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Questão 1 de 3Q1759219Q4 da prova
A terceirização da memória
Por Juliana Bublitz
Você tem um minuto para responder, sem espiar no celular (não vale trapa __ear):
quantos números de telefone sabe de cor? Dois, três? Ou nem isso?
Até hoje lembro de dí __itos da era pré -internet. O contato de casa era 711 -3777. O da
minha avó, 713 -2641. Recordo do som do disco do aparelho girando, levado pelo dedo indicador,
e de tagarelar com as amigas de infância, cujos telefones fixos jamais esqueci. Nenhum desses
númer os existe mais, mas seguem guardados como te __ouros arqueológicos inúteis.
Naquela época, a gente memorizava tudo. No máximo, consultava uma agenda de papel
aos frangalhos, do tamanho da palma da mão, que ficava na mesinha da sala.
Aí veio a revolução di gital, com Apple, Microsoft e todas as bigtechs . Surgiram o Motorola
tijolão, o Nokia tijolinho e o Blackberry com suas teclas mínimas. Em menos de 20 anos, com a
chegada dos smartphones e de suas funcionalidades sem fim, as marcas passaram a ser
extensões do nosso corpo. Os dispositivos servem até para telefonar, só que hoje ninguém mais
precisa disso. Falar para quê
A tecnologia mudou o mundo e a forma como nos relacionamos com ele. Tudo ficou mais
fácil. Deixou de ser necessário guardar informações “na caixola”, como diria minha avó (aquela
mesma, do 713 -2641), e passou a ser possível terceirizar a memória. Ganhamos HDs externos.
Qual é o sentido de perder tempo memorizando algo, se temos tudo na palma da mão?
Hoje, a vida de uma pessoa cabe no celular . A agenda de telefones é só uma gota no
oceano de bites.
Os contatos estão ali, assim como a conta do banco, a lista do super, o endereço do
dentista, a tese de doutorado, as datas de aniversário das pessoas que amamos, o roteiro das
férias, o aplicativo de rotas com GPS, os ingressos para o teatro. O que não sabemos (ou
esquecemos?) está no Google ou no ChatGPT. Basta digitar e pronto. Resolvido em segundos.
O resultado disso é uma vida muito mais prática, mas um bando de gente sequestrada
pelo próprio ce lular, como já escreveu a Martha Medeiros em uma de suas crônicas geniais .
Viramos “celular -dependentes ”, e a nossa memória também.
Dia desses, consegui a façanha de esquecer o aparelho em um veículo da Uber. Percebi
segundos depois, quando fui checar as m ensagens e quase enlouqueci de mãos vazias. Bateu o
desespero. E agora?
Não sabia o número de ninguém, não tinha acesso ao Whats, não podia sequer ver as
horas nem verificar o e -mail. Para quem ligar para tentar resolver o perrengue?
Graças a uma colega qu e (ufa!) não tinha esquecido o celular no carro, foi possível fazer
contato com a empresa e chegar até o motorista. Ele voltou mais tarde para devolver o item
perdido.
Foram os 45 minutos mais agonizantes dos últimos tempos. E ali percebi meu vício em
tecnologia. Sem o smartphone, a vida travou, e a terceirização da memória se tornou um
problemão.
Virou amnésia digital.
Sabe o que fiz depois disso? Nada. Ou melhor, fiz, sim: decorei três contatos de pessoas
próximas para o caso de emergências. Estou salva. Até ser traída pela memória outra vez.
(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/juliana -bublitz/ultimas -noticias/ – texto adaptado
especialmente para esta prova).
Relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando as informações mencionadas no texto
aos respectivos parágrafos em que aparecem.
Coluna 1
1. Primeiro parágrafo.
2. Segundo parágrafo.
3. Sexto parágrafo.
4. Nono parágrafo.
Coluna 2
( ) Constatação de que o s celulares armazenam toda a vida de uma pessoa, com a agenda de
telefones sendo apenas uma pequena parte do seu vasto volume de dados.
( ) Recordação de números de telefone da era pré -internet, os quais agora são obsoletos, mas
permanecem na memória da escritora como relíquias sentimentais de um tempo passado.
