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Questão 1 de 10Q1 da prova
Leia o texto abaixo e responda as questões 1 a 10.
Sombra e água
Finalmente, a jabuticabeira começa um estirão,
deixa aquele estágio arbustivo e fica maior do que a
dona da casa. Passa do metro e setenta, uns galhos
centrais mais eretos e dirigidos ao céu, enquanto ou - ros, mais periféricos, pendem um pouco para todos
os lados, formando uma possível copa, embora ainda
baixa demais para caber uma pessoa adulta sob sua
folhagem verde-escura.
A muda da jabuticabeira não foi adquirida por
conta de sua fruta. Todos ao redor advertiam sobre
a demora da florada e das jabuticabas, que precisam
de água abundante, e aqui... neste terreno seco, po -
bre, nada haveria de frutificar. A muda foi comprada
primeiro porque a dona da casa queria, no futuro,
uma sombra. A sombra na varanda era uma espé -
cie de sonho inalcançável, e disseram que, com uma
jabuticabeira, neste solo infértil, seria como esperar
pela aposentadoria. Demoraria a vida inteira e talvez
nenhum chegasse a tempo de existirem, nesta casa, uma
mulher e uma rede, na qual ela se sentaria ou se dei -
taria para ler um livro ou uma revista ou com um gato
ciego para acarinhar.
Mas não parece que é o que vai acontecer. Pelo
visto, a sombra chegará bem antes da aposentado -
ria dessa mulher que trabalha diariamente, por três
turnos, interrompidos apenas por um pedaço de no -
vela das seis e um café para acordar. A jabuticabeira
cresceu mais depois das chuvas abundantes, o que
ajudou a confirmar as ambiguidades e os contras -
sensos do mundo. Enquanto aqui a água alimentou a
terra e as raízes de uma sombra frutífera futura, nos
bairros ao redor ela levou encostas, fez transbordar o
rio, afogou casas e animais de estimação e pessoas,
incluindo velhos e crianças em pleno sono. No quintal
em que está, a jabuticabeira deu resposta positiva à
água que caiu do céu, crescendo mais do que o es -
perado pela vizinhança inteira, enchendo de alegria a
dona da casa, essa mulher que cuida sozinha do filho
e que pretende, um dia, habitar mais a própria casa.
Também para desafiar os palpites da vizinhança
e dos familiares de pouca fé, a jabuticabeira, ainda
bem pequena, começou a dar jabuticabas, mesmo
antes de ter um metro e meio, e eram frutas que ama -
dureciam, cresciam, ficavam suculentas e podiam ser
consumidas, se alguém as colhesse daquele caule
donde nascem grudadas como insetos, depois da flo -
ação branca. [...] Contra todos os palpites da vizinhança e dos poucos familiares com quem ainda conversa pelas
redes sociais, a mulher cultiva a jabuticabeira com
forte esperança de que seja possível cochilar sob
sua sombra um dia; então, não raro, enquanto faz
o almoço, a dona da casa dá olhadelas carinhosas
para a árvore, já com mais de um metro e setenta
de altura e galhos para todos os lados, além do tron -
co que a eleva e sustenta, e vê florezinhas, depois
jabuticabas que, como ninguém colhe, são comidas
pelos passarinhos e até por insetos, que descobriram
este quintal, esta casa e esta mulher que espera pela
jabuticabeira com muito mais esperança e animação
do que pela aposentadoria.
A mulher não pode criar seu filho com a dedi -
c ação que gostaria, não pode alimentar o gato duas
vezes por dia, não consegue regar as mudas com
frequência, não está em casa quando o carteiro toca
a campainha para entregar correspondências que
exigem sua assinatura. Ela acorda muito cedo, faz
as entregas do filho, das senhas, das chaves, os
acordos com as outras vizinhas, e sai a trabalhar
descontente, como provavelmente todas as pessoas
do mundo, em especial as que não trabalham para
si e para os seus. Ela retorna para o almoço, à tarde
muda de endereço profissional, retorna para um café
e muda novamente de direção. Nesse exercício de
vaivém, quase como uma engrenagem, ela consegue
dar olhadelas furtivas para a árvore que se forma no
quintal, prometendo algo difícil de comprar, seu maior
investimento: sombra e descanso.
