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Prova Conservador de Vias Públicas - Pref. Juquitiba/SP
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Questão 1 de 10 Q1 da prova
Leia o texto para responder às questões de 1 a 10.

O arteiro e o tempo

Se o Tempo tivesse uma cara, como seria? Para começar, não seria uma cara. Seriam várias. A cara do Tempo mudaria a toda hora. Bem, não a toda hora. Mas certamente a todo o ano.
A cara do Tempo ao nascer seria igual à cara de qualquer recém-nascido. Meio amassada, como um papel de embrulho que não se consegue alisar. Alguém poderia dizer “É a cara do pai” mas só estaria sendo delicado. Ao nascer, ninguém é a cara de ninguém.
Aliás, os dois ou três dias depois do nascimento são os únicos dias da vida em que a nossa cara é só nossa. Depois começa a ficar parecida.
Com o tempo, a cara do Tempo iria mudando. Na infância, a cara da gente muda mais depressa. Sempre tem aquela tia que passa um ou dois meses sem nos ver e quando vê faz um escândalo.
— Não pode ser, como ele mudou!
Ou então não acredita.
— É mentira. Esse não é ele!
E a gente não sabe se fica orgulhoso por ter crescido tanto e estar ali enganando a tia ou finge que acha engraçado. Mesmo que por dentro esteja pensando: “Saco”.
Depois, a nossa cara muda mais devagar. A cara de quem tem quinze anos é muito diferente da cara de quem tem dez. Mas a cara de quem tem 35 não é muito diferente da cara de quem tem trinta. Pelo menos não o bastante para enganar uma tia.
Depois de um certo tempo, o Tempo muda de cara devagar. Mas muda. Vai ficando enrugado, encurvado... Mas é engraçado: quanto mais velho fica o Tempo, mais rápido ele passa.
Quando ele é moço, o Tempo parece que nem anda. Você fica torcendo para ele passar depressa — principalmente no começo do ano escolar, quando as férias estão lá longe e cada dia leva uma semana para terminar e cada semana leva um mês — e ele passa arrastando os pés, como um velho.
Quando fica velho, passa correndo, como um moço. E um moço atleta. Por isso os adultos não falam com o Tempo. Não conseguem. Ele não fica quieto. Criança, sim, pode conversar com o Tempo. Pedir coisas:
— Passa depressa, pô!
— Pra quê?
— Pro verão chegar logo. Pro meu aniversário chegar logo. Pro Natal chegar logo.
— Calma...
— Anda!
— Tem tempo...
E o Tempo se espreguiça. E é capaz até de tirar uma soneca na sua cara. Afinal, ele tem todo o tempo do mundo. Ele é todo o tempo do mundo.

VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico : meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

Considerando as analogias e construções de cenários utilizados pelo autor para falar do tempo, pode -se afirmar que é uma característica central na construção do texto:

Questão 2 de 10 Q2 da prova
Leia o texto para responder às questões de 1 a 10.

