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Prova Assistente de Trânsito - Pref. Vinhedo/SP
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Questão 1 de 10 Q1098333 Q1 da prova
Leia o texto abaixo e responda as questões 1 a 10.

Você vai ver
Você tomará um táxi no centro da cidade. Dezessete menores maltrapilhos brigarão para segurarem a porta para você. Você atirará uma moeda de 200 cruzeiros longe, todos correrão para pegá-la e você poderá subir no táxi sem o risco de perder a carteira, pelo intercomunicador dirá ao chofer, isolado na sua cabine à prova de bala, acetileno e britadeira, o endereço da sua casa. Não é longe, mas com o jeito que está o trânsito será uma viagem de três horas. No caminho você passará pelo local do Grande Engarrafamento de 1980 e abanará, melancolicamente, para o seu último carro, abandonado entre milhares de outros, embaixo de um viaduto. (Foi assim: um engarrafamento que começou na tardinha de uma sexta-feira e nunca mais terminou. Os proprietários – alguns aos prantos – tiveram que abandonar seus carros. A prefeitura construiu um viaduto de emergência por cima. Depois de duas ou três semanas, marginais começaram a usar os veículos para morar. Primeiro os ônibus. Depois os Galaxies, Dodges e Mavericks. No fim, os Volkswagens. A Vila Sucata (ou Jardim Lataria) se tornou famosa como um foco de criminalidade, sujeira e buzinadas extemporâneas no centro da cidade. Seus habitantes, durante muito tempo, sobreviveram com a venda de pneus, baterias e outras peças das suas moradias. Depois dedicaram-se à indústria da sublocação, alugando espaço nos veículos. “Alugamos banco no ônibus para família pequena”. “Vagas para rapaz em Passat quatro portas, entrada independente”.) Você mora na Vila de Segurança “Forte Apache”. (Quando as imobiliárias lançaram as vilas de segurança – áreas residenciais cercadas por muros eletrificados, com torres de metralhadoras de 50 em 50 metros – usaram nomes pitorescos para promovê-las: “Álamo”, “Forte Apache”, “Alcazar de Toledo”, “Tróia”, etc. Foi um sucesso.) No portão principal, você precisa identificar-se, e o chofer do táxi deve deixar sua carteira de identidade com o guarda, para recebê-la quando sair. O pesado portão de aço à prova de canhão abre para deixar passar o táxi e fecha em seguida. Na frente da sua casa você introduz o dinheiro da corrida – 1.800 cruzeiros – num compartimento especial que só abre do lado do chofer quando fecha do lado do passageiro. A porta da sua casa tem uma fechadura de cofre, e mesmo depois de você girar a fecha dura de acordo com a combinação, precisa esperar que sua mulher identifique você pelo olho mágico e depois leve 20 minutos abrindo todas as trancas por dentro. Por precaução, você leva a mão ao revólver enquanto espera.
– Como foi o seu dia? perguntará ela.
– Ótimo. Fui assaltado só duas vezes no centro. Não encontraram o dinheiro no salto falso do sapato nem me levaram o revólver.
– Que bom.
As Vilas de Segurança têm suas próprias escolas, supermercados e centros comerciais. Depois das dez horas ninguém pode sair na rua, sob pena de ser estraçalhado por bandos de cães policiais especialmente treinados para só pouparem médicos e mecânicos de TV, e que patrulham as vilas até o nascer do sol. Você janta com a família. O seu filho pergunta, pela milésima vez, como é o mundo no lado de fora dos muros. E quer saber de novo que estranho som é aquele que ele ouve todas as noites, como se fossem gemidos humanos, de milhares de pessoas, do outro lado do muro. E por que aquelas rajadas de metralhadora, todas as noites? Você e a sua mulher se entreolham, e você explica.
– É a televisão do vizinho, meu filho.

VERISSIMO, L. F. Ed Mort e outras histórias. Porto Alegre: L&PM Editores, 1985.

No texto apresentado, o uso recorrente da forma de tratamento ‘você’ funciona como uma estratégia de:

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Questão 2 de 10 Q1098334 Q2 da prova
Leia o texto abaixo e responda as questões 1 a 10.