Fruem a presença da jabuticabeira borboletas,
formigas, passarinhos e mesmo o gato, que cabe
embaixo dela e não se importa com a terra molha -
da ou as folhas em decomposição. Observam a ár -
vore algumas pessoas da vizinhança, numa espécie
de aposta controversa, em alguns casos desejando
que os galhos sequem, a planta morra, a confirmar
as previsões de tão inteligentes pessoas. Outras,
no entanto, conseguem ter bons sentimentos e, em
pensamento, ficar felizes porque a dona da casa, em
alguns tantos anos, haverá de conseguir sua sombra,
depois sua rede, onde se deitar com o gato cego e,
em paz, morrer.
RIBEIRO, A. E. Sombra e água. Estado de Minas . Belo
Horizonte. Disponível em: https://www.em.com.br/cultura/.
Acesso em: 6 nov. 2023. Adaptado.
A dona da casa plantou a jabuticabeira
Questão 2 de 10Q2 da prova
Leia o texto abaixo e responda as questões 1 a 10.
Sombra e água
Finalmente, a jabuticabeira começa um estirão,
deixa aquele estágio arbustivo e fica maior do que a
dona da casa. Passa do metro e setenta, uns galhos
centrais mais eretos e dirigidos ao céu, enquanto ou - ros, mais periféricos, pendem um pouco para todos
os lados, formando uma possível copa, embora ainda
baixa demais para caber uma pessoa adulta sob sua
folhagem verde-escura.
A muda da jabuticabeira não foi adquirida por
conta de sua fruta. Todos ao redor advertiam sobre
a demora da florada e das jabuticabas, que precisam
de água abundante, e aqui... neste terreno seco, po -
bre, nada haveria de frutificar. A muda foi comprada
primeiro porque a dona da casa queria, no futuro,
uma sombra. A sombra na varanda era uma espé -
cie de sonho inalcançável, e disseram que, com uma
jabuticabeira, neste solo infértil, seria como esperar
pela aposentadoria. Demoraria a vida inteira e talvez
nenhum chegasse a tempo de existirem, nesta casa, uma
mulher e uma rede, na qual ela se sentaria ou se dei -
taria para ler um livro ou uma revista ou com um gato
ciego para acarinhar.
Mas não parece que é o que vai acontecer. Pelo
visto, a sombra chegará bem antes da aposentado -
ria dessa mulher que trabalha diariamente, por três
turnos, interrompidos apenas por um pedaço de no -
vela das seis e um café para acordar. A jabuticabeira
cresceu mais depois das chuvas abundantes, o que
ajudou a confirmar as ambiguidades e os contras -
sensos do mundo. Enquanto aqui a água alimentou a
terra e as raízes de uma sombra frutífera futura, nos
bairros ao redor ela levou encostas, fez transbordar o
rio, afogou casas e animais de estimação e pessoas,
incluindo velhos e crianças em pleno sono. No quintal
em que está, a jabuticabeira deu resposta positiva à
água que caiu do céu, crescendo mais do que o es -
perado pela vizinhança inteira, enchendo de alegria a
dona da casa, essa mulher que cuida sozinha do filho
e que pretende, um dia, habitar mais a própria casa.
Também para desafiar os palpites da vizinhança
e dos familiares de pouca fé, a jabuticabeira, ainda
bem pequena, começou a dar jabuticabas, mesmo
antes de ter um metro e meio, e eram frutas que ama -
dureciam, cresciam, ficavam suculentas e podiam ser
consumidas, se alguém as colhesse daquele caule
donde nascem grudadas como insetos, depois da flo -
ação branca. [...] Contra todos os palpites da vizinhança e dos poucos familiares com quem ainda conversa pelas
redes sociais, a mulher cultiva a jabuticabeira com
forte esperança de que seja possível cochilar sob
sua sombra um dia; então, não raro, enquanto faz
o almoço, a dona da casa dá olhadelas carinhosas
para a árvore, já com mais de um metro e setenta
de altura e galhos para todos os lados, além do tron -
co que a eleva e sustenta, e vê florezinhas, depois
jabuticabas que, como ninguém colhe, são comidas
pelos passarinhos e até por insetos, que descobriram
este quintal, esta casa e esta mulher que espera pela
jabuticabeira com muito mais esperança e animação
do que pela aposentadoria.
