos. É muito comum, nos casos em que os jovens manifestam sua sexualidade, a produção de mitos e o entendimento de que as pessoas com deficiência são:
A clínica com a criança nasce essencialmente interdisciplinar e convoca ao diálogo que requer ações intersetoriais com diferentes áreas: educação, saúde, sociedade, justiça, esporte, lazer, transporte, por meio de parcerias com organizações civis, governamentais e não governamentais. Neste sentido, a construção dessa clínica requer:
Os códigos de Ética expressam sempre uma concepção de homem e de sociedade que determina a direção das relações entre os indivíduos. Traduzem-se em princípios e normas que devem se pautar pelo respeito ao sujeito humano e seus direitos fundamentais. Entre os princípios fundamentais do exercício profissional do psicólogo encontra-se o de que o psicólogo:
O processo de desospitalização de crianças e adolescentes com condições crônicas complexas envolve ações consideradas estratégicas em sua execução e que podem ser descritas em 3 pilares de intervenção: ações de cunho hospitalar, ações transversais contidas no grande eixo sociopolítico e ações de cunho:
Em consonância com o Código de Ética do Psicólogo, a participação de psicólogas(os) em todo e qualquer processo de avaliação psicológica de capacidade decisional devem ser garantidos recursos:
A literatura mundial acerca do tema das crianças com condições crônicas complexas indica que a prática assistencial evidencia um domínio delicado e complexo na medida que requer a reorganização do enfoque do plano terapêutico pelos profissionais de saúde envolvidos nesse cotidiano. Esses profissionais, em geral, possuem duas frentes de atuação: uma, que atenua a severidade dos eventos agudos, as exacerbações da condição crônica, a dor, o sofrimento e a sobrecarga familiar; e uma outra frente que:
Os impactos emocionais da hospitalização pediátrica requerem a atenção dos profissionais a uma população em que uma em cada 10 crianças sofre de doença crônica. Estudos indicam que dessas, 41% terão danos permanentes, havendo alta incidência de alterações psicológicas (15%) em comparação à população geral (7%). Este quadro traz para a cena uma tensão que demanda um manejo muito atento e cuidadoso dos profissionais. Uma tensão que se dá por uma certa convergência entre os transtornos emocionais pré-existentes e as repercussões da longa hospitalização e pelos transtornos secundários causados pela internação. Nesse sentido, psicólogos e psiquiatras da equipe multiprofissional têm como função fundamental:
O cuidado às crianças e adolescentes com condições crônicas complexas de saúde requer rigorosamente um trabalho multiprofissional e interdisciplinar. O compartilhamento cotidiano dos cuidados parentais com a equipe, mesmo que por um período demarcado, pode gerar tensionamentos e rivalidades. A comunicação, seja ela verbal ou não, desempenha um papel central na troca de informações sobre a criança entre todos os atores envolvidos. Para que a comunicação ocorra, é fundamental que haja um equilíbrio entre:
O suicídio é um assunto atual e de extrema relevância, para o qual a sociedade deve estar atenta. É importante que os equipamentos de saúde desenvolvam ações de prevenção ao suicídio, por meio da promoção à saúde e da qualidade de vida das pessoas, incluindo o adequado acolhimento ao comportamento suicida, o atendimento à crise suicida, bem como à posvenção. A OMS (2006) aponta os seguintes fatores de proteção, que reduzem o risco de suicídio:
Estudos nacionais e internacionais afirmam que entre todas as fases da vida da mulher um dos períodos de maior vulnerabilidade para o surgimento de transtornos mentais é o pós-parto. A chegada de um bebê é um acontecimento que afeta de forma significativa não só os pais, mas todo o entorno social, pois o bebê, pelo seu desamparo constitucional, aciona a demanda de cuidado incondicional. Além da depressão, os transtornos mentais mais frequentes nesse período são:


