O arteiro e o tempo

Se o Tempo tivesse uma cara, como seria? Para começar, não seria uma cara. Seriam várias. A cara do Tempo mudaria a toda hora. Bem, não a toda hora. Mas certamente a todo o ano.
A cara do Tempo ao nascer seria igual à cara de qualquer recém-nascido. Meio amassada, como um papel de embrulho que não se consegue alisar. Alguém poderia dizer “É a cara do pai” mas só estaria sendo delicado. Ao nascer, ninguém é a cara de ninguém.
Aliás, os dois ou três dias depois do nascimento são os únicos dias da vida em que a nossa cara é só nossa. Depois começa a ficar parecida.
Com o tempo, a cara do Tempo iria mudando. Na infância, a cara da gente muda mais depressa. Sempre tem aquela tia que passa um ou dois meses sem nos ver e quando vê faz um escândalo.
— Não pode ser, como ele mudou!
Ou então não acredita.
— É mentira. Esse não é ele!
E a gente não sabe se fica orgulhoso por ter crescido tanto e estar ali enganando a tia ou finge que acha engraçado. Mesmo que por dentro esteja pensando: “Saco”.
Depois, a nossa cara muda mais devagar. A cara de quem tem quinze anos é muito diferente da cara de quem tem dez. Mas a cara de quem tem 35 não é muito diferente da cara de quem tem trinta. Pelo menos não o bastante para enganar uma tia.
Depois de um certo tempo, o Tempo muda de cara devagar. Mas muda. Vai ficando enrugado, encurvado... Mas é engraçado: quanto mais velho fica o Tempo, mais rápido ele passa.
Quando ele é moço, o Tempo parece que nem anda. Você fica torcendo para ele passar depressa — principalmente no começo do ano escolar, quando as férias estão lá longe e cada dia leva uma semana para terminar e cada semana leva um mês — e ele passa arrastando os pés, como um velho.
Quando fica velho, passa correndo, como um moço. E um moço atleta. Por isso os adultos não falam com o Tempo. Não conseguem. Ele não fica quieto. Criança, sim, pode conversar com o Tempo. Pedir coisas:
— Passa depressa, pô!
— Pra quê?
— Pro verão chegar logo. Pro meu aniversário chegar logo. Pro Natal chegar logo.
— Calma...
— Anda!
— Tem tempo...
E o Tempo se espreguiça. E é capaz até de tirar uma soneca na sua cara. Afinal, ele tem todo o tempo do mundo. Ele é todo o tempo do mundo.

VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico : meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

Como outros textos narrativos, o texto apresentado faz uso de diversas expressões com sentido figurado. Um excerto que ilustra o emprego de palavras com sentido figurado é:

Questão 3 de 10 Q3 da prova
Leia o texto para responder às questões de 1 a 10.

O arteiro e o tempo

Se o Tempo tivesse uma cara, como seria? Para começar, não seria uma cara. Seriam várias. A cara do Tempo mudaria a toda hora. Bem, não a toda hora. Mas certamente a todo o ano.
A cara do Tempo ao nascer seria igual à cara de qualquer recém-nascido. Meio amassada, como um papel de embrulho que não se consegue alisar. Alguém poderia dizer “É a cara do pai” mas só estaria sendo delicado. Ao nascer, ninguém é a cara de ninguém.
Aliás, os dois ou três dias depois do nascimento são os únicos dias da vida em que a nossa cara é só nossa. Depois começa a ficar parecida.
Com o tempo, a cara do Tempo iria mudando. Na infância, a cara da gente muda mais depressa. Sempre tem aquela tia que passa um ou dois meses sem nos ver e quando vê faz um escândalo.
— Não pode ser, como ele mudou!
Ou então não acredita.
— É mentira. Esse não é ele!
E a gente não sabe se fica orgulhoso por ter crescido tanto e estar ali enganando a tia ou finge que acha engraçado. Mesmo que por dentro esteja pensando: “Saco”.
Depois, a nossa cara muda mais devagar. A cara de quem tem quinze anos é muito diferente da cara de quem tem dez. Mas a cara de quem tem 35 não é muito diferente da cara de quem tem trinta. Pelo menos não o bastante para enganar uma tia.
Depois de um certo tempo, o Tempo muda de cara devagar. Mas muda. Vai ficando enrugado, encurvado... Mas é engraçado: quanto mais velho fica o Tempo, mais rápido ele passa.
Quando ele é moço, o Tempo parece que nem anda. Você fica torcendo para ele passar depressa — principalmente no começo do ano escolar, quando as férias estão lá longe e cada dia leva uma semana para terminar e cada semana leva um mês — e ele passa arrastando os pés, como um velho.
Quando fica velho, passa correndo, como um moço. E um moço atleta. Por isso os adultos não falam com o Tempo. Não conseguem. Ele não fica quieto. Criança, sim, pode conversar com o Tempo. Pedir coisas:
— Passa depressa, pô!
— Pra quê?
— Pro verão chegar logo. Pro meu aniversário chegar logo. Pro Natal chegar logo.
— Calma...
— Anda!
— Tem tempo...
E o Tempo se espreguiça. E é capaz até de tirar uma soneca na sua cara. Afinal, ele tem todo o tempo do mundo. Ele é todo o tempo do mundo.

VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico : meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

Considere o excerto a seguir: “E a gente não sabe se fica orgulhoso por ter crescido tanto e estar ali enganando a tia ou finge que acha engraçado.” Nesse contexto, a substituição da expressão “a gente” pelo pronome pessoal “nós”, de sentido correspondente, demandaria a seguinte reescritura:

Questão 4 de 10 Q4 da prova
Leia o texto para responder às questões de 1 a 10.

O arteiro e o tempo

Se o Tempo tivesse uma cara, como seria? Para começar, não seria uma cara. Seriam várias. A cara do Tempo mudaria a toda hora. Bem, não a toda hora. Mas certamente a todo o ano.
A cara do Tempo ao nascer seria igual à cara de qualquer recém-nascido. Meio amassada, como um papel de embrulho que não se consegue alisar. Alguém poderia dizer “É a cara do pai” mas só estaria sendo delicado. Ao nascer, ninguém é a cara de ninguém.
Aliás, os dois ou três dias depois do nascimento são os únicos dias da vida em que a nossa cara é só nossa. Depois começa a ficar parecida.
Com o tempo, a cara do Tempo iria mudando. Na infância, a cara da gente muda mais depressa. Sempre tem aquela tia que passa um ou dois meses sem nos ver e quando vê faz um escândalo.
— Não pode ser, como ele mudou!
Ou então não acredita.
— É mentira. Esse não é ele!
E a gente não sabe se fica orgulhoso por ter crescido tanto e estar ali enganando a tia ou finge que acha engraçado. Mesmo que por dentro esteja pensando: “Saco”.
Depois, a nossa cara muda mais devagar. A cara de quem tem quinze anos é muito diferente da cara de quem tem dez. Mas a cara de quem tem 35 não é muito diferente da cara de quem tem trinta. Pelo menos não o bastante para enganar uma tia.
Depois de um certo tempo, o Tempo muda de cara devagar. Mas muda. Vai ficando enrugado, encurvado... Mas é engraçado: quanto mais velho fica o Tempo, mais rápido ele passa.
Quando ele é moço, o Tempo parece que nem anda. Você fica torcendo para ele passar depressa — principalmente no começo do ano escolar, quando as férias estão lá longe e cada dia leva uma semana para terminar e cada semana leva um mês — e ele passa arrastando os pés, como um velho.
Quando fica velho, passa correndo, como um moço. E um moço atleta. Por isso os adultos não falam com o Tempo. Não conseguem. Ele não fica quieto. Criança, sim, pode conversar com o Tempo. Pedir coisas:
— Passa depressa, pô!
— Pra quê?
— Pro verão chegar logo. Pro meu aniversário chegar logo. Pro Natal chegar logo.
— Calma...
— Anda!
— Tem tempo...
E o Tempo se espreguiça. E é capaz até de tirar uma soneca na sua cara. Afinal, ele tem todo o tempo do mundo. Ele é todo o tempo do mundo.

VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico : meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

O advérbio “certamente”, no excerto “Mas certamente a todo o ano.”, poderia ser substituído, sem prejuízo de valor, pela expressão:

Questão 5 de 10 Q5 da prova
Leia o texto para responder às questões de 1 a 10.

