O Research Domain Criteria (RDoC) é uma proposta de classificação voltada para a pesquisa em psiquiatria, com o objetivo de preencher a lacuna da validade neurobiológica por meio de um forte embasamento neurocientífico. Distancia-se do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) e da Classificação Internacional de Doenças (CID), no sentido de não propor critérios clínicos para diagnósticos, mas sim, para fomentar pesquisas em psiquiatria e psicopatologia, integrando a neurociência como integradora desse processo. O conceito do RDoC reúne tanto as funções psíquicas (sistemas e valências) e as análises biológicas, como genética, circuitos neuronais, fisiologia, comportamento, mecanismos celulares e moleculares como o autorrelato do paciente. O sistema RDoC é composto por seis domínios principais, um dos quais o de Diversos Processos Mentais (Sistemas Cognitivos), que é subdividido em sete subdomínios. O subdomínio que inclui a manutenção ativa dos dados, atualização flexível, capacidade limitada e controle de interferência é
Nas últimas décadas, o emergente campo da cognição social surgiu com grande interesse, tanto na clínica psicopatológica como nas pesquisas, define-se cognição social como o conjunto de processos cognitivos e emocionais através dos quais interpretamos, analisamos, recordamos e utilizamos as informações sobre o mundo social. Refere-se ao modo como pensamos sobre nós mesmos, sobre os demais e seus comportamentos e relações sociais; e como damos sentido a todas essas informações. E, baseados nelas, escolhemos nossos comportamentos. Considerando que a cognição social ocorre através de várias dimensões que a compõem, a dimensão que se refere a um conjunto de percepções, influências e processamentos mentais que permitem ao indivíduo identificar e compreender as intenções, os desejos, as disposições mentais, as crenças e os raciocínios dos outros e de si mesmo é
A psicopatologia é a ciência que estuda a doença mental em todos os seus aspectos, desde a busca pelas causas, passando pelas alterações estruturais e funcionais relacionadas, bem como se ocupa de estudar as formas de manifestação das doenças (sinais e sintomas). Considerando que a psicopatologia descritiva se fundamenta na fenomenologia, o conceito de empatia fenomenológica primordial, que possibilita a avaliação empática do paciente é
Um conceito que tem despertado muito interesse ultimamente é o de Alexitimia. Clinicamente, a presença de Alexitimia se relaciona a um risco aumentado para transtornos somatoformes e para o abuso de substâncias psicoativas, depressão e transtorno de estresse pós-traumático. Define-se Alexitimia como
Leia o relato a seguir. Você me pergunta como eu me sinto... e eu não sei dizer ao certo. Parece que não consigo sentir mais nada. Eu queria, Deus, como eu queria sentir ao menos raiva. Mas parece que o mundo é assim mesmo. Afinal de contas, pra que continuar a sentir as coisas que já não fazem mais sentido serem sentidas? Esse relato é de uma paciente que procurou o ambulatório de psiquiatria. A alteração psicopatológica compatível com o quadro clínico é
Leia o caso clínico a seguir. Paciente M.T, 20 anos, sexo masculino, é acompanhado pela família em consulta médica. A família se preocupou com as alterações de comportamento de M.T, que se iniciaram com isolamento social há cerca de 10 meses. Há 3 semanas, apresenta recusa alimentar convencional, mas comendo pedaços de telha, lixo, lascas de tinta da parede e papel velho. A alteração psicopatológica que define o quadro é
Leia o caso clínico a seguir. Paciente M.J, 35 anos, sexo feminino, é levada às pressas ao Pronto-Socorro, com histórico agudo de desorientação, sonolência excessiva, respiração lenta e superficial. Ao exame físico apresentava rubor facial, bradicardia, hipotensão, ritmo respiratório irregular e miose. Temperatura corporal normal. A família relata que M.J, fazia tratamento para polineuropatia periférica crônica não degenerativa, com crises de dores intensas. A família também relata que havia achado ao lado da cama de M.J, vários comprimidos de alprazolan. Com base no caso acima descrita, a conduta indicada é a administração de
