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Prova Farmacêutico Bioquímico - UFV
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Questão 1 de 35 Q1 da prova
Leia o texto abaixo e responda às questões a ele pertinentes:

Eta povo bom danado

1º § Nosso povo é bom e até já foi melhor do que é hoje. Antigamente, éramos dulcíssimos, alegríssimos, tolerantíssimos, bondosíssimos, solidaríssimos, nossa História não narrava episódios de violência, não tínhamos nem vulcãozinho, um furacãozinho ou outras catástrofes naturais. Hoje, já não é mais bem assim. Lembramos, embora sem muito afinco, a escravidão, mantida até hoje, Canudos, a Revolta da Marinha e muitos outros episódios — e até uns abalos sísmicos e uns vendavais meio furacanescos vêm contribuindo para que não nos achemos mais tão abençoados assim e já há quem acredite que Deus devolveu seu passaporte brasileiro e hoje reside no Liechtenstein.
2º § Mas continuamos bons, notadamente em campanhas eleitorais, quando o povo, que nunca é culpado de nada, recebe os mais bajoulos elogios. O povo é trabalhador, ordeiro, disciplinado, cordial, boníssimo, alegríssimo etc. Ruins são “eles”, nunca nós. Mas, afinal, quem é o povo? Não somos nós mesmos? “Eles” são por acaso extraterrestres, ou mesmo estrangeiros (houve um tempo em que eram, principalmente os americanos, mas isso já deixou de colar faz tempo)? Não, não, somos nós mesmos. E, com perdão da má palavra, pois já fui metido a comunista e me lembro dela com arrepios, um pouco de autocrítica não faz mal a ninguém.
3º § Pois então, vamos pôr um pouco a mão na consciência, e com cuidado, senão pode doer bastante. É verdade ou não é que somos ótimos de cobrança e ruins de pagança? Andando a pé pelas ruas, denunciamos ferozmente os motoristas irresponsáveis, xingamos quem avança o sinal e abanamos desgostosamente a cabeça diante de filas duplas ou triplas, carros nas calçadas e outras abominações. Já ao volante de um carro, aceleramos na direção de pedestres (e, quando parados no sinal, damos uma aceleradinha em ponto morto, só para sobressaltar o infeliz que nos impede de prosseguir), nos consideramos no direito líquido e certo de atropelar e matar quem quer que esteja atravessando fora da faixa, bandalhamos à vontade, estacionamos na calçada e, se por acaso amassamos um carro parado sem ninguém dentro, jamais nos ocorre deixar um bilhete, com o número do telefone e a promessa de pagar o prejuízo.
4º § A depender do lado do balcão de serviços em que estejamos, somos pessoas muito diversas. Se estamos no lado a ser servido, vociferamos contra funcionários públicos, bancários e assemelhados que, por trás do guichê, em última análise, não somos nós também? Não blateramos encolerizados, quando ouvimos dizer que a polícia é corrupta? E, no entanto, quantos de nós já deram a “cervejinha” do guarda de trânsito ou oferecemos um “por fora” para que se quebre o galho e nos livrem daquilo a que legalmente estamos obrigados, para obedecermos à norma ou porque violentamos a norma? [...]
5º § O Maracanã em dia de clássico, linda festa do povo, bandeiras desfraldadas, catarse sublime, mitologia nacional a todo vapor, não é mesmo? É, sim, e, no dia da reabertura, só de torneiras arrancadas e furtadas houve centenas. Não se pode pôr espelhos nos banheiros, porque dão um jeito de levá-los. É, falar em banheiro, o da tribuna de honra (não o do “povão”, outro nome artístico para eles, nunca nós), segundo li nos jornais, estava em tais condições depois do jogo que daria náuseas a um suíno, mesmo de má formação. E quem tortura e mata, destrói orelhões, mutila estátuas, arrebenta lâmpadas, emporcalha as ruas, esburaca calçadas e depreda árvores? Quem fornece ao comércio de tóxicos o seu mercado e seu consequente poder? Eles, eles, eles fazem tudo isso. Eles são tão capazes de qualquer coisa que, sem a menor piedade, passam trotes cruéis a famílias de sequestrados e desaparecidos, aparentemente pelo simples prazer de causar mais sofrimento.
6º § Claro que há gente que não faz nada disso, mas a mentalidade de que são “eles” precisa acabar. E, junto com ela, a mania de arranjar um bode expiatório, sempre externo a nós e mais poderoso do que nós. Já foi o imperialismo americano, é a colonização portuguesa, o catolicismo, a mestiçagem, a falta de pena de morte, o ouro de Moscou, nosso mapa astrológico, qualquer coisa, porque, afinal, somos um povo bom. Não somos. Somos um povo como outro qualquer, gente como outra qualquer. Óbvio que somos culturalmente diversos dos outros povos, mas, no que isso é negativo — como nosso individualismo quase desumano, nossa generalizada atitude de “farinha pouca, meu pirão primeiro”, ou “dane-se o avião, que eu não sou piloto” etc. — podemos trabalhar para mudar.
7º § Embora eu considere besteira essa conversa de haver povos melhores ou piores do que outros, não custa provocar um pouco. Talvez, quem sabe, sejamos, não bons, mas maus. Pois não recebemos um dos países mais ricos do mundo e não vivemos perpetuamente assombrados pela miséria, pela instabilidade, pela fome e pela violência? [...]
(RIBEIRO, João Ubaldo. Eta povo bom danado. O Globo. 12 nov. 1995, 1º Caderno, p. 7.)