Você vai ver
Você tomará um táxi no centro da cidade. Dezessete menores maltrapilhos brigarão para segurarem a porta para você. Você atirará uma moeda de 200 cruzeiros longe, todos correrão para pegá-la e você poderá subir no táxi sem o risco de perder a carteira, pelo intercomunicador dirá ao chofer, isolado na sua cabine à prova de bala, acetileno e britadeira, o endereço da sua casa. Não é longe, mas com o jeito que está o trânsito será uma viagem de três horas. No caminho você passará pelo local do Grande Engarrafamento de 1980 e abanará, melancolicamente, para o seu último carro, abandonado entre milhares de outros, embaixo de um viaduto. (Foi assim: um engarrafamento que começou na tardinha de uma sexta-feira e nunca mais terminou. Os proprietários – alguns aos prantos – tiveram que abandonar seus carros. A prefeitura construiu um viaduto de emergência por cima. Depois de duas ou três semanas, marginais começaram a usar os veículos para morar. Primeiro os ônibus. Depois os Galaxies, Dodges e Mavericks. No fim, os Volkswagens. A Vila Sucata (ou Jardim Lataria) se tornou famosa como um foco de criminalidade, sujeira e buzinadas extemporâneas no centro da cidade. Seus habitantes, durante muito tempo, sobreviveram com a venda de pneus, baterias e outras peças das suas moradias. Depois dedicaram-se à indústria da sublocação, alugando espaço nos veículos. “Alugamos banco no ônibus para família pequena”. “Vagas para rapaz em Passat quatro portas, entrada independente”.) Você mora na Vila de Segurança “Forte Apache”. (Quando as imobiliárias lançaram as vilas de segurança – áreas residenciais cercadas por muros eletrificados, com torres de metralhadoras de 50 em 50 metros – usaram nomes pitorescos para promovê-las: “Álamo”, “Forte Apache”, “Alcazar de Toledo”, “Tróia”, etc. Foi um sucesso.) No portão principal, você precisa identificar-se, e o chofer do táxi deve deixar sua carteira de identidade com o guarda, para recebê-la quando sair. O pesado portão de aço à prova de canhão abre para deixar passar o táxi e fecha em seguida. Na frente da sua casa você introduz o dinheiro da corrida – 1.800 cruzeiros – num compartimento especial que só abre do lado do chofer quando fecha do lado do passageiro. A porta da sua casa tem uma fechadura de cofre, e mesmo depois de você girar a fecha dura de acordo com a combinação, precisa esperar que sua mulher identifique você pelo olho mágico e depois leve 20 minutos abrindo todas as trancas por dentro. Por precaução, você leva a mão ao revólver enquanto espera.
– Como foi o seu dia? perguntará ela.
– Ótimo. Fui assaltado só duas vezes no centro. Não encontraram o dinheiro no salto falso do sapato nem me levaram o revólver.
– Que bom.
As Vilas de Segurança têm suas próprias escolas, supermercados e centros comerciais. Depois das dez horas ninguém pode sair na rua, sob pena de ser estraçalhado por bandos de cães policiais especialmente treinados para só pouparem médicos e mecânicos de TV, e que patrulham as vilas até o nascer do sol. Você janta com a família. O seu filho pergunta, pela milésima vez, como é o mundo no lado de fora dos muros. E quer saber de novo que estranho som é aquele que ele ouve todas as noites, como se fossem gemidos humanos, de milhares de pessoas, do outro lado do muro. E por que aquelas rajadas de metralhadora, todas as noites? Você e a sua mulher se entreolham, e você explica.
– É a televisão do vizinho, meu filho.

VERISSIMO, L. F. Ed Mort e outras histórias. Porto Alegre: L&PM Editores, 1985.

No excerto “Os proprietários – alguns aos prantos – tiveram que abandonar seus carros.”, a palavra “que” atua como:

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Questão 3 de 10 Q1098335 Q3 da prova
Leia o texto abaixo e responda as questões 1 a 10.

Você vai ver
Você tomará um táxi no centro da cidade. Dezessete menores maltrapilhos brigarão para segurarem a porta para você. Você atirará uma moeda de 200 cruzeiros longe, todos correrão para pegá-la e você poderá subir no táxi sem o risco de perder a carteira, pelo intercomunicador dirá ao chofer, isolado na sua cabine à prova de bala, acetileno e britadeira, o endereço da sua casa. Não é longe, mas com o jeito que está o trânsito será uma viagem de três horas. No caminho você passará pelo local do Grande Engarrafamento de 1980 e abanará, melancolicamente, para o seu último carro, abandonado entre milhares de outros, embaixo de um viaduto. (Foi assim: um engarrafamento que começou na tardinha de uma sexta-feira e nunca mais terminou. Os proprietários – alguns aos prantos – tiveram que abandonar seus carros. A prefeitura construiu um viaduto de emergência por cima. Depois de duas ou três semanas, marginais começaram a usar os veículos para morar. Primeiro os ônibus. Depois os Galaxies, Dodges e Mavericks. No fim, os Volkswagens. A Vila Sucata (ou Jardim Lataria) se tornou famosa como um foco de criminalidade, sujeira e buzinadas extemporâneas no centro da cidade. Seus habitantes, durante muito tempo, sobreviveram com a venda de pneus, baterias e outras peças das suas moradias. Depois dedicaram-se à indústria da sublocação, alugando espaço nos veículos. “Alugamos banco no ônibus para família pequena”. “Vagas para rapaz em Passat quatro portas, entrada independente”.) Você mora na Vila de Segurança “Forte Apache”. (Quando as imobiliárias lançaram as vilas de segurança – áreas residenciais cercadas por muros eletrificados, com torres de metralhadoras de 50 em 50 metros – usaram nomes pitorescos para promovê-las: “Álamo”, “Forte Apache”, “Alcazar de Toledo”, “Tróia”, etc. Foi um sucesso.) No portão principal, você precisa identificar-se, e o chofer do táxi deve deixar sua carteira de identidade com o guarda, para recebê-la quando sair. O pesado portão de aço à prova de canhão abre para deixar passar o táxi e fecha em seguida. Na frente da sua casa você introduz o dinheiro da corrida – 1.800 cruzeiros – num compartimento especial que só abre do lado do chofer quando fecha do lado do passageiro. A porta da sua casa tem uma fechadura de cofre, e mesmo depois de você girar a fecha dura de acordo com a combinação, precisa esperar que sua mulher identifique você pelo olho mágico e depois leve 20 minutos abrindo todas as trancas por dentro. Por precaução, você leva a mão ao revólver enquanto espera.
– Como foi o seu dia? perguntará ela.
– Ótimo. Fui assaltado só duas vezes no centro. Não encontraram o dinheiro no salto falso do sapato nem me levaram o revólver.
– Que bom.
As Vilas de Segurança têm suas próprias escolas, supermercados e centros comerciais. Depois das dez horas ninguém pode sair na rua, sob pena de ser estraçalhado por bandos de cães policiais especialmente treinados para só pouparem médicos e mecânicos de TV, e que patrulham as vilas até o nascer do sol. Você janta com a família. O seu filho pergunta, pela milésima vez, como é o mundo no lado de fora dos muros. E quer saber de novo que estranho som é aquele que ele ouve todas as noites, como se fossem gemidos humanos, de milhares de pessoas, do outro lado do muro. E por que aquelas rajadas de metralhadora, todas as noites? Você e a sua mulher se entreolham, e você explica.
– É a televisão do vizinho, meu filho.

