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Questão 1 de 1Q1 da prova
Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 6.
Furto de flor
Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do edifício cochilava e eu furtei a flor. Trouxe -a para casa e coloquei -a no copo com água. Logo senti que ela não estava feliz. O copo destina -se a beber, e flor não é para ser bebida. Passei -a para o vaso, e notei que ela me agradecia, revelando melhor sua delicada composição. Quantas novidades há numa flor, se a contemplarmos bem. Sendo autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá -la. Renovei a água do vaso, mas a flor empalidec ia. Temi por sua vida. Não adiantava restituí -la ao jardim. Nem apelar para o médico das flores. Eu a furtara, eu a via morrer. Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei -a docemente e fui depositá -la no jardim onde desabrochara. O porteiro estava atento e repreendeu -me: – Que ideia a sua, vir jogar lixo de sua casa neste jardim!
Andrade, C . D. Contos plausíveis . Rio de Janeiro, José Olympio, 1985. p. 80.