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Prova Professor de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico - Engenharia de Minas - IFNMG
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Questão 1 de 10 Q1 da prova
Leia o artigo abaixo e responda as questões 1 a 3.
Trabalho e educação profissional: refletindo sobre os conceitos de técnica e tecnologia, Alessandra Bender, publicado na revista Laborare, 2021.

Uma adequada conceituação de técnica é importante para aqueles que exercem a profissão docente no Ensino Básico, Técnico e Tecnológico. É isso o que nos mostra Alessandra Bender no artigo “Trabalho e educação profissional: refletindo sobre os conceitos de técnica e tecnologia”, publicado na revista Laborare, em 2021. Conforme a autora, técnica deve ser compreendida como

Questão 2 de 10 Q2 da prova
No campo educacional, uma perspectiva teórica e metodológica de grande relevância é a da educação politécnica. A educação politécnica representa uma

modalidade de educação na qual os conteúdos das disciplinas escolares estão voltados à formação acadêmica das elites intelectuais, daí seu distanciamento das questões de ordem prática correspondentes ao domínio técnico de processos produtivos.

Questão 3 de 10 Q3 da prova
Leia o trecho a seguir.
“Não há docência sem discência.”
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 2002, p. 25.
Compreender a natureza das relações que tem curso em um processo formativo é essencial para a docência. Paulo Freire é um autor que discute com muita propriedade a questão, como bem resume a citação destacada. Com base nas reflexões de Paulo Freire, “não há docência sem discência” porque

o professor, quando ensina, o faz sempre na presença dos discentes, de modo que os docentes devem necessariamente considerar os alunos no processo de ensino e aprendizagem.

Questão 4 de 10 Q4 da prova
A noção de que o trabalho pode se configurar como um balizador das práticas formativas é bem estabelecida no debate sobre a educação técnica e profissional no Brasil. Nesse domínio, o trabalho como princípio educativo corresponde a uma concepção tributária do pensamento

deweyano.

Questão 5 de 10 Q5 da prova
Leia o texto a seguir.
Certa vez, numa escola da rede municipal de São Paulo que realizava uma reunião de quatro dias com professores e professoras de dez escolas da área para planejar em comum suas atividades pedagógicas, visitei uma sala em que se expunham fotografias das redondezas da escola. Fotografias de ruas enlameadas, de ruas bem postas também. Fotografias de recantos feios que sugeriam tristeza e dificuldades. Fotografias de corpos andando com dificuldade, lentamente, alquebrados, de caras desfeitas, de olhar vago. Um pouco atrás de mim dois professores faziam comentários em torno do que lhes tocava mais de perto. De repente, um deles afirmou: “Há dez anos ensino nesta escola. Jamais conheci nada de sua redondeza além das ruas que lhe dão acesso. Agora, ao ver esta exposição de fotografias que nos revelam um pouco de seu contexto, me convenço de quão precária deve ter sido a minha tarefa formadora durante todos estes anos. Como ensinar, como formar sem estar aberto ao contorno geográfico, social, dos educandos?”
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 2002, p. 154.
O trecho foi retirado do livro Pedagogia da autonomia, de autoria de Paulo Freire. O referido trecho assinala um aspecto marcante da concepção freiriana de educação ao passo que destaca uma situação cotidiana no exercício da docência. Com base nessa concepção de educação e no que traz o trecho em destaque, a atuação dos educadores exige um

conhecimento que vai além da ordem intelectual, compreendendo ainda uma postura ética e didaticamente consciente que ensinar envolve considerar a importância do contorno ecológico, social e econômico no qual educandos e educadores vivem e trabalham.

Questão 6 de 10 Q6 da prova
Leia o texto a seguir.
[...] não podemos dizer que no Brasil a juventude brasileira oriunda da classe trabalhadora pode adiar para depois da educação básica ou do ensino superior o ingresso na atividade econômica. Enquanto o Brasil for um país com as marcas de uma história escrita com a exploração dos trabalhadores, no qual estes não têm a certeza do seu dia seguinte, o sistema sócio-político não pode afirmar que o ensino médio primeiro deve “formar para a vida”, enquanto a profissionalização fica para depois. A classe trabalhadora brasileira e seus filhos não podem esperar por essas condições porque a preocupação com a inserção na vida produtiva é algo que acontece assim que os jovens tomam consciência dos limites que sua relação de classe impõe aos seus projetos de vida.
RAMOS, Marise N. Concepção do ensino médio integrado. Curitiba: SEED, 2008, p. 12.
O excerto pertence a um texto no qual a pesquisadora Marise Ramos discute o ensino médio integrado e a situação da juventude brasileira. Ela pondera sobre a factibilidade da premissa de que o ensino médio deve “formar para a vida” visto que, conforme a autora,

os jovens estudantes brasileiros da classe trabalhadora não possuem a opção de postergar o ingresso em uma atividade produtiva remunerada, o que confirma a pertinência de se conceber uma escola na qual a formação geral e a profissional são tratadas em conjunto.