A mulher não pode criar seu filho com a dedi -
c ação que gostaria, não pode alimentar o gato duas
vezes por dia, não consegue regar as mudas com
frequência, não está em casa quando o carteiro toca
a campainha para entregar correspondências que
exigem sua assinatura. Ela acorda muito cedo, faz
as entregas do filho, das senhas, das chaves, os
acordos com as outras vizinhas, e sai a trabalhar
descontente, como provavelmente todas as pessoas
do mundo, em especial as que não trabalham para
si e para os seus. Ela retorna para o almoço, à tarde
muda de endereço profissional, retorna para um café
e muda novamente de direção. Nesse exercício de
vaivém, quase como uma engrenagem, ela consegue
dar olhadelas furtivas para a árvore que se forma no
quintal, prometendo algo difícil de comprar, seu maior
investimento: sombra e descanso.
Fruem a presença da jabuticabeira borboletas,
formigas, passarinhos e mesmo o gato, que cabe
embaixo dela e não se importa com a terra molha -
da ou as folhas em decomposição. Observam a ár -
vore algumas pessoas da vizinhança, numa espécie
de aposta controversa, em alguns casos desejando
que os galhos sequem, a planta morra, a confirmar
as previsões de tão inteligentes pessoas. Outras,
no entanto, conseguem ter bons sentimentos e, em
pensamento, ficar felizes porque a dona da casa, em
alguns tantos anos, haverá de conseguir sua sombra,
depois sua rede, onde se deitar com o gato cego e,
em paz, morrer.
RIBEIRO, A. E. Sombra e água. Estado de Minas . Belo
Horizonte. Disponível em: https://www.em.com.br/cultura/.
Acesso em: 6 nov. 2023. Adaptado.
O fragmento “que pretende, um dia, habitar mais a própria casa.” (parágrafo 3) está relacionado ao fato de
Questão 3 de 10Q3 da prova
Leia o texto abaixo e responda as questões 1 a 10.
Sombra e água
Finalmente, a jabuticabeira começa um estirão,
deixa aquele estágio arbustivo e fica maior do que a
dona da casa. Passa do metro e setenta, uns galhos
centrais mais eretos e dirigidos ao céu, enquanto ou - ros, mais periféricos, pendem um pouco para todos
os lados, formando uma possível copa, embora ainda
baixa demais para caber uma pessoa adulta sob sua
folhagem verde-escura.
A muda da jabuticabeira não foi adquirida por
conta de sua fruta. Todos ao redor advertiam sobre
a demora da florada e das jabuticabas, que precisam
de água abundante, e aqui... neste terreno seco, po -
bre, nada haveria de frutificar. A muda foi comprada
primeiro porque a dona da casa queria, no futuro,
uma sombra. A sombra na varanda era uma espé -
cie de sonho inalcançável, e disseram que, com uma
jabuticabeira, neste solo infértil, seria como esperar
pela aposentadoria. Demoraria a vida inteira e talvez
nenhum chegasse a tempo de existirem, nesta casa, uma
mulher e uma rede, na qual ela se sentaria ou se dei -
taria para ler um livro ou uma revista ou com um gato
ciego para acarinhar.
Mas não parece que é o que vai acontecer. Pelo
visto, a sombra chegará bem antes da aposentado -
ria dessa mulher que trabalha diariamente, por três
turnos, interrompidos apenas por um pedaço de no -
vela das seis e um café para acordar. A jabuticabeira
cresceu mais depois das chuvas abundantes, o que
ajudou a confirmar as ambiguidades e os contras -
sensos do mundo. Enquanto aqui a água alimentou a
terra e as raízes de uma sombra frutífera futura, nos
bairros ao redor ela levou encostas, fez transbordar o
rio, afogou casas e animais de estimação e pessoas,
incluindo velhos e crianças em pleno sono. No quintal
em que está, a jabuticabeira deu resposta positiva à
água que caiu do céu, crescendo mais do que o es -
perado pela vizinhança inteira, enchendo de alegria a
dona da casa, essa mulher que cuida sozinha do filho
e que pretende, um dia, habitar mais a própria casa.