Considerando o sentido geral do texto, é CORRETO afirmar que o autor:

Questão 2 de 35 Q2 da prova
Leia o texto abaixo e responda às questões a ele pertinentes:

Eta povo bom danado

1º § Nosso povo é bom e até já foi melhor do que é hoje. Antigamente, éramos dulcíssimos, alegríssimos, tolerantíssimos, bondosíssimos, solidaríssimos, nossa História não narrava episódios de violência, não tínhamos nem vulcãozinho, um furacãozinho ou outras catástrofes naturais. Hoje, já não é mais bem assim. Lembramos, embora sem muito afinco, a escravidão, mantida até hoje, Canudos, a Revolta da Marinha e muitos outros episódios — e até uns abalos sísmicos e uns vendavais meio furacanescos vêm contribuindo para que não nos achemos mais tão abençoados assim e já há quem acredite que Deus devolveu seu passaporte brasileiro e hoje reside no Liechtenstein.
2º § Mas continuamos bons, notadamente em campanhas eleitorais, quando o povo, que nunca é culpado de nada, recebe os mais bajoulos elogios. O povo é trabalhador, ordeiro, disciplinado, cordial, boníssimo, alegríssimo etc. Ruins são “eles”, nunca nós. Mas, afinal, quem é o povo? Não somos nós mesmos? “Eles” são por acaso extraterrestres, ou mesmo estrangeiros (houve um tempo em que eram, principalmente os americanos, mas isso já deixou de colar faz tempo)? Não, não, somos nós mesmos. E, com perdão da má palavra, pois já fui metido a comunista e me lembro dela com arrepios, um pouco de autocrítica não faz mal a ninguém.
3º § Pois então, vamos pôr um pouco a mão na consciência, e com cuidado, senão pode doer bastante. É verdade ou não é que somos ótimos de cobrança e ruins de pagança? Andando a pé pelas ruas, denunciamos ferozmente os motoristas irresponsáveis, xingamos quem avança o sinal e abanamos desgostosamente a cabeça diante de filas duplas ou triplas, carros nas calçadas e outras abominações. Já ao volante de um carro, aceleramos na direção de pedestres (e, quando parados no sinal, damos uma aceleradinha em ponto morto, só para sobressaltar o infeliz que nos impede de prosseguir), nos consideramos no direito líquido e certo de atropelar e matar quem quer que esteja atravessando fora da faixa, bandalhamos à vontade, estacionamos na calçada e, se por acaso amassamos um carro parado sem ninguém dentro, jamais nos ocorre deixar um bilhete, com o número do telefone e a promessa de pagar o prejuízo.
4º § A depender do lado do balcão de serviços em que estejamos, somos pessoas muito diversas. Se estamos no lado a ser servido, vociferamos contra funcionários públicos, bancários e assemelhados que, por trás do guichê, em última análise, não somos nós também? Não blateramos encolerizados, quando ouvimos dizer que a polícia é corrupta? E, no entanto, quantos de nós já deram a “cervejinha” do guarda de trânsito ou oferecemos um “por fora” para que se quebre o galho e nos livrem daquilo a que legalmente estamos obrigados, para obedecermos à norma ou porque violentamos a norma? [...]
5º § O Maracanã em dia de clássico, linda festa do povo, bandeiras desfraldadas, catarse sublime, mitologia nacional a todo vapor, não é mesmo? É, sim, e, no dia da reabertura, só de torneiras arrancadas e furtadas houve centenas. Não se pode pôr espelhos nos banheiros, porque dão um jeito de levá-los. É, falar em banheiro, o da tribuna de honra (não o do “povão”, outro nome artístico para eles, nunca nós), segundo li nos jornais, estava em tais condições depois do jogo que daria náuseas a um suíno, mesmo de má formação. E quem tortura e mata, destrói orelhões, mutila estátuas, arrebenta lâmpadas, emporcalha as ruas, esburaca calçadas e depreda árvores? Quem fornece ao comércio de tóxicos o seu mercado e seu consequente poder? Eles, eles, eles fazem tudo isso. Eles são tão capazes de qualquer coisa que, sem a menor piedade, passam trotes cruéis a famílias de sequestrados e desaparecidos, aparentemente pelo simples prazer de causar mais sofrimento.
6º § Claro que há gente que não faz nada disso, mas a mentalidade de que são “eles” precisa acabar. E, junto com ela, a mania de arranjar um bode expiatório, sempre externo a nós e mais poderoso do que nós. Já foi o imperialismo americano, é a colonização portuguesa, o catolicismo, a mestiçagem, a falta de pena de morte, o ouro de Moscou, nosso mapa astrológico, qualquer coisa, porque, afinal, somos um povo bom. Não somos. Somos um povo como outro qualquer, gente como outra qualquer. Óbvio que somos culturalmente diversos dos outros povos, mas, no que isso é negativo — como nosso individualismo quase desumano, nossa generalizada atitude de “farinha pouca, meu pirão primeiro”, ou “dane-se o avião, que eu não sou piloto” etc. — podemos trabalhar para mudar.
7º § Embora eu considere besteira essa conversa de haver povos melhores ou piores do que outros, não custa provocar um pouco. Talvez, quem sabe, sejamos, não bons, mas maus. Pois não recebemos um dos países mais ricos do mundo e não vivemos perpetuamente assombrados pela miséria, pela instabilidade, pela fome e pela violência? [...]
(RIBEIRO, João Ubaldo. Eta povo bom danado. O Globo. 12 nov. 1995, 1º Caderno, p. 7.)

