Questões extraídas da Prova :: clique na alternativa correta
0
Acertos
0
Erros
1
Restantes
Questão 1 de 1Q1 da prova
Há casos de professores que parecem vir à aula como se estivessem prestes a enfrentar um inimigo. Trata-se de uma obviedade gigantesca escrever que a universidade é um espaço consagrado ao conhecimento. Mas não é tão óbvio afirmar que, em se tratando de conhecimento oriundo da interação que se estabelece entre professor e aluno, não existe muita coisa a que se pode dar o nome de conhecimento. De maneira geral, as interações entre professor e aluno ocorrem, no espaço acadêmico, sob uma temperatura próxima a zero, de uma frieza infernal. Porque muitos mestres não têm a sensibilidade de tratar o aluno como ele deve ser realmente tratado: não como alguém portador de um registro acadêmico número 000, mas como uma pessoa especial, singular, que merece toda a atenção do mundo, mesmo que o mestre faça parte da constelação (aquela espécie de professores arrogantes, idiotas, que se consideram acima dos demais ou aqueles que se acham, no dizer de uma aluna, “a última bolacha do pacote”). Quantos professores pecam por menosprezar ou ridicularizar uma pergunta feita em aula para praticamente humilhar o aluno diante de seus colegas? O que o professor deseja alcançar com isso? Como pode haver comunicação se entre professor e aluno começa a ser erguido um muro quase intransponível, o da prepotência acadêmico-profissional? Títulos de mestre e de doutor não conferem ao indivíduo a sapiência de tornar-se um profissional humano, que acolhe de igual para igual não só seus alunos, mas seus pares (é engraçado observar que há professores que, embora lotados no mesmo departamento, sequer cumprimentam os colegas). Antes de o indivíduo abraçar a carreira, qualquer que seja sua titulação, ele precisa tornar-se um indivíduo humano, em toda a sua plenitude, que esteja exercendo a função de professor para expandir essa sua individualidade humana, partilhando com seus alunos conhecimentos que considera fundamentais para a vida. Quantos professores tivemos ao longo de nosso percurso escolar, que podemos chamar de professores, não só pelo domínio teórico que apresentavam, mas sobretudo pelo humano que havia neles? Mesmo com o avanço das teorias didático-pedagógicas, ainda grassa no espaço acadêmico o velho paradigma educacional relativo à mantença de uma situação não de interação, mas de poder. Há casos de professores que parecem vir à aula como se estivessem prestes a enfrentar um inimigo. Será que o professor vai ter sua “dignidade” arranhada caso se aproxime do aluno? Na maioria das vezes, a animosidade acaba sendo construída inconscientemente pelo mestre, pela forma de conduzir uma classe como se esta fosse exatamente uma... classe. Por que não começar a enxergar que na classe existem pessoas, pessoas totalmente diferentes, que têm uma experiência de vida espetacular, que são singulares? Impossível? Utópico? Por que será que precisamos manter o espaço acadêmico, a aula, como algo desolador, como algo que é da forma que é porque sempre foi assim? Precisamos nos constituir com os professores humanos, como indivíduos que, numa interação, com base na qual se originam sentimentos de afeição, doação e solidariedade, conseguem transcender os próprios limites dessa interação.