Também para desafiar os palpites da vizinhança
e dos familiares de pouca fé, a jabuticabeira, ainda
bem pequena, começou a dar jabuticabas, mesmo
antes de ter um metro e meio, e eram frutas que ama -
dureciam, cresciam, ficavam suculentas e podiam ser
consumidas, se alguém as colhesse daquele caule
donde nascem grudadas como insetos, depois da flo -
ação branca. [...] Contra todos os palpites da vizinhança e dos poucos familiares com quem ainda conversa pelas
redes sociais, a mulher cultiva a jabuticabeira com
forte esperança de que seja possível cochilar sob
sua sombra um dia; então, não raro, enquanto faz
o almoço, a dona da casa dá olhadelas carinhosas
para a árvore, já com mais de um metro e setenta
de altura e galhos para todos os lados, além do tron -
co que a eleva e sustenta, e vê florezinhas, depois
jabuticabas que, como ninguém colhe, são comidas
pelos passarinhos e até por insetos, que descobriram
este quintal, esta casa e esta mulher que espera pela
jabuticabeira com muito mais esperança e animação
do que pela aposentadoria.
A mulher não pode criar seu filho com a dedi -
c ação que gostaria, não pode alimentar o gato duas
vezes por dia, não consegue regar as mudas com
frequência, não está em casa quando o carteiro toca
a campainha para entregar correspondências que
exigem sua assinatura. Ela acorda muito cedo, faz
as entregas do filho, das senhas, das chaves, os
acordos com as outras vizinhas, e sai a trabalhar
descontente, como provavelmente todas as pessoas
do mundo, em especial as que não trabalham para
si e para os seus. Ela retorna para o almoço, à tarde
muda de endereço profissional, retorna para um café
e muda novamente de direção. Nesse exercício de
vaivém, quase como uma engrenagem, ela consegue
dar olhadelas furtivas para a árvore que se forma no
quintal, prometendo algo difícil de comprar, seu maior
investimento: sombra e descanso.
Fruem a presença da jabuticabeira borboletas,
formigas, passarinhos e mesmo o gato, que cabe
embaixo dela e não se importa com a terra molha -
da ou as folhas em decomposição. Observam a ár -
vore algumas pessoas da vizinhança, numa espécie
de aposta controversa, em alguns casos desejando
que os galhos sequem, a planta morra, a confirmar
as previsões de tão inteligentes pessoas. Outras,
no entanto, conseguem ter bons sentimentos e, em
pensamento, ficar felizes porque a dona da casa, em
alguns tantos anos, haverá de conseguir sua sombra,
depois sua rede, onde se deitar com o gato cego e,
em paz, morrer.
RIBEIRO, A. E. Sombra e água. Estado de Minas . Belo
Horizonte. Disponível em: https://www.em.com.br/cultura/.
Acesso em: 6 nov. 2023. Adaptado.
No quarto parágrafo, o fragmento “dos familiares de pouca fé” faz referência ao fato de esses familiares
Questão 4 de 10Q4 da prova
Leia o texto abaixo e responda as questões 1 a 10.
Sombra e água
Finalmente, a jabuticabeira começa um estirão,
deixa aquele estágio arbustivo e fica maior do que a
dona da casa. Passa do metro e setenta, uns galhos
centrais mais eretos e dirigidos ao céu, enquanto ou - ros, mais periféricos, pendem um pouco para todos
os lados, formando uma possível copa, embora ainda
baixa demais para caber uma pessoa adulta sob sua
folhagem verde-escura.
A muda da jabuticabeira não foi adquirida por
conta de sua fruta. Todos ao redor advertiam sobre
a demora da florada e das jabuticabas, que precisam
de água abundante, e aqui... neste terreno seco, po -
bre, nada haveria de frutificar. A muda foi comprada
primeiro porque a dona da casa queria, no futuro,
uma sombra. A sombra na varanda era uma espé -
cie de sonho inalcançável, e disseram que, com uma
jabuticabeira, neste solo infértil, seria como esperar
pela aposentadoria. Demoraria a vida inteira e talvez
nenhum chegasse a tempo de existirem, nesta casa, uma
mulher e uma rede, na qual ela se sentaria ou se dei -
taria para ler um livro ou uma revista ou com um gato
ciego para acarinhar.