VERISSIMO, L. F. Ed Mort e outras histórias. Porto Alegre: L&PM Editores, 1985.

Considere o excerto “No portão principal, você precisa identificar-se, e o chofer do táxi deve deixar sua carteira de identidade com o guarda, para recebê-la quando sair.” Na oração em que ocorre, o pronome possessivo “sua”:

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Questão 4 de 10 Q1098336 Q4 da prova
Leia o texto abaixo e responda as questões 1 a 10.

Você vai ver
Você tomará um táxi no centro da cidade. Dezessete menores maltrapilhos brigarão para segurarem a porta para você. Você atirará uma moeda de 200 cruzeiros longe, todos correrão para pegá-la e você poderá subir no táxi sem o risco de perder a carteira, pelo intercomunicador dirá ao chofer, isolado na sua cabine à prova de bala, acetileno e britadeira, o endereço da sua casa. Não é longe, mas com o jeito que está o trânsito será uma viagem de três horas. No caminho você passará pelo local do Grande Engarrafamento de 1980 e abanará, melancolicamente, para o seu último carro, abandonado entre milhares de outros, embaixo de um viaduto. (Foi assim: um engarrafamento que começou na tardinha de uma sexta-feira e nunca mais terminou. Os proprietários – alguns aos prantos – tiveram que abandonar seus carros. A prefeitura construiu um viaduto de emergência por cima. Depois de duas ou três semanas, marginais começaram a usar os veículos para morar. Primeiro os ônibus. Depois os Galaxies, Dodges e Mavericks. No fim, os Volkswagens. A Vila Sucata (ou Jardim Lataria) se tornou famosa como um foco de criminalidade, sujeira e buzinadas extemporâneas no centro da cidade. Seus habitantes, durante muito tempo, sobreviveram com a venda de pneus, baterias e outras peças das suas moradias. Depois dedicaram-se à indústria da sublocação, alugando espaço nos veículos. “Alugamos banco no ônibus para família pequena”. “Vagas para rapaz em Passat quatro portas, entrada independente”.) Você mora na Vila de Segurança “Forte Apache”. (Quando as imobiliárias lançaram as vilas de segurança – áreas residenciais cercadas por muros eletrificados, com torres de metralhadoras de 50 em 50 metros – usaram nomes pitorescos para promovê-las: “Álamo”, “Forte Apache”, “Alcazar de Toledo”, “Tróia”, etc. Foi um sucesso.) No portão principal, você precisa identificar-se, e o chofer do táxi deve deixar sua carteira de identidade com o guarda, para recebê-la quando sair. O pesado portão de aço à prova de canhão abre para deixar passar o táxi e fecha em seguida. Na frente da sua casa você introduz o dinheiro da corrida – 1.800 cruzeiros – num compartimento especial que só abre do lado do chofer quando fecha do lado do passageiro. A porta da sua casa tem uma fechadura de cofre, e mesmo depois de você girar a fecha dura de acordo com a combinação, precisa esperar que sua mulher identifique você pelo olho mágico e depois leve 20 minutos abrindo todas as trancas por dentro. Por precaução, você leva a mão ao revólver enquanto espera.
– Como foi o seu dia? perguntará ela.
– Ótimo. Fui assaltado só duas vezes no centro. Não encontraram o dinheiro no salto falso do sapato nem me levaram o revólver.
– Que bom.
As Vilas de Segurança têm suas próprias escolas, supermercados e centros comerciais. Depois das dez horas ninguém pode sair na rua, sob pena de ser estraçalhado por bandos de cães policiais especialmente treinados para só pouparem médicos e mecânicos de TV, e que patrulham as vilas até o nascer do sol. Você janta com a família. O seu filho pergunta, pela milésima vez, como é o mundo no lado de fora dos muros. E quer saber de novo que estranho som é aquele que ele ouve todas as noites, como se fossem gemidos humanos, de milhares de pessoas, do outro lado do muro. E por que aquelas rajadas de metralhadora, todas as noites? Você e a sua mulher se entreolham, e você explica.
– É a televisão do vizinho, meu filho.

