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Prova Professor de Língua Portuguesa - Pref. Joinville/SC
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Questão 1 de 9 Q1382121 Q31 da prova
Leia o texto 10A1 e responda as questões 31 a 37. Acho que foi em 1995 que o então presidente de Portugal me deu uma condecoração que muito me orgulha: a da Ordem do Infante Dom Henrique. No momento em que lhe agradeci a honraria, Mário Soares me convidou a ir a Portugal. Respondi que, não gostando de viajar, nunca saíra do Brasil, mas, que, se, um dia, isso viesse a acontecer, minha preferência seria por Portugal, por ser, entre os países da Europa, “o único onde o povo tem o bom senso de falar português”. Pode-se imaginar, então, como fico preocupado ao ver a língua portuguesa desfigurada, como está acontecendo. Sei perfeitamente que um idioma é uma coisa viva e pulsante. Não queremos isolar o português, que, como acontece com qualquer outra língua, se enriquece com as palavras e expressões das outras. Todavia, elas devem ser adaptadas à forma e ao espírito do idioma que as acolhe. Somente assim é que deixam de ser mostrengos que nos desfiguram e se transformam em incorporações que nos enriquecem. Cito um caso, para exemplificar: no país onde se joga o melhor futebol do mundo, traduziram, e bem, a palavra inglesa goal por gol, mas estão escrevendo seu plural de maneira errada, gols (e não gois, como é exigido, ao mesmo tempo, pelo bom gosto, pelo espírito e pela forma da nossa língua). Ariano Suassuna. Folha de S. Paulo, 5/4/2000 (com adaptações).

No texto 10A1, a exemplificação do que o autor denomina de “língua portuguesa desfigurada” (primeiro período do segundo parágrafo) refere-se

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Questão 2 de 9 Q1382134 Q38 da prova
Leia o texto 10A2-I e responda as questões 38 a 42. Eu vi Olívia. Ela estava na última mesa, depois de algumas outras mesas ocupadas, sozinha, escrevendo. Em volta, um silêncio que as mesas barulhentas, os carros que passavam, as pessoas que corriam não podiam interromper. Ela escrevia sem fazer a menor ideia de que aquele era o meu lugar. Era onde eu me sentia melhor, era meu por obrigação de me sentir melhor. Onde eu me esquecia menos. Lembrar se tornou prioridade absoluta. Pensei: vou pedir que ela me devolva, ou que me ceda, para não ser agressiva, o lugar onde me sinto melhor. Tenho uma recomendação expressa de meu médico de me sentir melhor sempre que possível. E seria possível se ela saísse de lá e me deixasse sentar e folhear os livros do sebo, que tão bem me fazem quando me lembram de que sempre haverá outra realidade para onde me retirar. Pensei em ir até ela e pedir gentilmente que saísse, mas vi que se entregava consumida a uma escrita sem pausas. Eu vi Olívia. Meu Deus, como eu vi Olívia! Cabelo ruivo, olhos verdes, linda, linda, desconcertantemente linda e atenta a alguma coisa que borbulhava dentro dela. Talvez linda porque imersa em borbulhas. Não, definitivamente não apenas. Linda pelos olhos verdes, o cabelo ruivo e os dentes sem sombras. Linda pela larga atmosfera triste que emoldurava seus gestos. Vestia verde-oliva. Olívia e oliva combinavam. Ela sabia. Respirava como quem sabia. Ocorreu-me que ela seria capaz de coisas improváveis se eu interrompesse a frase que escrevia obstinada, fazendo com suas ideias o que alfinetes fazem com balões. Acho. Foi bom não ter certeza. Só avancei porque minhas certezas se evaporaram; eu não as tenho desde que envelheci. Continuei indo em sua direção, no meu passo de velha senhora. Eu já estava quase chegando, quase atravessando o silêncio de Olívia, quando ela parou e chorou. Fez com que eu parasse também, não podia pedir a alguém chorando que saísse de onde estava para que eu me sentisse melhor. Ela enxugou com o punho as lágrimas, que voltavam a escorrer desobedientes. Punhos oliva secando lágrimas transparentes, tudo enchia meus olhos ávidos de literatura. Ela relia o que havia escrito, chorava, e eu suspeitava que, por um segundo, um miserável segundo, também ria. Olívia chorava e ria. E eu fiquei ali, na fronteira entre o barulho e o silêncio, vendo aquela menina, seguramente uma menina se comparada a mim, suspender meu próprio caos como se fosse mágica. Carla Madeira. A natureza da mordida. 1.a ed. Rio de Janeiro: Record, 2022 (com adaptações).