Mas não parece que é o que vai acontecer. Pelo
visto, a sombra chegará bem antes da aposentado -
ria dessa mulher que trabalha diariamente, por três
turnos, interrompidos apenas por um pedaço de no -
vela das seis e um café para acordar. A jabuticabeira
cresceu mais depois das chuvas abundantes, o que
ajudou a confirmar as ambiguidades e os contras -
sensos do mundo. Enquanto aqui a água alimentou a
terra e as raízes de uma sombra frutífera futura, nos
bairros ao redor ela levou encostas, fez transbordar o
rio, afogou casas e animais de estimação e pessoas,
incluindo velhos e crianças em pleno sono. No quintal
em que está, a jabuticabeira deu resposta positiva à
água que caiu do céu, crescendo mais do que o es -
perado pela vizinhança inteira, enchendo de alegria a
dona da casa, essa mulher que cuida sozinha do filho
e que pretende, um dia, habitar mais a própria casa.
Também para desafiar os palpites da vizinhança
e dos familiares de pouca fé, a jabuticabeira, ainda
bem pequena, começou a dar jabuticabas, mesmo
antes de ter um metro e meio, e eram frutas que ama -
dureciam, cresciam, ficavam suculentas e podiam ser
consumidas, se alguém as colhesse daquele caule
donde nascem grudadas como insetos, depois da flo -
ação branca. [...] Contra todos os palpites da vizinhança e dos poucos familiares com quem ainda conversa pelas
redes sociais, a mulher cultiva a jabuticabeira com
forte esperança de que seja possível cochilar sob
sua sombra um dia; então, não raro, enquanto faz
o almoço, a dona da casa dá olhadelas carinhosas
para a árvore, já com mais de um metro e setenta
de altura e galhos para todos os lados, além do tron -
co que a eleva e sustenta, e vê florezinhas, depois
jabuticabas que, como ninguém colhe, são comidas
pelos passarinhos e até por insetos, que descobriram
este quintal, esta casa e esta mulher que espera pela
jabuticabeira com muito mais esperança e animação
do que pela aposentadoria.
A mulher não pode criar seu filho com a dedi -
c ação que gostaria, não pode alimentar o gato duas
vezes por dia, não consegue regar as mudas com
frequência, não está em casa quando o carteiro toca
a campainha para entregar correspondências que
exigem sua assinatura. Ela acorda muito cedo, faz
as entregas do filho, das senhas, das chaves, os
acordos com as outras vizinhas, e sai a trabalhar
descontente, como provavelmente todas as pessoas
do mundo, em especial as que não trabalham para
si e para os seus. Ela retorna para o almoço, à tarde
muda de endereço profissional, retorna para um café
e muda novamente de direção. Nesse exercício de
vaivém, quase como uma engrenagem, ela consegue
dar olhadelas furtivas para a árvore que se forma no
quintal, prometendo algo difícil de comprar, seu maior
investimento: sombra e descanso.
Fruem a presença da jabuticabeira borboletas,
formigas, passarinhos e mesmo o gato, que cabe
embaixo dela e não se importa com a terra molha -
da ou as folhas em decomposição. Observam a ár -
vore algumas pessoas da vizinhança, numa espécie
de aposta controversa, em alguns casos desejando
que os galhos sequem, a planta morra, a confirmar
as previsões de tão inteligentes pessoas. Outras,
no entanto, conseguem ter bons sentimentos e, em
pensamento, ficar felizes porque a dona da casa, em
alguns tantos anos, haverá de conseguir sua sombra,
depois sua rede, onde se deitar com o gato cego e,
em paz, morrer.
RIBEIRO, A. E. Sombra e água. Estado de Minas . Belo
Horizonte. Disponível em: https://www.em.com.br/cultura/.
Acesso em: 6 nov. 2023. Adaptado.
Para a mulher, a jabuticabeira sobreviver e crescer fron -
dosa em seu quintal representa
Questão 5 de 10Q5 da prova
Leia o texto abaixo e responda as questões 1 a 10.
Sombra e água
Finalmente, a jabuticabeira começa um estirão,
deixa aquele estágio arbustivo e fica maior do que a
dona da casa. Passa do metro e setenta, uns galhos
centrais mais eretos e dirigidos ao céu, enquanto ou - ros, mais periféricos, pendem um pouco para todos
os lados, formando uma possível copa, embora ainda
baixa demais para caber uma pessoa adulta sob sua
folhagem verde-escura.