É CORRETO afirmar que a generalizada atitude de “farinha pouca, meu pirão primeiro” ou “dane-se o avião, que eu não sou piloto”, mencionada no 6º §, revela:

Questão 3 de 35 Q3 da prova
Leia o texto abaixo e responda às questões a ele pertinentes:

Eta povo bom danado

1º § Nosso povo é bom e até já foi melhor do que é hoje. Antigamente, éramos dulcíssimos, alegríssimos, tolerantíssimos, bondosíssimos, solidaríssimos, nossa História não narrava episódios de violência, não tínhamos nem vulcãozinho, um furacãozinho ou outras catástrofes naturais. Hoje, já não é mais bem assim. Lembramos, embora sem muito afinco, a escravidão, mantida até hoje, Canudos, a Revolta da Marinha e muitos outros episódios — e até uns abalos sísmicos e uns vendavais meio furacanescos vêm contribuindo para que não nos achemos mais tão abençoados assim e já há quem acredite que Deus devolveu seu passaporte brasileiro e hoje reside no Liechtenstein.
2º § Mas continuamos bons, notadamente em campanhas eleitorais, quando o povo, que nunca é culpado de nada, recebe os mais bajoulos elogios. O povo é trabalhador, ordeiro, disciplinado, cordial, boníssimo, alegríssimo etc. Ruins são “eles”, nunca nós. Mas, afinal, quem é o povo? Não somos nós mesmos? “Eles” são por acaso extraterrestres, ou mesmo estrangeiros (houve um tempo em que eram, principalmente os americanos, mas isso já deixou de colar faz tempo)? Não, não, somos nós mesmos. E, com perdão da má palavra, pois já fui metido a comunista e me lembro dela com arrepios, um pouco de autocrítica não faz mal a ninguém.
3º § Pois então, vamos pôr um pouco a mão na consciência, e com cuidado, senão pode doer bastante. É verdade ou não é que somos ótimos de cobrança e ruins de pagança? Andando a pé pelas ruas, denunciamos ferozmente os motoristas irresponsáveis, xingamos quem avança o sinal e abanamos desgostosamente a cabeça diante de filas duplas ou triplas, carros nas calçadas e outras abominações. Já ao volante de um carro, aceleramos na direção de pedestres (e, quando parados no sinal, damos uma aceleradinha em ponto morto, só para sobressaltar o infeliz que nos impede de prosseguir), nos consideramos no direito líquido e certo de atropelar e matar quem quer que esteja atravessando fora da faixa, bandalhamos à vontade, estacionamos na calçada e, se por acaso amassamos um carro parado sem ninguém dentro, jamais nos ocorre deixar um bilhete, com o número do telefone e a promessa de pagar o prejuízo.