O texto 10A2-I é predominantemente narrativo, pois

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Questão 3 de 9 Q1382136 Q39 da prova
Leia o texto 10A2-I e responda as questões 38 a 42.

A repetição do período “Eu vi Olívia.” no início do primeiro e do segundo parágrafos do texto 10A2-I demonstra o uso da figura de linguagem denominada

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Questão 4 de 9 Q1382138 Q40 da prova
Leia o texto 10A2-I e responda as questões 38 a 42.

As palavras “Olívia” e “oliva”, no trecho “Olívia e oliva combinavam” (segundo parágrafo do texto 10A2-I), representam um exemplo de

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Questão 5 de 9 Q1382140 Q41 da prova
Leia o texto 10A2-I e responda as questões 38 a 42.

No segundo parágrafo do texto 10A2-I, o pronome oblíquo “as”, no trecho “eu não as tenho”, faz referência a

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Questão 6 de 9 Q1382142 Q42 da prova
Leia o texto 10A2-I e responda as questões 38 a 42.

O uso da próclise no trecho “sempre haverá outra realidade para onde me retirar” (penúltimo período do primeiro parágrafo do texto 10A2-I) é justificado pela seguinte regra: usa-se a próclise quando o pronome oblíquo é precedido por

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Questão 7 de 9 Q1382144 Q45 da prova
Leia o texto 10A3-I e responda as questões 45 a 47. Na escola, sem Bibiana ao meu lado para me ajudar, minha vida se tornou um tormento. Desde o início, minha mãe avisou à dona Lourdes, a nova professora, da minha mudez. Ela foi cuidadosa, no começo, e bastante generosa para me ensinar as tarefas. Àquela altura eu já sabia ler, graças muito mais aos esforços de minha irmã mais velha e minha mãe do que da professora sem paciência que dava aula na casa de dona Firmina. Para mim era o suficiente. Diferente de Bibiana, que falava em ser professora, eu gostava mesmo era da roça, da cozinha, de fazer azeite e de despolpar o buriti. Não me atraía a matemática, muito menos as letras de dona Lourdes. Não me interessava por suas aulas em que contava a história do Brasil, em que falava da mistura entre índios, negros e brancos, de como éramos felizes, de como nosso país era abençoado. Não aprendi uma linha do hino nacional, não me serviria, porque eu mesma não posso cantar. Muitas crianças também não aprenderam, pude perceber, estavam com a cabeça na comida ou na diversão que estavam perdendo na beira do rio, para ouvir aquelas histórias fantasiosas e enfadonhas sobre os heróis bandeirantes, depois os militares, as heranças dos portugueses e outros assuntos que não nos diziam muita coisa. Meu desinteresse só fazia crescer. Tinha a sensação de que perdia meu tempo naquela sala quente, ouvindo aquela senhora de mãos finas e sem calos, com um perfume forte que parecia incensar a escola nos dias de calor. Olhava para o quadro verde, as letras embaralhadas, bonitas, mas que formavam palavras e frases difíceis que não entravam em minha cabeça, e pensava em meu pai na várzea encontrando coisa nova na terra para a qual se dedicar, ou minha mãe cuidando do quintal, dos bichos, costurando. Itamar Vieira Jr. Torto arado. São Paulo: Todavia, 2019, p. 97-8 (com adaptações).

Entende-se do texto 10A3-I que o desinteresse da narradora pelos estudos deveu-se, sobretudo,

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Questão 8 de 9 Q1382146 Q46 da prova
Leia o texto 10A3-I e responda as questões 45 a 47.

A sensação de opressão experimentada pela narradora na escola, retratada no segundo parágrafo do texto 10A3-I, é realçada pelo(a)

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Questão 9 de 9 Q1382148 Q47 da prova
Leia o texto 10A3-I e responda as questões 45 a 47.

Considerando-se o contexto narrativo do texto 10A3-I, em que, além da narradora, outros alunos da professora Lourdes parecem não ter aprendido o hino nacional, é correto afirmar, com base no que propõe a BNCC em relação ao trabalho pedagógico com as práticas de linguagem no ensino fundamental, que, para favorecer o aprendizado dos alunos, seria recomendável que a professora empregasse estratégias como a de

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