A muda da jabuticabeira não foi adquirida por
conta de sua fruta. Todos ao redor advertiam sobre
a demora da florada e das jabuticabas, que precisam
de água abundante, e aqui... neste terreno seco, po -
bre, nada haveria de frutificar. A muda foi comprada
primeiro porque a dona da casa queria, no futuro,
uma sombra. A sombra na varanda era uma espé -
cie de sonho inalcançável, e disseram que, com uma
jabuticabeira, neste solo infértil, seria como esperar
pela aposentadoria. Demoraria a vida inteira e talvez
nenhum chegasse a tempo de existirem, nesta casa, uma
mulher e uma rede, na qual ela se sentaria ou se dei -
taria para ler um livro ou uma revista ou com um gato
ciego para acarinhar.
Mas não parece que é o que vai acontecer. Pelo
visto, a sombra chegará bem antes da aposentado -
ria dessa mulher que trabalha diariamente, por três
turnos, interrompidos apenas por um pedaço de no -
vela das seis e um café para acordar. A jabuticabeira
cresceu mais depois das chuvas abundantes, o que
ajudou a confirmar as ambiguidades e os contras -
sensos do mundo. Enquanto aqui a água alimentou a
terra e as raízes de uma sombra frutífera futura, nos
bairros ao redor ela levou encostas, fez transbordar o
rio, afogou casas e animais de estimação e pessoas,
incluindo velhos e crianças em pleno sono. No quintal
em que está, a jabuticabeira deu resposta positiva à
água que caiu do céu, crescendo mais do que o es -
perado pela vizinhança inteira, enchendo de alegria a
dona da casa, essa mulher que cuida sozinha do filho
e que pretende, um dia, habitar mais a própria casa.
Também para desafiar os palpites da vizinhança
e dos familiares de pouca fé, a jabuticabeira, ainda
bem pequena, começou a dar jabuticabas, mesmo
antes de ter um metro e meio, e eram frutas que ama -
dureciam, cresciam, ficavam suculentas e podiam ser
consumidas, se alguém as colhesse daquele caule
donde nascem grudadas como insetos, depois da flo -
ação branca. [...] Contra todos os palpites da vizinhança e dos poucos familiares com quem ainda conversa pelas
redes sociais, a mulher cultiva a jabuticabeira com
forte esperança de que seja possível cochilar sob
sua sombra um dia; então, não raro, enquanto faz
o almoço, a dona da casa dá olhadelas carinhosas
para a árvore, já com mais de um metro e setenta
de altura e galhos para todos os lados, além do tron -
co que a eleva e sustenta, e vê florezinhas, depois
jabuticabas que, como ninguém colhe, são comidas
pelos passarinhos e até por insetos, que descobriram
este quintal, esta casa e esta mulher que espera pela
jabuticabeira com muito mais esperança e animação
do que pela aposentadoria.
A mulher não pode criar seu filho com a dedi -
c ação que gostaria, não pode alimentar o gato duas
vezes por dia, não consegue regar as mudas com
frequência, não está em casa quando o carteiro toca
a campainha para entregar correspondências que
exigem sua assinatura. Ela acorda muito cedo, faz
as entregas do filho, das senhas, das chaves, os
acordos com as outras vizinhas, e sai a trabalhar
descontente, como provavelmente todas as pessoas
do mundo, em especial as que não trabalham para
si e para os seus. Ela retorna para o almoço, à tarde
muda de endereço profissional, retorna para um café
e muda novamente de direção. Nesse exercício de
vaivém, quase como uma engrenagem, ela consegue
dar olhadelas furtivas para a árvore que se forma no
quintal, prometendo algo difícil de comprar, seu maior
investimento: sombra e descanso.
Fruem a presença da jabuticabeira borboletas,
formigas, passarinhos e mesmo o gato, que cabe
embaixo dela e não se importa com a terra molha -
da ou as folhas em decomposição. Observam a ár -
vore algumas pessoas da vizinhança, numa espécie
de aposta controversa, em alguns casos desejando
que os galhos sequem, a planta morra, a confirmar
as previsões de tão inteligentes pessoas. Outras,
no entanto, conseguem ter bons sentimentos e, em
pensamento, ficar felizes porque a dona da casa, em
alguns tantos anos, haverá de conseguir sua sombra,
depois sua rede, onde se deitar com o gato cego e,
em paz, morrer.