O arteiro e o tempo

Se o Tempo tivesse uma cara, como seria? Para começar, não seria uma cara. Seriam várias. A cara do Tempo mudaria a toda hora. Bem, não a toda hora. Mas certamente a todo o ano.
A cara do Tempo ao nascer seria igual à cara de qualquer recém-nascido. Meio amassada, como um papel de embrulho que não se consegue alisar. Alguém poderia dizer “É a cara do pai” mas só estaria sendo delicado. Ao nascer, ninguém é a cara de ninguém.
Aliás, os dois ou três dias depois do nascimento são os únicos dias da vida em que a nossa cara é só nossa. Depois começa a ficar parecida.
Com o tempo, a cara do Tempo iria mudando. Na infância, a cara da gente muda mais depressa. Sempre tem aquela tia que passa um ou dois meses sem nos ver e quando vê faz um escândalo.
— Não pode ser, como ele mudou!
Ou então não acredita.
— É mentira. Esse não é ele!
E a gente não sabe se fica orgulhoso por ter crescido tanto e estar ali enganando a tia ou finge que acha engraçado. Mesmo que por dentro esteja pensando: “Saco”.
Depois, a nossa cara muda mais devagar. A cara de quem tem quinze anos é muito diferente da cara de quem tem dez. Mas a cara de quem tem 35 não é muito diferente da cara de quem tem trinta. Pelo menos não o bastante para enganar uma tia.
Depois de um certo tempo, o Tempo muda de cara devagar. Mas muda. Vai ficando enrugado, encurvado... Mas é engraçado: quanto mais velho fica o Tempo, mais rápido ele passa.
Quando ele é moço, o Tempo parece que nem anda. Você fica torcendo para ele passar depressa — principalmente no começo do ano escolar, quando as férias estão lá longe e cada dia leva uma semana para terminar e cada semana leva um mês — e ele passa arrastando os pés, como um velho.
Quando fica velho, passa correndo, como um moço. E um moço atleta. Por isso os adultos não falam com o Tempo. Não conseguem. Ele não fica quieto. Criança, sim, pode conversar com o Tempo. Pedir coisas:
— Passa depressa, pô!
— Pra quê?
— Pro verão chegar logo. Pro meu aniversário chegar logo. Pro Natal chegar logo.
— Calma...
— Anda!
— Tem tempo...
E o Tempo se espreguiça. E é capaz até de tirar uma soneca na sua cara. Afinal, ele tem todo o tempo do mundo. Ele é todo o tempo do mundo.

VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico : meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

No excerto “Depois começa a ficar parecida.”, a palavra “parecida” está em sua forma flexionada no gênero feminino, e estabelece uma relação de concordância com uma palavra que ocorre anteriormente. Essa palavra é:

Questão 6 de 10 Q6 da prova
Leia o texto para responder às questões de 1 a 10.

O arteiro e o tempo

Se o Tempo tivesse uma cara, como seria? Para começar, não seria uma cara. Seriam várias. A cara do Tempo mudaria a toda hora. Bem, não a toda hora. Mas certamente a todo o ano.
A cara do Tempo ao nascer seria igual à cara de qualquer recém-nascido. Meio amassada, como um papel de embrulho que não se consegue alisar. Alguém poderia dizer “É a cara do pai” mas só estaria sendo delicado. Ao nascer, ninguém é a cara de ninguém.
Aliás, os dois ou três dias depois do nascimento são os únicos dias da vida em que a nossa cara é só nossa. Depois começa a ficar parecida.
Com o tempo, a cara do Tempo iria mudando. Na infância, a cara da gente muda mais depressa. Sempre tem aquela tia que passa um ou dois meses sem nos ver e quando vê faz um escândalo.
— Não pode ser, como ele mudou!
Ou então não acredita.
— É mentira. Esse não é ele!
E a gente não sabe se fica orgulhoso por ter crescido tanto e estar ali enganando a tia ou finge que acha engraçado. Mesmo que por dentro esteja pensando: “Saco”.
Depois, a nossa cara muda mais devagar. A cara de quem tem quinze anos é muito diferente da cara de quem tem dez. Mas a cara de quem tem 35 não é muito diferente da cara de quem tem trinta. Pelo menos não o bastante para enganar uma tia.
Depois de um certo tempo, o Tempo muda de cara devagar. Mas muda. Vai ficando enrugado, encurvado... Mas é engraçado: quanto mais velho fica o Tempo, mais rápido ele passa.
Quando ele é moço, o Tempo parece que nem anda. Você fica torcendo para ele passar depressa — principalmente no começo do ano escolar, quando as férias estão lá longe e cada dia leva uma semana para terminar e cada semana leva um mês — e ele passa arrastando os pés, como um velho.
Quando fica velho, passa correndo, como um moço. E um moço atleta. Por isso os adultos não falam com o Tempo. Não conseguem. Ele não fica quieto. Criança, sim, pode conversar com o Tempo. Pedir coisas:
— Passa depressa, pô!
— Pra quê?
— Pro verão chegar logo. Pro meu aniversário chegar logo. Pro Natal chegar logo.
— Calma...
— Anda!
— Tem tempo...
E o Tempo se espreguiça. E é capaz até de tirar uma soneca na sua cara. Afinal, ele tem todo o tempo do mundo. Ele é todo o tempo do mundo.

VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico : meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

No excerto “Depois, a nossa cara muda mais devagar.”, o advérbio “mais”:

Questão 7 de 10 Q7 da prova
Leia o texto para responder às questões de 1 a 10.

O arteiro e o tempo

Se o Tempo tivesse uma cara, como seria? Para começar, não seria uma cara. Seriam várias. A cara do Tempo mudaria a toda hora. Bem, não a toda hora. Mas certamente a todo o ano.
A cara do Tempo ao nascer seria igual à cara de qualquer recém-nascido. Meio amassada, como um papel de embrulho que não se consegue alisar. Alguém poderia dizer “É a cara do pai” mas só estaria sendo delicado. Ao nascer, ninguém é a cara de ninguém.
Aliás, os dois ou três dias depois do nascimento são os únicos dias da vida em que a nossa cara é só nossa. Depois começa a ficar parecida.
Com o tempo, a cara do Tempo iria mudando. Na infância, a cara da gente muda mais depressa. Sempre tem aquela tia que passa um ou dois meses sem nos ver e quando vê faz um escândalo.
— Não pode ser, como ele mudou!
Ou então não acredita.
— É mentira. Esse não é ele!
E a gente não sabe se fica orgulhoso por ter crescido tanto e estar ali enganando a tia ou finge que acha engraçado. Mesmo que por dentro esteja pensando: “Saco”.
Depois, a nossa cara muda mais devagar. A cara de quem tem quinze anos é muito diferente da cara de quem tem dez. Mas a cara de quem tem 35 não é muito diferente da cara de quem tem trinta. Pelo menos não o bastante para enganar uma tia.
Depois de um certo tempo, o Tempo muda de cara devagar. Mas muda. Vai ficando enrugado, encurvado... Mas é engraçado: quanto mais velho fica o Tempo, mais rápido ele passa.
Quando ele é moço, o Tempo parece que nem anda. Você fica torcendo para ele passar depressa — principalmente no começo do ano escolar, quando as férias estão lá longe e cada dia leva uma semana para terminar e cada semana leva um mês — e ele passa arrastando os pés, como um velho.
Quando fica velho, passa correndo, como um moço. E um moço atleta. Por isso os adultos não falam com o Tempo. Não conseguem. Ele não fica quieto. Criança, sim, pode conversar com o Tempo. Pedir coisas:
— Passa depressa, pô!
— Pra quê?
— Pro verão chegar logo. Pro meu aniversário chegar logo. Pro Natal chegar logo.
— Calma...
— Anda!
— Tem tempo...
E o Tempo se espreguiça. E é capaz até de tirar uma soneca na sua cara. Afinal, ele tem todo o tempo do mundo. Ele é todo o tempo do mundo.

VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico : meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

Em termos de regência, a forma verbal empregada no excerto “E o Tempo se espreguiça.” é:

Questão 8 de 10 Q8 da prova
Leia o texto para responder às questões de 1 a 10.