4º § A depender do lado do balcão de serviços em que estejamos, somos pessoas muito diversas. Se estamos no lado a ser servido, vociferamos contra funcionários públicos, bancários e assemelhados que, por trás do guichê, em última análise, não somos nós também? Não blateramos encolerizados, quando ouvimos dizer que a polícia é corrupta? E, no entanto, quantos de nós já deram a “cervejinha” do guarda de trânsito ou oferecemos um “por fora” para que se quebre o galho e nos livrem daquilo a que legalmente estamos obrigados, para obedecermos à norma ou porque violentamos a norma? [...]
5º § O Maracanã em dia de clássico, linda festa do povo, bandeiras desfraldadas, catarse sublime, mitologia nacional a todo vapor, não é mesmo? É, sim, e, no dia da reabertura, só de torneiras arrancadas e furtadas houve centenas. Não se pode pôr espelhos nos banheiros, porque dão um jeito de levá-los. É, falar em banheiro, o da tribuna de honra (não o do “povão”, outro nome artístico para eles, nunca nós), segundo li nos jornais, estava em tais condições depois do jogo que daria náuseas a um suíno, mesmo de má formação. E quem tortura e mata, destrói orelhões, mutila estátuas, arrebenta lâmpadas, emporcalha as ruas, esburaca calçadas e depreda árvores? Quem fornece ao comércio de tóxicos o seu mercado e seu consequente poder? Eles, eles, eles fazem tudo isso. Eles são tão capazes de qualquer coisa que, sem a menor piedade, passam trotes cruéis a famílias de sequestrados e desaparecidos, aparentemente pelo simples prazer de causar mais sofrimento.
6º § Claro que há gente que não faz nada disso, mas a mentalidade de que são “eles” precisa acabar. E, junto com ela, a mania de arranjar um bode expiatório, sempre externo a nós e mais poderoso do que nós. Já foi o imperialismo americano, é a colonização portuguesa, o catolicismo, a mestiçagem, a falta de pena de morte, o ouro de Moscou, nosso mapa astrológico, qualquer coisa, porque, afinal, somos um povo bom. Não somos. Somos um povo como outro qualquer, gente como outra qualquer. Óbvio que somos culturalmente diversos dos outros povos, mas, no que isso é negativo — como nosso individualismo quase desumano, nossa generalizada atitude de “farinha pouca, meu pirão primeiro”, ou “dane-se o avião, que eu não sou piloto” etc. — podemos trabalhar para mudar.
7º § Embora eu considere besteira essa conversa de haver povos melhores ou piores do que outros, não custa provocar um pouco. Talvez, quem sabe, sejamos, não bons, mas maus. Pois não recebemos um dos países mais ricos do mundo e não vivemos perpetuamente assombrados pela miséria, pela instabilidade, pela fome e pela violência? [...]
(RIBEIRO, João Ubaldo. Eta povo bom danado. O Globo. 12 nov. 1995, 1º Caderno, p. 7.)

Tendo em vista o sentido geral do texto, a oposição a partir da qual se constrói a argumentação principal do autor é:

Questão 4 de 35 Q4 da prova
Leia o texto abaixo e responda às questões a ele pertinentes:

Eta povo bom danado

1º § Nosso povo é bom e até já foi melhor do que é hoje. Antigamente, éramos dulcíssimos, alegríssimos, tolerantíssimos, bondosíssimos, solidaríssimos, nossa História não narrava episódios de violência, não tínhamos nem vulcãozinho, um furacãozinho ou outras catástrofes naturais. Hoje, já não é mais bem assim. Lembramos, embora sem muito afinco, a escravidão, mantida até hoje, Canudos, a Revolta da Marinha e muitos outros episódios — e até uns abalos sísmicos e uns vendavais meio furacanescos vêm contribuindo para que não nos achemos mais tão abençoados assim e já há quem acredite que Deus devolveu seu passaporte brasileiro e hoje reside no Liechtenstein.
2º § Mas continuamos bons, notadamente em campanhas eleitorais, quando o povo, que nunca é culpado de nada, recebe os mais bajoulos elogios. O povo é trabalhador, ordeiro, disciplinado, cordial, boníssimo, alegríssimo etc. Ruins são “eles”, nunca nós. Mas, afinal, quem é o povo? Não somos nós mesmos? “Eles” são por acaso extraterrestres, ou mesmo estrangeiros (houve um tempo em que eram, principalmente os americanos, mas isso já deixou de colar faz tempo)? Não, não, somos nós mesmos. E, com perdão da má palavra, pois já fui metido a comunista e me lembro dela com arrepios, um pouco de autocrítica não faz mal a ninguém.
3º § Pois então, vamos pôr um pouco a mão na consciência, e com cuidado, senão pode doer bastante. É verdade ou não é que somos ótimos de cobrança e ruins de pagança? Andando a pé pelas ruas, denunciamos ferozmente os motoristas irresponsáveis, xingamos quem avança o sinal e abanamos desgostosamente a cabeça diante de filas duplas ou triplas, carros nas calçadas e outras abominações. Já ao volante de um carro, aceleramos na direção de pedestres (e, quando parados no sinal, damos uma aceleradinha em ponto morto, só para sobressaltar o infeliz que nos impede de prosseguir), nos consideramos no direito líquido e certo de atropelar e matar quem quer que esteja atravessando fora da faixa, bandalhamos à vontade, estacionamos na calçada e, se por acaso amassamos um carro parado sem ninguém dentro, jamais nos ocorre deixar um bilhete, com o número do telefone e a promessa de pagar o prejuízo.
4º § A depender do lado do balcão de serviços em que estejamos, somos pessoas muito diversas. Se estamos no lado a ser servido, vociferamos contra funcionários públicos, bancários e assemelhados que, por trás do guichê, em última análise, não somos nós também? Não blateramos encolerizados, quando ouvimos dizer que a polícia é corrupta? E, no entanto, quantos de nós já deram a “cervejinha” do guarda de trânsito ou oferecemos um “por fora” para que se quebre o galho e nos livrem daquilo a que legalmente estamos obrigados, para obedecermos à norma ou porque violentamos a norma? [...]
5º § O Maracanã em dia de clássico, linda festa do povo, bandeiras desfraldadas, catarse sublime, mitologia nacional a todo vapor, não é mesmo? É, sim, e, no dia da reabertura, só de torneiras arrancadas e furtadas houve centenas. Não se pode pôr espelhos nos banheiros, porque dão um jeito de levá-los. É, falar em banheiro, o da tribuna de honra (não o do “povão”, outro nome artístico para eles, nunca nós), segundo li nos jornais, estava em tais condições depois do jogo que daria náuseas a um suíno, mesmo de má formação. E quem tortura e mata, destrói orelhões, mutila estátuas, arrebenta lâmpadas, emporcalha as ruas, esburaca calçadas e depreda árvores? Quem fornece ao comércio de tóxicos o seu mercado e seu consequente poder? Eles, eles, eles fazem tudo isso. Eles são tão capazes de qualquer coisa que, sem a menor piedade, passam trotes cruéis a famílias de sequestrados e desaparecidos, aparentemente pelo simples prazer de causar mais sofrimento.
6º § Claro que há gente que não faz nada disso, mas a mentalidade de que são “eles” precisa acabar. E, junto com ela, a mania de arranjar um bode expiatório, sempre externo a nós e mais poderoso do que nós. Já foi o imperialismo americano, é a colonização portuguesa, o catolicismo, a mestiçagem, a falta de pena de morte, o ouro de Moscou, nosso mapa astrológico, qualquer coisa, porque, afinal, somos um povo bom. Não somos. Somos um povo como outro qualquer, gente como outra qualquer. Óbvio que somos culturalmente diversos dos outros povos, mas, no que isso é negativo — como nosso individualismo quase desumano, nossa generalizada atitude de “farinha pouca, meu pirão primeiro”, ou “dane-se o avião, que eu não sou piloto” etc. — podemos trabalhar para mudar.
7º § Embora eu considere besteira essa conversa de haver povos melhores ou piores do que outros, não custa provocar um pouco. Talvez, quem sabe, sejamos, não bons, mas maus. Pois não recebemos um dos países mais ricos do mundo e não vivemos perpetuamente assombrados pela miséria, pela instabilidade, pela fome e pela violência? [...]
(RIBEIRO, João Ubaldo. Eta povo bom danado. O Globo. 12 nov. 1995, 1º Caderno, p. 7.)

Nesta crônica, de forma inteligente e criativa, o autor tece críticas a determinadas atitudes dos brasileiros, em geral. Entre as críticas abaixo relacionadas, aquela que NÃO se pode depreender do texto é:

Questão 5 de 35 Q5 da prova
Leia o texto abaixo e responda às questões a ele pertinentes:

Eta povo bom danado

1º § Nosso povo é bom e até já foi melhor do que é hoje. Antigamente, éramos dulcíssimos, alegríssimos, tolerantíssimos, bondosíssimos, solidaríssimos, nossa História não narrava episódios de violência, não tínhamos nem vulcãozinho, um furacãozinho ou outras catástrofes naturais. Hoje, já não é mais bem assim. Lembramos, embora sem muito afinco, a escravidão, mantida até hoje, Canudos, a Revolta da Marinha e muitos outros episódios — e até uns abalos sísmicos e uns vendavais meio furacanescos vêm contribuindo para que não nos achemos mais tão abençoados assim e já há quem acredite que Deus devolveu seu passaporte brasileiro e hoje reside no Liechtenstein.
2º § Mas continuamos bons, notadamente em campanhas eleitorais, quando o povo, que nunca é culpado de nada, recebe os mais bajoulos elogios. O povo é trabalhador, ordeiro, disciplinado, cordial, boníssimo, alegríssimo etc. Ruins são “eles”, nunca nós. Mas, afinal, quem é o povo? Não somos nós mesmos? “Eles” são por acaso extraterrestres, ou mesmo estrangeiros (houve um tempo em que eram, principalmente os americanos, mas isso já deixou de colar faz tempo)? Não, não, somos nós mesmos. E, com perdão da má palavra, pois já fui metido a comunista e me lembro dela com arrepios, um pouco de autocrítica não faz mal a ninguém.
3º § Pois então, vamos pôr um pouco a mão na consciência, e com cuidado, senão pode doer bastante. É verdade ou não é que somos ótimos de cobrança e ruins de pagança? Andando a pé pelas ruas, denunciamos ferozmente os motoristas irresponsáveis, xingamos quem avança o sinal e abanamos desgostosamente a cabeça diante de filas duplas ou triplas, carros nas calçadas e outras abominações. Já ao volante de um carro, aceleramos na direção de pedestres (e, quando parados no sinal, damos uma aceleradinha em ponto morto, só para sobressaltar o infeliz que nos impede de prosseguir), nos consideramos no direito líquido e certo de atropelar e matar quem quer que esteja atravessando fora da faixa, bandalhamos à vontade, estacionamos na calçada e, se por acaso amassamos um carro parado sem ninguém dentro, jamais nos ocorre deixar um bilhete, com o número do telefone e a promessa de pagar o prejuízo.
4º § A depender do lado do balcão de serviços em que estejamos, somos pessoas muito diversas. Se estamos no lado a ser servido, vociferamos contra funcionários públicos, bancários e assemelhados que, por trás do guichê, em última análise, não somos nós também? Não blateramos encolerizados, quando ouvimos dizer que a polícia é corrupta? E, no entanto, quantos de nós já deram a “cervejinha” do guarda de trânsito ou oferecemos um “por fora” para que se quebre o galho e nos livrem daquilo a que legalmente estamos obrigados, para obedecermos à norma ou porque violentamos a norma? [...]
5º § O Maracanã em dia de clássico, linda festa do povo, bandeiras desfraldadas, catarse sublime, mitologia nacional a todo vapor, não é mesmo? É, sim, e, no dia da reabertura, só de torneiras arrancadas e furtadas houve centenas. Não se pode pôr espelhos nos banheiros, porque dão um jeito de levá-los. É, falar em banheiro, o da tribuna de honra (não o do “povão”, outro nome artístico para eles, nunca nós), segundo li nos jornais, estava em tais condições depois do jogo que daria náuseas a um suíno, mesmo de má formação. E quem tortura e mata, destrói orelhões, mutila estátuas, arrebenta lâmpadas, emporcalha as ruas, esburaca calçadas e depreda árvores? Quem fornece ao comércio de tóxicos o seu mercado e seu consequente poder? Eles, eles, eles fazem tudo isso. Eles são tão capazes de qualquer coisa que, sem a menor piedade, passam trotes cruéis a famílias de sequestrados e desaparecidos, aparentemente pelo simples prazer de causar mais sofrimento.
6º § Claro que há gente que não faz nada disso, mas a mentalidade de que são “eles” precisa acabar. E, junto com ela, a mania de arranjar um bode expiatório, sempre externo a nós e mais poderoso do que nós. Já foi o imperialismo americano, é a colonização portuguesa, o catolicismo, a mestiçagem, a falta de pena de morte, o ouro de Moscou, nosso mapa astrológico, qualquer coisa, porque, afinal, somos um povo bom. Não somos. Somos um povo como outro qualquer, gente como outra qualquer. Óbvio que somos culturalmente diversos dos outros povos, mas, no que isso é negativo — como nosso individualismo quase desumano, nossa generalizada atitude de “farinha pouca, meu pirão primeiro”, ou “dane-se o avião, que eu não sou piloto” etc. — podemos trabalhar para mudar.
7º § Embora eu considere besteira essa conversa de haver povos melhores ou piores do que outros, não custa provocar um pouco. Talvez, quem sabe, sejamos, não bons, mas maus. Pois não recebemos um dos países mais ricos do mundo e não vivemos perpetuamente assombrados pela miséria, pela instabilidade, pela fome e pela violência? [...]
(RIBEIRO, João Ubaldo. Eta povo bom danado. O Globo. 12 nov. 1995, 1º Caderno, p. 7.)