RIBEIRO, A. E. Sombra e água. Estado de Minas . Belo
Horizonte. Disponível em: https://www.em.com.br/cultura/.
Acesso em: 6 nov. 2023. Adaptado.
No trecho “Pelo visto, a sombra chegará bem antes da aposentadoria dessa mulher” (parágrafo 3), a expressão em destaque pode ser substituída, sem alteração de seu sentido, por
Questão 6 de 10Q6 da prova
Leia o texto abaixo e responda as questões 1 a 10.
Sombra e água
Finalmente, a jabuticabeira começa um estirão,
deixa aquele estágio arbustivo e fica maior do que a
dona da casa. Passa do metro e setenta, uns galhos
centrais mais eretos e dirigidos ao céu, enquanto ou - ros, mais periféricos, pendem um pouco para todos
os lados, formando uma possível copa, embora ainda
baixa demais para caber uma pessoa adulta sob sua
folhagem verde-escura.
A muda da jabuticabeira não foi adquirida por
conta de sua fruta. Todos ao redor advertiam sobre
a demora da florada e das jabuticabas, que precisam
de água abundante, e aqui... neste terreno seco, po -
bre, nada haveria de frutificar. A muda foi comprada
primeiro porque a dona da casa queria, no futuro,
uma sombra. A sombra na varanda era uma espé -
cie de sonho inalcançável, e disseram que, com uma
jabuticabeira, neste solo infértil, seria como esperar
pela aposentadoria. Demoraria a vida inteira e talvez
nenhum chegasse a tempo de existirem, nesta casa, uma
mulher e uma rede, na qual ela se sentaria ou se dei -
taria para ler um livro ou uma revista ou com um gato
ciego para acarinhar.
Mas não parece que é o que vai acontecer. Pelo
visto, a sombra chegará bem antes da aposentado -
ria dessa mulher que trabalha diariamente, por três
turnos, interrompidos apenas por um pedaço de no -
vela das seis e um café para acordar. A jabuticabeira
cresceu mais depois das chuvas abundantes, o que
ajudou a confirmar as ambiguidades e os contras -
sensos do mundo. Enquanto aqui a água alimentou a
terra e as raízes de uma sombra frutífera futura, nos
bairros ao redor ela levou encostas, fez transbordar o
rio, afogou casas e animais de estimação e pessoas,
incluindo velhos e crianças em pleno sono. No quintal
em que está, a jabuticabeira deu resposta positiva à
água que caiu do céu, crescendo mais do que o es -
perado pela vizinhança inteira, enchendo de alegria a
dona da casa, essa mulher que cuida sozinha do filho
e que pretende, um dia, habitar mais a própria casa.
Também para desafiar os palpites da vizinhança
e dos familiares de pouca fé, a jabuticabeira, ainda
bem pequena, começou a dar jabuticabas, mesmo
antes de ter um metro e meio, e eram frutas que ama -
dureciam, cresciam, ficavam suculentas e podiam ser
consumidas, se alguém as colhesse daquele caule
donde nascem grudadas como insetos, depois da flo -
ação branca. [...] Contra todos os palpites da vizinhança e dos poucos familiares com quem ainda conversa pelas
redes sociais, a mulher cultiva a jabuticabeira com
forte esperança de que seja possível cochilar sob
sua sombra um dia; então, não raro, enquanto faz
o almoço, a dona da casa dá olhadelas carinhosas
para a árvore, já com mais de um metro e setenta
de altura e galhos para todos os lados, além do tron -
co que a eleva e sustenta, e vê florezinhas, depois
jabuticabas que, como ninguém colhe, são comidas
pelos passarinhos e até por insetos, que descobriram
este quintal, esta casa e esta mulher que espera pela
jabuticabeira com muito mais esperança e animação
do que pela aposentadoria.