VERISSIMO, L. F. Ed Mort e outras histórias. Porto Alegre: L&PM Editores, 1985.

Considere o excerto: “No caminho você passará pelo local do Grande Engarrafamento de 1980 e abanará, melancolicamente, para o seu último carro, abandonado entre milhares de outros, embaixo de um viaduto.” No contexto em que ocorre, a palavra “outros” é empregada como:

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Questão 5 de 10 Q1098337 Q5 da prova
Leia o texto abaixo e responda as questões 1 a 10.

Você vai ver
Você tomará um táxi no centro da cidade. Dezessete menores maltrapilhos brigarão para segurarem a porta para você. Você atirará uma moeda de 200 cruzeiros longe, todos correrão para pegá-la e você poderá subir no táxi sem o risco de perder a carteira, pelo intercomunicador dirá ao chofer, isolado na sua cabine à prova de bala, acetileno e britadeira, o endereço da sua casa. Não é longe, mas com o jeito que está o trânsito será uma viagem de três horas. No caminho você passará pelo local do Grande Engarrafamento de 1980 e abanará, melancolicamente, para o seu último carro, abandonado entre milhares de outros, embaixo de um viaduto. (Foi assim: um engarrafamento que começou na tardinha de uma sexta-feira e nunca mais terminou. Os proprietários – alguns aos prantos – tiveram que abandonar seus carros. A prefeitura construiu um viaduto de emergência por cima. Depois de duas ou três semanas, marginais começaram a usar os veículos para morar. Primeiro os ônibus. Depois os Galaxies, Dodges e Mavericks. No fim, os Volkswagens. A Vila Sucata (ou Jardim Lataria) se tornou famosa como um foco de criminalidade, sujeira e buzinadas extemporâneas no centro da cidade. Seus habitantes, durante muito tempo, sobreviveram com a venda de pneus, baterias e outras peças das suas moradias. Depois dedicaram-se à indústria da sublocação, alugando espaço nos veículos. “Alugamos banco no ônibus para família pequena”. “Vagas para rapaz em Passat quatro portas, entrada independente”.) Você mora na Vila de Segurança “Forte Apache”. (Quando as imobiliárias lançaram as vilas de segurança – áreas residenciais cercadas por muros eletrificados, com torres de metralhadoras de 50 em 50 metros – usaram nomes pitorescos para promovê-las: “Álamo”, “Forte Apache”, “Alcazar de Toledo”, “Tróia”, etc. Foi um sucesso.) No portão principal, você precisa identificar-se, e o chofer do táxi deve deixar sua carteira de identidade com o guarda, para recebê-la quando sair. O pesado portão de aço à prova de canhão abre para deixar passar o táxi e fecha em seguida. Na frente da sua casa você introduz o dinheiro da corrida – 1.800 cruzeiros – num compartimento especial que só abre do lado do chofer quando fecha do lado do passageiro. A porta da sua casa tem uma fechadura de cofre, e mesmo depois de você girar a fecha dura de acordo com a combinação, precisa esperar que sua mulher identifique você pelo olho mágico e depois leve 20 minutos abrindo todas as trancas por dentro. Por precaução, você leva a mão ao revólver enquanto espera.
– Como foi o seu dia? perguntará ela.
– Ótimo. Fui assaltado só duas vezes no centro. Não encontraram o dinheiro no salto falso do sapato nem me levaram o revólver.
– Que bom.
As Vilas de Segurança têm suas próprias escolas, supermercados e centros comerciais. Depois das dez horas ninguém pode sair na rua, sob pena de ser estraçalhado por bandos de cães policiais especialmente treinados para só pouparem médicos e mecânicos de TV, e que patrulham as vilas até o nascer do sol. Você janta com a família. O seu filho pergunta, pela milésima vez, como é o mundo no lado de fora dos muros. E quer saber de novo que estranho som é aquele que ele ouve todas as noites, como se fossem gemidos humanos, de milhares de pessoas, do outro lado do muro. E por que aquelas rajadas de metralhadora, todas as noites? Você e a sua mulher se entreolham, e você explica.
– É a televisão do vizinho, meu filho.

VERISSIMO, L. F. Ed Mort e outras histórias. Porto Alegre: L&PM Editores, 1985.

No excerto “Você e a sua mulher se entreolham, e você explica.”, a palavra “se” desempenha o papel de:

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Questão 6 de 10 Q1098338 Q6 da prova
Leia o texto abaixo e responda as questões 1 a 10.