( ) Leitor é desafiado a responder um questionamento sobre a dificuldade moderna de memorizar
números de telefone.
( ) Menção ao dia em que a escritora esqueceu seu celular em um carro.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
A terceirização da memória
Por Juliana Bublitz
Você tem um minuto para responder, sem espiar no celular (não vale trapa __ear):
quantos números de telefone sabe de cor? Dois, três? Ou nem isso?
Até hoje lembro de dí __itos da era pré -internet. O contato de casa era 711 -3777. O da
minha avó, 713 -2641. Recordo do som do disco do aparelho girando, levado pelo dedo indicador,
e de tagarelar com as amigas de infância, cujos telefones fixos jamais esqueci. Nenhum desses
númer os existe mais, mas seguem guardados como te __ouros arqueológicos inúteis.
Naquela época, a gente memorizava tudo. No máximo, consultava uma agenda de papel
aos frangalhos, do tamanho da palma da mão, que ficava na mesinha da sala.
Aí veio a revolução di gital, com Apple, Microsoft e todas as bigtechs . Surgiram o Motorola
tijolão, o Nokia tijolinho e o Blackberry com suas teclas mínimas. Em menos de 20 anos, com a
chegada dos smartphones e de suas funcionalidades sem fim, as marcas passaram a ser
extensões do nosso corpo. Os dispositivos servem até para telefonar, só que hoje ninguém mais
precisa disso. Falar para quê
A tecnologia mudou o mundo e a forma como nos relacionamos com ele. Tudo ficou mais
fácil. Deixou de ser necessário guardar informações “na caixola”, como diria minha avó (aquela
mesma, do 713 -2641), e passou a ser possível terceirizar a memória. Ganhamos HDs externos.
Qual é o sentido de perder tempo memorizando algo, se temos tudo na palma da mão?
Hoje, a vida de uma pessoa cabe no celular . A agenda de telefones é só uma gota no
oceano de bites.
Os contatos estão ali, assim como a conta do banco, a lista do super, o endereço do
dentista, a tese de doutorado, as datas de aniversário das pessoas que amamos, o roteiro das
férias, o aplicativo de rotas com GPS, os ingressos para o teatro. O que não sabemos (ou
esquecemos?) está no Google ou no ChatGPT. Basta digitar e pronto. Resolvido em segundos.
O resultado disso é uma vida muito mais prática, mas um bando de gente sequestrada
pelo próprio ce lular, como já escreveu a Martha Medeiros em uma de suas crônicas geniais .
Viramos “celular -dependentes ”, e a nossa memória também.
Dia desses, consegui a façanha de esquecer o aparelho em um veículo da Uber. Percebi
segundos depois, quando fui checar as m ensagens e quase enlouqueci de mãos vazias. Bateu o
desespero. E agora?
Não sabia o número de ninguém, não tinha acesso ao Whats, não podia sequer ver as
horas nem verificar o e -mail. Para quem ligar para tentar resolver o perrengue?
Graças a uma colega qu e (ufa!) não tinha esquecido o celular no carro, foi possível fazer
contato com a empresa e chegar até o motorista. Ele voltou mais tarde para devolver o item
perdido.
Foram os 45 minutos mais agonizantes dos últimos tempos. E ali percebi meu vício em
tecnologia. Sem o smartphone, a vida travou, e a terceirização da memória se tornou um
problemão.
Virou amnésia digital.
Sabe o que fiz depois disso? Nada. Ou melhor, fiz, sim: decorei três contatos de pessoas
próximas para o caso de emergências. Estou salva. Até ser traída pela memória outra vez.
(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/juliana -bublitz/ultimas -noticias/ – texto adaptado
especialmente para esta prova).
O vocábulo “ Recordo ” (l. 0 4) pode ser substituído, sem alteração de sentido no trecho
em que se encontra, por:
A terceirização da memória
Por Juliana Bublitz
Ele voltou mais tarde para devolver o
item perdido
Tendo e m vista o fragmento retirado do texto “Ele voltou mais tarde para devolver o
item perdido”, assinale a alternativa que apresenta a classe gramatical que NÃO aparece no trecho.