Questão 7 de 10 Q7 da prova
O ideário da emancipação tem uma longa história no pensamento filosófico e pedagógico, remontando ao iluminismo no século XVIII e a valorização que este confere ao exercício da razão. No que concerne à educação profissional o termo não é incomum, sendo, pois, mobilizado por diversos autores muito conhecidos no âmbito da educação técnica e profissional, tais como Lucília Machado, Marise Ramos e Gaudêncio Frigotto. Considerando o que foi pontuado e considerando as especificidades dos Institutos Federais, o ideário da emancipação nessas instituições visa

constituir um processo formativo que, ao conjugar técnica, ciência e cultura numa perspectiva crítica, promova a autonomia dos educandos e o fortalecimento de valores e disposições éticas orientadas para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Questão 8 de 10 Q8 da prova
Leia o texto a seguir.
No Ensino Médio de um Instituto Federal, uma professora de química, uma professora de história e uma professora de filosofia realizaram, ao longo de um semestre letivo, um projeto conjunto no qual abordaram a Primeira Guerra Mundial sob diversas perspectivas exploradas com base em seu campo disciplinar. Para dar maior organicidade ao projeto as professoras elegeram como fio condutor o tema: o lugar das mulheres na Primeira Guerra Mundial. A professora de história recuperou os fatores que concorreram para a eclosão da Guerra e seus aspectos contextuais, bem como sublinhou o desenvolvimento técnico de máquinas e armas que deram a esse conflito contornos muito especiais nos quais a ação de domínio do ser humano sobre a natureza voltou-se contra ele mesmo. A professora de química localizou entre os atores presentes naquele conflito uma mulher, a cientista Marie Curie. Ela destacou a iniciativa desta importante cientista, então já premiada com o Nobel em Química, em levar seus aparelhos de raios-x para o campo de batalha, um dispositivo novo na época e essencial para tratar adequadamente os feridos. A professora buscou mostrar a trajetória de vida e trabalho de Marie Curie, as valiosas aquisições de suas pesquisas e seus compromissos com a sociedade que deseja fazer parte. A professora de filosofia, tomando como exemplo Marie Curie e outras mulheres que se envolveram ativamente na guerra, buscou com os alunos e alunas construir uma compreensão sobre o sentido da ação humana transformadora do mundo, destacando como as obras dos homens e mulheres podem ter diferentes usos a depender das relações sociais e estruturas de poder que as governam. Em seu conjunto, toda essa elaboração contou com estudos de textos, buscas na internet, produção de maquete, elaboração de sínteses e culminou em um seminário conjunto com as três professoras. Estas retomaram as linhas gerais do que desenvolveram com os alunos e alunas e buscaram, ainda uma vez, por detrás dos fatos históricos e do desenvolvimento da ciência, assinalar a ação humana intencional em seu desenvolvimento, seus condicionamentos, potencialidades e contradições.
O texto acima descreve uma iniciativa pedagógica que congregou três professoras no âmbito do Ensino Médio de um Instituto Federal. Com base no que foi descrito, e considerando as diversas concepções de educação e princípios de organização do ensino, a perspectiva que orienta as professoras é o

trabalho como princípio educativo.

Questão 9 de 10 Q9 da prova
Quando se trata da educação profissional um tema de grande relevância é o da relação entre saber e trabalho. A questão não é simples, pois envolve lidar com uma problemática propriamente epistemológica e termina por tocar em concepções há muito cristalizadas sobre o que é o trabalho e o trabalhar. Os saberes do trabalho se fazem presentes na tecnicidade dos atos no meio laboral e, como bem pondera e observa Alessandra Bender, “não são necessariamente verbalizados” (Bender, 2021, p. 147). Esse aspecto destacado por Alessandra Bender e a problemática descrita coloca exigências ao trabalho didático do docente na educação profissional, pois implica em

abandonar uma visão estreita dos saberes, assimilados aos saberes científicos e formais, e reorientar o olhar na direção da compreensão de que no exercício profissional também se constituem saberes tecidos pela experiência individual e coletiva dos homens e mulheres no trabalho. Esses saberes precisam ser reconhecidos, valorizados e investidos, aspectos sobre os quais o trabalho didático e a ciência podem aportar uma contribuição importante.

Questão 10 de 10 Q10 da prova
Na educação profissional e tecnológica um referencial estruturante é o do trabalho como princípio educativo. Mas se o trabalho pode assumir a condição de ser educativo é preciso, antes, bem compreender e conceituar o que representa o próprio trabalho. Diversos autores brasileiros, como Dermeval Saviani e Marise Nogueira Ramos, convergem a esse respeito. Considerando o aporte desses autores, o trabalho pode ser definido como

atividade própria e específica dos seres humanos e que se consubstancia na ação intencional do ser humano sobre a natureza, transformando a natureza em função de suas necessidades e também se transformando com a própria ação sobre ela. Essa ação sobre a natureza é produtora do mundo material, simbólico, cultural, estético no qual vive a humanidade. Assim o trabalho, em sua forma mais geral, difere-se do emprego, que é a sua forma de gestão na sociedade capitalista.

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