Você vai ver
Você tomará um táxi no centro da cidade. Dezessete menores maltrapilhos brigarão para segurarem a porta para você. Você atirará uma moeda de 200 cruzeiros longe, todos correrão para pegá-la e você poderá subir no táxi sem o risco de perder a carteira, pelo intercomunicador dirá ao chofer, isolado na sua cabine à prova de bala, acetileno e britadeira, o endereço da sua casa. Não é longe, mas com o jeito que está o trânsito será uma viagem de três horas. No caminho você passará pelo local do Grande Engarrafamento de 1980 e abanará, melancolicamente, para o seu último carro, abandonado entre milhares de outros, embaixo de um viaduto. (Foi assim: um engarrafamento que começou na tardinha de uma sexta-feira e nunca mais terminou. Os proprietários – alguns aos prantos – tiveram que abandonar seus carros. A prefeitura construiu um viaduto de emergência por cima. Depois de duas ou três semanas, marginais começaram a usar os veículos para morar. Primeiro os ônibus. Depois os Galaxies, Dodges e Mavericks. No fim, os Volkswagens. A Vila Sucata (ou Jardim Lataria) se tornou famosa como um foco de criminalidade, sujeira e buzinadas extemporâneas no centro da cidade. Seus habitantes, durante muito tempo, sobreviveram com a venda de pneus, baterias e outras peças das suas moradias. Depois dedicaram-se à indústria da sublocação, alugando espaço nos veículos. “Alugamos banco no ônibus para família pequena”. “Vagas para rapaz em Passat quatro portas, entrada independente”.) Você mora na Vila de Segurança “Forte Apache”. (Quando as imobiliárias lançaram as vilas de segurança – áreas residenciais cercadas por muros eletrificados, com torres de metralhadoras de 50 em 50 metros – usaram nomes pitorescos para promovê-las: “Álamo”, “Forte Apache”, “Alcazar de Toledo”, “Tróia”, etc. Foi um sucesso.) No portão principal, você precisa identificar-se, e o chofer do táxi deve deixar sua carteira de identidade com o guarda, para recebê-la quando sair. O pesado portão de aço à prova de canhão abre para deixar passar o táxi e fecha em seguida. Na frente da sua casa você introduz o dinheiro da corrida – 1.800 cruzeiros – num compartimento especial que só abre do lado do chofer quando fecha do lado do passageiro. A porta da sua casa tem uma fechadura de cofre, e mesmo depois de você girar a fecha dura de acordo com a combinação, precisa esperar que sua mulher identifique você pelo olho mágico e depois leve 20 minutos abrindo todas as trancas por dentro. Por precaução, você leva a mão ao revólver enquanto espera.
– Como foi o seu dia? perguntará ela.
– Ótimo. Fui assaltado só duas vezes no centro. Não encontraram o dinheiro no salto falso do sapato nem me levaram o revólver.
– Que bom.
As Vilas de Segurança têm suas próprias escolas, supermercados e centros comerciais. Depois das dez horas ninguém pode sair na rua, sob pena de ser estraçalhado por bandos de cães policiais especialmente treinados para só pouparem médicos e mecânicos de TV, e que patrulham as vilas até o nascer do sol. Você janta com a família. O seu filho pergunta, pela milésima vez, como é o mundo no lado de fora dos muros. E quer saber de novo que estranho som é aquele que ele ouve todas as noites, como se fossem gemidos humanos, de milhares de pessoas, do outro lado do muro. E por que aquelas rajadas de metralhadora, todas as noites? Você e a sua mulher se entreolham, e você explica.
– É a televisão do vizinho, meu filho.

VERISSIMO, L. F. Ed Mort e outras histórias. Porto Alegre: L&PM Editores, 1985.

Considere as seguintes sentenças, retiradas do texto: I. Depois dedicaram-se à indústria da sublocação, alugando espaço nos veículos. II. Não encontraram o dinheiro no salto falso do sapato nem me levaram o revólver. III. [...] usaram nomes pitorescos para promovê-las: “Álamo”, “Forte Apache”, “Alcazar de Toledo”, “Tróia”, etc. Quanto à colocação pronominal, a(s) sentença(s) dada(s) que apresenta(m) próclise é (são):

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Questão 7 de 10 Q1098339 Q7 da prova
Leia o texto abaixo e responda as questões 1 a 10.