O arteiro e o tempo

Se o Tempo tivesse uma cara, como seria? Para começar, não seria uma cara. Seriam várias. A cara do Tempo mudaria a toda hora. Bem, não a toda hora. Mas certamente a todo o ano.
A cara do Tempo ao nascer seria igual à cara de qualquer recém-nascido. Meio amassada, como um papel de embrulho que não se consegue alisar. Alguém poderia dizer “É a cara do pai” mas só estaria sendo delicado. Ao nascer, ninguém é a cara de ninguém.
Aliás, os dois ou três dias depois do nascimento são os únicos dias da vida em que a nossa cara é só nossa. Depois começa a ficar parecida.
Com o tempo, a cara do Tempo iria mudando. Na infância, a cara da gente muda mais depressa. Sempre tem aquela tia que passa um ou dois meses sem nos ver e quando vê faz um escândalo.
— Não pode ser, como ele mudou!
Ou então não acredita.
— É mentira. Esse não é ele!
E a gente não sabe se fica orgulhoso por ter crescido tanto e estar ali enganando a tia ou finge que acha engraçado. Mesmo que por dentro esteja pensando: “Saco”.
Depois, a nossa cara muda mais devagar. A cara de quem tem quinze anos é muito diferente da cara de quem tem dez. Mas a cara de quem tem 35 não é muito diferente da cara de quem tem trinta. Pelo menos não o bastante para enganar uma tia.
Depois de um certo tempo, o Tempo muda de cara devagar. Mas muda. Vai ficando enrugado, encurvado... Mas é engraçado: quanto mais velho fica o Tempo, mais rápido ele passa.
Quando ele é moço, o Tempo parece que nem anda. Você fica torcendo para ele passar depressa — principalmente no começo do ano escolar, quando as férias estão lá longe e cada dia leva uma semana para terminar e cada semana leva um mês — e ele passa arrastando os pés, como um velho.
Quando fica velho, passa correndo, como um moço. E um moço atleta. Por isso os adultos não falam com o Tempo. Não conseguem. Ele não fica quieto. Criança, sim, pode conversar com o Tempo. Pedir coisas:
— Passa depressa, pô!
— Pra quê?
— Pro verão chegar logo. Pro meu aniversário chegar logo. Pro Natal chegar logo.
— Calma...
— Anda!
— Tem tempo...
E o Tempo se espreguiça. E é capaz até de tirar uma soneca na sua cara. Afinal, ele tem todo o tempo do mundo. Ele é todo o tempo do mundo.

VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico : meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

Analise o excerto a seguir em relação a todas as formas verbais empregadas: “Alguém poderia dizer ‘É a cara do pai’ mas só estaria sendo delicado.” O verbo que é empregado nesse contexto e que está no gerúndio é:

Questão 9 de 10 Q9 da prova
Leia o texto para responder às questões de 1 a 10.

O arteiro e o tempo

Se o Tempo tivesse uma cara, como seria? Para começar, não seria uma cara. Seriam várias. A cara do Tempo mudaria a toda hora. Bem, não a toda hora. Mas certamente a todo o ano.
A cara do Tempo ao nascer seria igual à cara de qualquer recém-nascido. Meio amassada, como um papel de embrulho que não se consegue alisar. Alguém poderia dizer “É a cara do pai” mas só estaria sendo delicado. Ao nascer, ninguém é a cara de ninguém.
Aliás, os dois ou três dias depois do nascimento são os únicos dias da vida em que a nossa cara é só nossa. Depois começa a ficar parecida.
Com o tempo, a cara do Tempo iria mudando. Na infância, a cara da gente muda mais depressa. Sempre tem aquela tia que passa um ou dois meses sem nos ver e quando vê faz um escândalo.
— Não pode ser, como ele mudou!
Ou então não acredita.
— É mentira. Esse não é ele!
E a gente não sabe se fica orgulhoso por ter crescido tanto e estar ali enganando a tia ou finge que acha engraçado. Mesmo que por dentro esteja pensando: “Saco”.
Depois, a nossa cara muda mais devagar. A cara de quem tem quinze anos é muito diferente da cara de quem tem dez. Mas a cara de quem tem 35 não é muito diferente da cara de quem tem trinta. Pelo menos não o bastante para enganar uma tia.
Depois de um certo tempo, o Tempo muda de cara devagar. Mas muda. Vai ficando enrugado, encurvado... Mas é engraçado: quanto mais velho fica o Tempo, mais rápido ele passa.
Quando ele é moço, o Tempo parece que nem anda. Você fica torcendo para ele passar depressa — principalmente no começo do ano escolar, quando as férias estão lá longe e cada dia leva uma semana para terminar e cada semana leva um mês — e ele passa arrastando os pés, como um velho.
Quando fica velho, passa correndo, como um moço. E um moço atleta. Por isso os adultos não falam com o Tempo. Não conseguem. Ele não fica quieto. Criança, sim, pode conversar com o Tempo. Pedir coisas:
— Passa depressa, pô!
— Pra quê?
— Pro verão chegar logo. Pro meu aniversário chegar logo. Pro Natal chegar logo.
— Calma...
— Anda!
— Tem tempo...
E o Tempo se espreguiça. E é capaz até de tirar uma soneca na sua cara. Afinal, ele tem todo o tempo do mundo. Ele é todo o tempo do mundo.

VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico : meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

Considere o excerto a seguir: “(...) quanto mais velho fica o Tempo, mais rápido ele passa.” As duas orações que formam a sentença apresentada no excerto dado se relacionam de forma a exprimir um sentido:

Questão 10 de 10 Q10 da prova
Leia o texto para responder às questões de 1 a 10.

O arteiro e o tempo

Se o Tempo tivesse uma cara, como seria? Para começar, não seria uma cara. Seriam várias. A cara do Tempo mudaria a toda hora. Bem, não a toda hora. Mas certamente a todo o ano.
A cara do Tempo ao nascer seria igual à cara de qualquer recém-nascido. Meio amassada, como um papel de embrulho que não se consegue alisar. Alguém poderia dizer “É a cara do pai” mas só estaria sendo delicado. Ao nascer, ninguém é a cara de ninguém.
Aliás, os dois ou três dias depois do nascimento são os únicos dias da vida em que a nossa cara é só nossa. Depois começa a ficar parecida.
Com o tempo, a cara do Tempo iria mudando. Na infância, a cara da gente muda mais depressa. Sempre tem aquela tia que passa um ou dois meses sem nos ver e quando vê faz um escândalo.
— Não pode ser, como ele mudou!
Ou então não acredita.
— É mentira. Esse não é ele!
E a gente não sabe se fica orgulhoso por ter crescido tanto e estar ali enganando a tia ou finge que acha engraçado. Mesmo que por dentro esteja pensando: “Saco”.
Depois, a nossa cara muda mais devagar. A cara de quem tem quinze anos é muito diferente da cara de quem tem dez. Mas a cara de quem tem 35 não é muito diferente da cara de quem tem trinta. Pelo menos não o bastante para enganar uma tia.
Depois de um certo tempo, o Tempo muda de cara devagar. Mas muda. Vai ficando enrugado, encurvado... Mas é engraçado: quanto mais velho fica o Tempo, mais rápido ele passa.
Quando ele é moço, o Tempo parece que nem anda. Você fica torcendo para ele passar depressa — principalmente no começo do ano escolar, quando as férias estão lá longe e cada dia leva uma semana para terminar e cada semana leva um mês — e ele passa arrastando os pés, como um velho.
Quando fica velho, passa correndo, como um moço. E um moço atleta. Por isso os adultos não falam com o Tempo. Não conseguem. Ele não fica quieto. Criança, sim, pode conversar com o Tempo. Pedir coisas:
— Passa depressa, pô!
— Pra quê?
— Pro verão chegar logo. Pro meu aniversário chegar logo. Pro Natal chegar logo.
— Calma...
— Anda!
— Tem tempo...
E o Tempo se espreguiça. E é capaz até de tirar uma soneca na sua cara. Afinal, ele tem todo o tempo do mundo. Ele é todo o tempo do mundo.

VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico : meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

Considere o excerto: “Afinal, ele tem todo o tempo do mundo.” Dentre as palavras a seguir, que ocorrem no excerto, pertence à classe gramatical dos advérbios apenas:

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