Para enfatizar as críticas que faz ao comportamento dos brasileiros em geral, o autor utiliza uma linguagem por vezes sarcástica, irônica, em tom de humor. Dos trechos abaixo, extraídos do texto, aquele que NÃO apresenta esta característica é:

Questão 6 de 35 Q6 da prova

A alternativa em que o termo em destaque NÃO tem o mesmo sentido que o da palavra ou expressão sublinhada na passagem do texto é:

Questão 7 de 35 Q7 da prova

A alternativa em que o pronome sublinhado NÃO faz referência ao termo ou expressão em destaque é:

Questão 8 de 35 Q8 da prova

Com relação às passagens acima, ambas extraídas do 6º §, é CORRETO afirmar que a segunda:

Questão 9 de 35 Q9 da prova

Das palavras abaixo, aquela em que o elemento auto tem sentido distinto do que aparece na passagem do texto é:

Questão 10 de 35 Q10 da prova

Das alterações processadas na passagem acima, assinale aquela em que há ERRO de regência:

Questão 11 de 35 Q11 da prova

A sentença em que a concordância do adjetivo sublinhado está INCORRETA, com relação à norma culta da língua, é:

Questão 12 de 35 Q12 da prova

Das alterações processadas na passagem acima, aquela em que a concordância do verbo em destaque está em DESACORDO com a norma culta da língua é:

Questão 13 de 35 Q13 da prova

Atentando para a grafia das palavras, a alternativa em que as lacunas são CORRETAMENTE preenchidas por mal e senão, respectivamente, é:

Questão 14 de 35 Q14 da prova

Das alterações processadas na passagem acima, aquela em que a inserção do operador argumentativo em destaque NÃO acarreta mudança de sentido no texto é:

Questão 15 de 35 Q15 da prova

Quanto à pontuação, a sentença que está CORRETA, segundo a norma culta, é:

Questão 16 de 35 Q16 da prova

Em relação à coleta de sangue, a ordem CORRETA dos procedimentos é:

Questão 17 de 35 Q17 da prova

A descrição da série vermelha no esfregaço sanguíneo é de grande importância para o clínico, auxiliando-o no diagnóstico. Correlacione os achados morfológicos dos eritrócitos (coluna I) com suas respectivas correspondências clínicas (coluna II):

Questão 18 de 35 Q18 da prova

A gonorreia é diagnosticada laboratorialmente pelo achado de diplococos Gram:

Questão 19 de 35 Q19 da prova

Paciente, 22 anos de idade, relata sangramento genital ao coito e secreção amarelada por via vaginal há cerca de 3 semanas. Não apresenta dores articulares. Ao exame vaginal: apresenta colo friável banhado em secreção purulenta. Por meio dos resultados laboratoriais verificou-se: teste de gravidez negativo e secreção corada por Giemsa, mostrando corpos reticulados intracelulares. O diagnóstico etiológico mais provável é:

Questão 20 de 35 Q20 da prova

A presença de sangue na urina, hematúria (HM), possui grande importância clínica e deve ser investigada laboratorialmente, no intuito de determinar sua origem, que pode ser variada. O uso de diversos exames a fim de confirmar sua etiologia é fundamental para diagnosticar se o quadro patológico está presente ou não. Há várias classificações para hematúria podendo ser considerada conforme os constituintes encontrados, como: hemácias íntegras, hemoglobina (hemoglobinúria) ou mioglobina (mioglobinúria). A HM, também pode ser classificada em macroscópica ou microscópica. São considerados achados clínicos correlacionados à HM com a presença de hemácias íntegras:

Questão 21 de 35 Q21 da prova

Dentre os marcadores endógenos utilizados na estimativa de TFG, destacam-se: Ureia, Creatinina e Cistatina C. Com relação a estes marcadores, assinale a afirmativa CORRETA:

Questão 22 de 35 Q22 da prova

O colesterol HDL é considerado o “bom colesterol” porque:

Questão 23 de 35 Q23 da prova

A frutosamina pode ser utilizada como parâmetro auxiliar para o controle glicêmico de portadores de Diabetes Melito. Assinale a afirmativa CORRETA em relação à frutosamina:

Questão 24 de 35 Q24 da prova

A dermatite atópica é uma doença genética, crônica e que apresenta pele seca, erupções que coçam e crostas. Nos casos mais graves, pode acometer grande parte da superfície corporal. Na dermatite atópica grave não responsiva ao tratamento habitual, o uso de imunossupressão sistêmica está indicado. O uso da ciclosporina deve ser acompanhado da monitorização:

Questão 25 de 35 Q25 da prova

A tuberculose é uma das doenças infecciosas mais mortais do mundo. A cada ano, cerca de 1,5 milhão de pessoas morrem, enquanto outros 9,6 milhões sofrem com a doença, principalmente em países em desenvolvimento. Sobre a prova tuberculínica (PPD), que é um método auxiliar no diagnóstico da tuberculose, é CORRETO afirmar que:

Questão 26 de 35 Q26 da prova

Para realizar um teste micológico direto, um laboratorista precisa preparar 100 mL de KOH a 20%. Ele tem à sua disposição KOH com grau de pureza de 80%. A massa que deverá ser pesada será de:

Questão 27 de 35 Q27 da prova

Ao fazer um teste oral de tolerância à glicose, um paciente fez duas coletas, uma de jejum e outra 2 horas após a ingestão de 75 g de glicose. Porém a solução tinha sido preparada com glicose hidratada e não foi feita a correção. Foram obtidos os seguintes resultados: Glicemia de jejum: 187 mg/dL; Glicemia após 2 horas de sobrecarga da glicose: 260 mg/dL. Sobre os aspectos pré-analíticos, considere as seguintes afirmativas: I. A primeira dosagem não foi comprometida pelo preparo incorreto da solução de glicose. II. O resultado da segunda dosagem não teve influência do preparo da solução de glicose, uma vez que a glicose hidratada possui a mesma massa molecular que a glicose anidra. III. O resultado esperado na segunda dosagem seria menor, caso a solução de glicose tivesse sido preparada com glicose anidra. É CORRETO o que se afirma apenas em:

Questão 28 de 35 Q28 da prova

A morfologia dos fungos pode ter um papel importante na diferenciação das micoses. Dentre as espécies abaixo, aquela que NÃO constitui exemplo de um fungo dimórfico é:

Questão 29 de 35 Q29 da prova

O tratamento das micoses pode ter um auxílio importante no laboratório de análises clínicas. Esse fato pode se apoiar na identificação de estruturas dos fungos tanto nos exames a fresco, como em culturas. Com relação ao tratamento das micoses, é CORRETO afirmar que:

Questão 30 de 35 Q30 da prova

A leishmaniose é uma doença do sistema fagocítico mononuclear causada por protozoários cinetoplastídeos do gênero Leishmania. Os vetores transmissores da leishmaniose pertencem aos gêneros:

Questão 31 de 35 Q31 da prova

Ao realizar o controle de qualidade interno em um laboratório, os seguintes resultados foram obtidos para a dosagem em triplicata de uma amostra controle de glicose: Dosagem 1: 69 mg/dL; Dosagem 2: 72 mg/dL; Dosagem 3: 60 mg/dL. O valor médio esperado era de 70 mg/dL e desvio padrão (SD) 3,5 mg/dL, considerando aceitável a diferença de +/- 1 SD da média. No que se refere às dosagens, leia as afirmativas abaixo: I. Todas as dosagens estão dentro dos limites aceitáveis. II. Somente as dosagens 1 e 2 ficaram dentro dos limites aceitáveis. III. A dosagem 3 poderá ser utilizada na média geral, uma vez que está dentro dos limites aceitáveis. É CORRETO o que se afirma apenas em:

Questão 32 de 35 Q32 da prova

A conservação da amostra biológica pode ser um fator determinante da qualidade na realização dos exames. A velocidade no processo de congelamento do soro ou plasma pode interferir na estabilidade da amostra. Com relação a esse processo, é CORRETO afirmar que:

Questão 33 de 35 Q33 da prova

Segundo a RDC 302/2005, o Laboratório de Análises Clínicas assegura a confiabilidade dos serviços laboratoriais prestados por meio de, no mínimo:

Questão 34 de 35 Q34 da prova

No diagnóstico da malária, as extensões sanguíneas podem ser úteis na identificação dos parasitas. É muito importante que a coloração seja adequada para que detalhes do agente possam ser identificados. Dentre os corantes, os melhores resultados para identificação do parasita da malária (Leishmania) são obtidos pela coloração com:

Questão 35 de 35 Q35 da prova

Os fatores pré-analíticos, analíticos e pós-analíticos podem comprometer a qualidade dos resultados obtidos no laboratório de análises clínicas. Assinale a alternativa que apresenta um fator pré-analítico que pode comprometer a exatidão dos resultados:

Acertos
Erros
35
Total