Você vai ver
Você tomará um táxi no centro da cidade. Dezessete menores maltrapilhos brigarão para segurarem a porta para você. Você atirará uma moeda de 200 cruzeiros longe, todos correrão para pegá-la e você poderá subir no táxi sem o risco de perder a carteira, pelo intercomunicador dirá ao chofer, isolado na sua cabine à prova de bala, acetileno e britadeira, o endereço da sua casa. Não é longe, mas com o jeito que está o trânsito será uma viagem de três horas. No caminho você passará pelo local do Grande Engarrafamento de 1980 e abanará, melancolicamente, para o seu último carro, abandonado entre milhares de outros, embaixo de um viaduto. (Foi assim: um engarrafamento que começou na tardinha de uma sexta-feira e nunca mais terminou. Os proprietários – alguns aos prantos – tiveram que abandonar seus carros. A prefeitura construiu um viaduto de emergência por cima. Depois de duas ou três semanas, marginais começaram a usar os veículos para morar. Primeiro os ônibus. Depois os Galaxies, Dodges e Mavericks. No fim, os Volkswagens. A Vila Sucata (ou Jardim Lataria) se tornou famosa como um foco de criminalidade, sujeira e buzinadas extemporâneas no centro da cidade. Seus habitantes, durante muito tempo, sobreviveram com a venda de pneus, baterias e outras peças das suas moradias. Depois dedicaram-se à indústria da sublocação, alugando espaço nos veículos. “Alugamos banco no ônibus para família pequena”. “Vagas para rapaz em Passat quatro portas, entrada independente”.) Você mora na Vila de Segurança “Forte Apache”. (Quando as imobiliárias lançaram as vilas de segurança – áreas residenciais cercadas por muros eletrificados, com torres de metralhadoras de 50 em 50 metros – usaram nomes pitorescos para promovê-las: “Álamo”, “Forte Apache”, “Alcazar de Toledo”, “Tróia”, etc. Foi um sucesso.) No portão principal, você precisa identificar-se, e o chofer do táxi deve deixar sua carteira de identidade com o guarda, para recebê-la quando sair. O pesado portão de aço à prova de canhão abre para deixar passar o táxi e fecha em seguida. Na frente da sua casa você introduz o dinheiro da corrida – 1.800 cruzeiros – num compartimento especial que só abre do lado do chofer quando fecha do lado do passageiro. A porta da sua casa tem uma fechadura de cofre, e mesmo depois de você girar a fecha dura de acordo com a combinação, precisa esperar que sua mulher identifique você pelo olho mágico e depois leve 20 minutos abrindo todas as trancas por dentro. Por precaução, você leva a mão ao revólver enquanto espera.
– Como foi o seu dia? perguntará ela.
– Ótimo. Fui assaltado só duas vezes no centro. Não encontraram o dinheiro no salto falso do sapato nem me levaram o revólver.
– Que bom.
As Vilas de Segurança têm suas próprias escolas, supermercados e centros comerciais. Depois das dez horas ninguém pode sair na rua, sob pena de ser estraçalhado por bandos de cães policiais especialmente treinados para só pouparem médicos e mecânicos de TV, e que patrulham as vilas até o nascer do sol. Você janta com a família. O seu filho pergunta, pela milésima vez, como é o mundo no lado de fora dos muros. E quer saber de novo que estranho som é aquele que ele ouve todas as noites, como se fossem gemidos humanos, de milhares de pessoas, do outro lado do muro. E por que aquelas rajadas de metralhadora, todas as noites? Você e a sua mulher se entreolham, e você explica.
– É a televisão do vizinho, meu filho.

VERISSIMO, L. F. Ed Mort e outras histórias. Porto Alegre: L&PM Editores, 1985.

Considere o excerto: “Depois de duas ou três semanas, marginais começaram a usar os veículos para morar.” Quanto à classe gramatical, as palavras “depois”, “ou”, “veículos” e “para” classificam-se em:

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Questão 8 de 10 Q1098340 Q8 da prova
Leia o texto abaixo e responda as questões 1 a 10.

Você vai ver
Você tomará um táxi no centro da cidade. Dezessete menores maltrapilhos brigarão para segurarem a porta para você. Você atirará uma moeda de 200 cruzeiros longe, todos correrão para pegá-la e você poderá subir no táxi sem o risco de perder a carteira, pelo intercomunicador dirá ao chofer, isolado na sua cabine à prova de bala, acetileno e britadeira, o endereço da sua casa. Não é longe, mas com o jeito que está o trânsito será uma viagem de três horas. No caminho você passará pelo local do Grande Engarrafamento de 1980 e abanará, melancolicamente, para o seu último carro, abandonado entre milhares de outros, embaixo de um viaduto. (Foi assim: um engarrafamento que começou na tardinha de uma sexta-feira e nunca mais terminou. Os proprietários – alguns aos prantos – tiveram que abandonar seus carros. A prefeitura construiu um viaduto de emergência por cima. Depois de duas ou três semanas, marginais começaram a usar os veículos para morar. Primeiro os ônibus. Depois os Galaxies, Dodges e Mavericks. No fim, os Volkswagens. A Vila Sucata (ou Jardim Lataria) se tornou famosa como um foco de criminalidade, sujeira e buzinadas extemporâneas no centro da cidade. Seus habitantes, durante muito tempo, sobreviveram com a venda de pneus, baterias e outras peças das suas moradias. Depois dedicaram-se à indústria da sublocação, alugando espaço nos veículos. “Alugamos banco no ônibus para família pequena”. “Vagas para rapaz em Passat quatro portas, entrada independente”.) Você mora na Vila de Segurança “Forte Apache”. (Quando as imobiliárias lançaram as vilas de segurança – áreas residenciais cercadas por muros eletrificados, com torres de metralhadoras de 50 em 50 metros – usaram nomes pitorescos para promovê-las: “Álamo”, “Forte Apache”, “Alcazar de Toledo”, “Tróia”, etc. Foi um sucesso.) No portão principal, você precisa identificar-se, e o chofer do táxi deve deixar sua carteira de identidade com o guarda, para recebê-la quando sair. O pesado portão de aço à prova de canhão abre para deixar passar o táxi e fecha em seguida. Na frente da sua casa você introduz o dinheiro da corrida – 1.800 cruzeiros – num compartimento especial que só abre do lado do chofer quando fecha do lado do passageiro. A porta da sua casa tem uma fechadura de cofre, e mesmo depois de você girar a fecha dura de acordo com a combinação, precisa esperar que sua mulher identifique você pelo olho mágico e depois leve 20 minutos abrindo todas as trancas por dentro. Por precaução, você leva a mão ao revólver enquanto espera.
– Como foi o seu dia? perguntará ela.
– Ótimo. Fui assaltado só duas vezes no centro. Não encontraram o dinheiro no salto falso do sapato nem me levaram o revólver.
– Que bom.
As Vilas de Segurança têm suas próprias escolas, supermercados e centros comerciais. Depois das dez horas ninguém pode sair na rua, sob pena de ser estraçalhado por bandos de cães policiais especialmente treinados para só pouparem médicos e mecânicos de TV, e que patrulham as vilas até o nascer do sol. Você janta com a família. O seu filho pergunta, pela milésima vez, como é o mundo no lado de fora dos muros. E quer saber de novo que estranho som é aquele que ele ouve todas as noites, como se fossem gemidos humanos, de milhares de pessoas, do outro lado do muro. E por que aquelas rajadas de metralhadora, todas as noites? Você e a sua mulher se entreolham, e você explica.
– É a televisão do vizinho, meu filho.