O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento com prevalência mundial estimada em 5,3% na infância e adolescência. Estima-se que 70% dos indivíduos diagnosticados como TDAH na infância atinjam a vida adulta com diversos sintomas do transtorno, bem como comprometimento funcional. Contudo, na fase adulta, nem sempre os sintomas são claros e evidentes como na infância. Além disso, é comum o paciente procurar o atendimento médico não necessariamente pelos sintomas de TDAH, mas sim pelas comorbidades mais prevalentes. Desse modo, a comorbidade prevalente e seu mecanismo de ação fisiológico inerente ao TDAH mais comum é
Leia o caso clínico a seguir. Um homem de 45 anos é encaminhado à avaliação de um psiquiatra forense após ser preso e acusado de um crime de tentativa de homicídio há 3 meses. Na prisão, era frequentemente encontrado vagando desorientado pelos corredores. Ele apresenta comportamento estranho e respostas incomuns, durante a avaliação inicial, com respostas aproximadas. Ao ser questionado sobre seu nome, ele responde com nomes de pessoas famosas, mas de maneira hesitante e incoerente. Quando perguntado sobre a data atual, ele fornece uma resposta incorreta e pouco precisa. Durante a conversa, o paciente apresenta um sorriso irônico e parece desviar o olhar enquanto responde às perguntas. Ele parece confuso e tem dificuldade em manter a atenção. Quando questionado sobre sua localização atual, ele dá respostas vagas e não relacionadas ao lugar em que está preso. Ao ser perguntado sobre o suposto crime, desconversa, como se estivesse confuso. Na entrevista com familiares e testemunhas, não há relatos de antecedentes psicopatológicos ao longo de sua vida. À época do delito, não há descrição de alterações psicopatológicas de grande monta. Durante o exame físico, o paciente parece ter dificuldade em andar de maneira coordenada e seus movimentos são desajeitados. Ele também relata dores de cabeça intermitentes e visão turva, mas não há sinais físicos objetivos que justifiquem esses sintomas. Diante do exposto acima no caso, o diagnóstico psicopatológico compatível e a decisão pericial são, respectivamente:
No estudo do desenvolvimento cognitivo da criança, através da epistemologia, entende-se que o indivíduo se desenvolve a partir da ação sobre o meio em que está inserido, priorizando os fatores biológicos que podem influenciar seu desenvolvimento, sobretudo o cognitivo. Para isso, a criança consegue evoluir cognitivamente através do processo de adaptação cognitiva, que se dá pelos mecanismos de assimilação e acomodação. Quando a criança, ao interagir com o mundo, entende também que é possível mover um carrinho a partir da interação com um barbante que esteja amarrado a ele, ou mover um objeto usando-o, nesse processo de desenvolvimento cognitivo, ele está utilizando a reação terciária (Jean Piaget). O equivalente explicado pela neurociência é que, o crescimento e a conectividade seletiva dos neurônios são o mecanismo básico de toda aprendizagem e adaptação. A aprendizagem pode ser refletida em mudanças neurais de várias maneiras: (1) o crescimento de novos neurônios, (2) a expansão dos neurônios existentes, (3) as mudanças na conectividade e entre os neurônios existentes. Todas essas mudanças são expressões de plasticidade, ou a capacidade do sistema nervoso de mudar. Há, atualmente, evidências suficientes para o fato de que os neurônios demonstram crescimento e mudanças na reação a novas experiências e aprendizado. Os neurônios existentes crescem através da expansão e ramificação dos dendritos que se projetam para outros neurônios. Os neurônios se interconectam para formar redes neurais, que, por sua vez, se integram entre si para realizar tarefas cada vez mais complexas. O mecanismo neural associado e complementar aos mecanismos já expostos que estão associados aos processos de aprendizagem é
A Lei nº 10216/2001 estabelece os parâmetros do novo modelo de assistência em saúde mental, bem como versa sobre as indicações e regras gerais para a realização de internações psiquiátricas. Em seu artigo 6º, sobre as internações psiquiátricas, a lei estabelece que a internação























