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Prova Instrutor de Informática - Pref. Aratiba/RS
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Questão 1 de 1 Q1760090 Q8 da prova
NÍVEL MÉDIO LÍNGUA PORTUGUESA A terceirização da memória Por Juliana Bublitz Você tem um minuto para responder, sem espiar no celular (não vale trapa __ear): quantos números de telefone sabe de cor? Dois, três? Ou nem isso? Até hoje lembro de dí __itos da era pré-internet. O contato de casa era 711-3777. O da minha avó, 713-2641. Recordo do som do disco do aparelho girando, levado pelo dedo indicador, e de tagarelar com as amigas de infância, cujos telefones fixos jamais esqueci. Nenhum desses númer os existe mais, mas seguem guardados como te __ouros arqueológicos inúteis. Naquela época, a gente memorizava tudo. No máximo, consultava uma agenda de papel aos frangalhos, do tamanho da palma da mão, que ficava na mesinha da sala. Aí veio a revolução di gital, com Apple, Microsoft e todas as bigtechs . Surgiram o Motorola tijolão, o Nokia tijolinho e o Blackberry com suas teclas mínimas. Em menos de 20 anos, com a chegada dos smartphones e de suas funcionalidades sem fim, as marcas passaram a ser extensões do nosso corpo. Os dispositivos servem até para telefonar, só que hoje ninguém mais precisa disso. Falar para quê A tecnologia mudou o mundo e a forma como nos relacionamos com ele. Tudo ficou mais fácil. Deixou de ser necessário guardar informações “na caixola”, como diria minha avó (aquela mesma, do 713 -2641), e passou a ser possível terceirizar a memória. Ganhamos HDs externos. Qual é o sentido de perder tempo memorizando algo, se temos tudo na palma da mão? Hoje, a vida de uma pessoa cabe no celular . A agenda de telefones é só uma gota no oceano de bites. Os contatos estão ali, assim como a conta do banco, a lista do super, o endereço do dentista, a tese de doutorado, as datas de aniversário das pessoas que amamos, o roteiro das férias, o aplicativo de rotas com GPS, os ingressos para o teatro. O que não sabemos (ou esquecemos?) está no Google ou no ChatGPT. Basta digitar e pronto. Resolvido em segundos. O resultado disso é uma vida muito mais prática, mas um bando de gente sequestrada pelo próprio ce lular, como já escreveu a Martha Medeiros em uma de suas crônicas geniais . Viramos “celular -dependentes ”, e a nossa memória também. Dia desses, consegui a façanha de esquecer o aparelho em um veículo da Uber. Percebi segundos depois, quando fui checar as m ensagens e quase enlouqueci de mãos vazias. Bateu o desespero. E agora? Não sabia o número de ninguém, não tinha acesso ao Whats, não podia sequer ver as horas nem verificar o e -mail. Para quem ligar para tentar resolver o perrengue? Graças a uma colega qu e (ufa!) não tinha esquecido o celular no carro, foi possível fazer contato com a empresa e chegar até o motorista. Ele voltou mais tarde para devolver o item perdido. Foram os 45 minutos mais agonizantes dos últimos tempos. E ali percebi meu vício em tecnologia. Sem o smartphone, a vida travou, e a terceirização da memória se tornou um problemão. Virou amnésia digital. Sabe o que fiz depois disso? Nada. Ou melhor, fiz, sim: decorei três contatos de pessoas próximas para o caso de emergências. Estou salva. Até ser traída pela memória outra vez.

Assinale a alternativa em que a palavra “geniais” (l. 25) não pode ser substituída, sem alterar o sentido do fragmento, por:

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