VERISSIMO, L. F. Ed Mort e outras histórias. Porto Alegre: L&PM Editores, 1985.

Considere o excerto: “Depois das dez horas ninguém pode sair na rua, sob pena de ser estraçalhado por bandos de cães policiais especialmente treinados para só pouparem médicos e mecânicos de TV, e que patrulham as vilas até o nascer do sol.” Nesse contexto, o verbo “patrulhar” poderia ser substituído, sem alteração de significado e de regência, por:

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Questão 9 de 10 Q1098341 Q9 da prova
Leia o texto abaixo e responda as questões 1 a 10.

Você vai ver
Você tomará um táxi no centro da cidade. Dezessete menores maltrapilhos brigarão para segurarem a porta para você. Você atirará uma moeda de 200 cruzeiros longe, todos correrão para pegá-la e você poderá subir no táxi sem o risco de perder a carteira, pelo intercomunicador dirá ao chofer, isolado na sua cabine à prova de bala, acetileno e britadeira, o endereço da sua casa. Não é longe, mas com o jeito que está o trânsito será uma viagem de três horas. No caminho você passará pelo local do Grande Engarrafamento de 1980 e abanará, melancolicamente, para o seu último carro, abandonado entre milhares de outros, embaixo de um viaduto. (Foi assim: um engarrafamento que começou na tardinha de uma sexta-feira e nunca mais terminou. Os proprietários – alguns aos prantos – tiveram que abandonar seus carros. A prefeitura construiu um viaduto de emergência por cima. Depois de duas ou três semanas, marginais começaram a usar os veículos para morar. Primeiro os ônibus. Depois os Galaxies, Dodges e Mavericks. No fim, os Volkswagens. A Vila Sucata (ou Jardim Lataria) se tornou famosa como um foco de criminalidade, sujeira e buzinadas extemporâneas no centro da cidade. Seus habitantes, durante muito tempo, sobreviveram com a venda de pneus, baterias e outras peças das suas moradias. Depois dedicaram-se à indústria da sublocação, alugando espaço nos veículos. “Alugamos banco no ônibus para família pequena”. “Vagas para rapaz em Passat quatro portas, entrada independente”.) Você mora na Vila de Segurança “Forte Apache”. (Quando as imobiliárias lançaram as vilas de segurança – áreas residenciais cercadas por muros eletrificados, com torres de metralhadoras de 50 em 50 metros – usaram nomes pitorescos para promovê-las: “Álamo”, “Forte Apache”, “Alcazar de Toledo”, “Tróia”, etc. Foi um sucesso.) No portão principal, você precisa identificar-se, e o chofer do táxi deve deixar sua carteira de identidade com o guarda, para recebê-la quando sair. O pesado portão de aço à prova de canhão abre para deixar passar o táxi e fecha em seguida. Na frente da sua casa você introduz o dinheiro da corrida – 1.800 cruzeiros – num compartimento especial que só abre do lado do chofer quando fecha do lado do passageiro. A porta da sua casa tem uma fechadura de cofre, e mesmo depois de você girar a fecha dura de acordo com a combinação, precisa esperar que sua mulher identifique você pelo olho mágico e depois leve 20 minutos abrindo todas as trancas por dentro. Por precaução, você leva a mão ao revólver enquanto espera.
– Como foi o seu dia? perguntará ela.
– Ótimo. Fui assaltado só duas vezes no centro. Não encontraram o dinheiro no salto falso do sapato nem me levaram o revólver.
– Que bom.
As Vilas de Segurança têm suas próprias escolas, supermercados e centros comerciais. Depois das dez horas ninguém pode sair na rua, sob pena de ser estraçalhado por bandos de cães policiais especialmente treinados para só pouparem médicos e mecânicos de TV, e que patrulham as vilas até o nascer do sol. Você janta com a família. O seu filho pergunta, pela milésima vez, como é o mundo no lado de fora dos muros. E quer saber de novo que estranho som é aquele que ele ouve todas as noites, como se fossem gemidos humanos, de milhares de pessoas, do outro lado do muro. E por que aquelas rajadas de metralhadora, todas as noites? Você e a sua mulher se entreolham, e você explica.
– É a televisão do vizinho, meu filho.

VERISSIMO, L. F. Ed Mort e outras histórias. Porto Alegre: L&PM Editores, 1985.

Considere as palavras I. criminalidade, II. eletrificados e III. fechadura, que ocorrem no texto. As palavras dadas apresentam elementos em suas estruturas que indicam processos de formação. O tipo de elemento que se verifica em todas as palavras é:

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Questão 10 de 10 Q1098342 Q10 da prova
Leia o texto abaixo e responda as questões 1 a 10.

Você vai ver
Você tomará um táxi no centro da cidade. Dezessete menores maltrapilhos brigarão para segurarem a porta para você. Você atirará uma moeda de 200 cruzeiros longe, todos correrão para pegá-la e você poderá subir no táxi sem o risco de perder a carteira, pelo intercomunicador dirá ao chofer, isolado na sua cabine à prova de bala, acetileno e britadeira, o endereço da sua casa. Não é longe, mas com o jeito que está o trânsito será uma viagem de três horas. No caminho você passará pelo local do Grande Engarrafamento de 1980 e abanará, melancolicamente, para o seu último carro, abandonado entre milhares de outros, embaixo de um viaduto. (Foi assim: um engarrafamento que começou na tardinha de uma sexta-feira e nunca mais terminou. Os proprietários – alguns aos prantos – tiveram que abandonar seus carros. A prefeitura construiu um viaduto de emergência por cima. Depois de duas ou três semanas, marginais começaram a usar os veículos para morar. Primeiro os ônibus. Depois os Galaxies, Dodges e Mavericks. No fim, os Volkswagens. A Vila Sucata (ou Jardim Lataria) se tornou famosa como um foco de criminalidade, sujeira e buzinadas extemporâneas no centro da cidade. Seus habitantes, durante muito tempo, sobreviveram com a venda de pneus, baterias e outras peças das suas moradias. Depois dedicaram-se à indústria da sublocação, alugando espaço nos veículos. “Alugamos banco no ônibus para família pequena”. “Vagas para rapaz em Passat quatro portas, entrada independente”.) Você mora na Vila de Segurança “Forte Apache”. (Quando as imobiliárias lançaram as vilas de segurança – áreas residenciais cercadas por muros eletrificados, com torres de metralhadoras de 50 em 50 metros – usaram nomes pitorescos para promovê-las: “Álamo”, “Forte Apache”, “Alcazar de Toledo”, “Tróia”, etc. Foi um sucesso.) No portão principal, você precisa identificar-se, e o chofer do táxi deve deixar sua carteira de identidade com o guarda, para recebê-la quando sair. O pesado portão de aço à prova de canhão abre para deixar passar o táxi e fecha em seguida. Na frente da sua casa você introduz o dinheiro da corrida – 1.800 cruzeiros – num compartimento especial que só abre do lado do chofer quando fecha do lado do passageiro. A porta da sua casa tem uma fechadura de cofre, e mesmo depois de você girar a fecha dura de acordo com a combinação, precisa esperar que sua mulher identifique você pelo olho mágico e depois leve 20 minutos abrindo todas as trancas por dentro. Por precaução, você leva a mão ao revólver enquanto espera.
– Como foi o seu dia? perguntará ela.
– Ótimo. Fui assaltado só duas vezes no centro. Não encontraram o dinheiro no salto falso do sapato nem me levaram o revólver.
– Que bom.
As Vilas de Segurança têm suas próprias escolas, supermercados e centros comerciais. Depois das dez horas ninguém pode sair na rua, sob pena de ser estraçalhado por bandos de cães policiais especialmente treinados para só pouparem médicos e mecânicos de TV, e que patrulham as vilas até o nascer do sol. Você janta com a família. O seu filho pergunta, pela milésima vez, como é o mundo no lado de fora dos muros. E quer saber de novo que estranho som é aquele que ele ouve todas as noites, como se fossem gemidos humanos, de milhares de pessoas, do outro lado do muro. E por que aquelas rajadas de metralhadora, todas as noites? Você e a sua mulher se entreolham, e você explica.
– É a televisão do vizinho, meu filho.

VERISSIMO, L. F. Ed Mort e outras histórias. Porto Alegre: L&PM Editores, 1985.

No excerto “Seus habitantes, durante muito tempo, sobreviveram com a venda de pneus, baterias e outras peças das suas moradias.”, verificam-se pronomes do(s) tipo(s):

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