A mulher não pode criar seu filho com a dedi -
c ação que gostaria, não pode alimentar o gato duas
vezes por dia, não consegue regar as mudas com
frequência, não está em casa quando o carteiro toca
a campainha para entregar correspondências que
exigem sua assinatura. Ela acorda muito cedo, faz
as entregas do filho, das senhas, das chaves, os
acordos com as outras vizinhas, e sai a trabalhar
descontente, como provavelmente todas as pessoas
do mundo, em especial as que não trabalham para
si e para os seus. Ela retorna para o almoço, à tarde
muda de endereço profissional, retorna para um café
e muda novamente de direção. Nesse exercício de
vaivém, quase como uma engrenagem, ela consegue
dar olhadelas furtivas para a árvore que se forma no
quintal, prometendo algo difícil de comprar, seu maior
investimento: sombra e descanso.
Fruem a presença da jabuticabeira borboletas,
formigas, passarinhos e mesmo o gato, que cabe
embaixo dela e não se importa com a terra molha -
da ou as folhas em decomposição. Observam a ár -
vore algumas pessoas da vizinhança, numa espécie
de aposta controversa, em alguns casos desejando
que os galhos sequem, a planta morra, a confirmar
as previsões de tão inteligentes pessoas. Outras,
no entanto, conseguem ter bons sentimentos e, em
pensamento, ficar felizes porque a dona da casa, em
alguns tantos anos, haverá de conseguir sua sombra,
depois sua rede, onde se deitar com o gato cego e,
em paz, morrer.
RIBEIRO, A. E. Sombra e água. Estado de Minas . Belo
Horizonte. Disponível em: https://www.em.com.br/cultura/.
Acesso em: 6 nov. 2023. Adaptado.
Considere o emprego da palavra em destaque no período abaixo.
Como ninguém colhe as jabuticabas, elas são comidas
pelos passarinhos e até por insetos.
Nesse período, a palavra destacada constrói, entre as
duas orações, uma relação semântica de
Questão 7 de 10Q7 da prova
Leia o texto abaixo e responda as questões 1 a 10.
Sombra e água
Finalmente, a jabuticabeira começa um estirão,
deixa aquele estágio arbustivo e fica maior do que a
dona da casa. Passa do metro e setenta, uns galhos
centrais mais eretos e dirigidos ao céu, enquanto ou - ros, mais periféricos, pendem um pouco para todos
os lados, formando uma possível copa, embora ainda
baixa demais para caber uma pessoa adulta sob sua
folhagem verde-escura.
A muda da jabuticabeira não foi adquirida por
conta de sua fruta. Todos ao redor advertiam sobre
a demora da florada e das jabuticabas, que precisam
de água abundante, e aqui... neste terreno seco, po -
bre, nada haveria de frutificar. A muda foi comprada
primeiro porque a dona da casa queria, no futuro,
uma sombra. A sombra na varanda era uma espé -
cie de sonho inalcançável, e disseram que, com uma
jabuticabeira, neste solo infértil, seria como esperar
pela aposentadoria. Demoraria a vida inteira e talvez
nenhum chegasse a tempo de existirem, nesta casa, uma
mulher e uma rede, na qual ela se sentaria ou se dei -
taria para ler um livro ou uma revista ou com um gato
ciego para acarinhar.
Mas não parece que é o que vai acontecer. Pelo
visto, a sombra chegará bem antes da aposentado -
ria dessa mulher que trabalha diariamente, por três
turnos, interrompidos apenas por um pedaço de no -
vela das seis e um café para acordar. A jabuticabeira
cresceu mais depois das chuvas abundantes, o que
ajudou a confirmar as ambiguidades e os contras -
sensos do mundo. Enquanto aqui a água alimentou a
terra e as raízes de uma sombra frutífera futura, nos
bairros ao redor ela levou encostas, fez transbordar o
rio, afogou casas e animais de estimação e pessoas,
incluindo velhos e crianças em pleno sono. No quintal
em que está, a jabuticabeira deu resposta positiva à
água que caiu do céu, crescendo mais do que o es -
perado pela vizinhança inteira, enchendo de alegria a
dona da casa, essa mulher que cuida sozinha do filho
e que pretende, um dia, habitar mais a própria casa.
Também para desafiar os palpites da vizinhança
e dos familiares de pouca fé, a jabuticabeira, ainda
bem pequena, começou a dar jabuticabas, mesmo
antes de ter um metro e meio, e eram frutas que ama -
dureciam, cresciam, ficavam suculentas e podiam ser
consumidas, se alguém as colhesse daquele caule
donde nascem grudadas como insetos, depois da flo -
ação branca. [...] Contra todos os palpites da vizinhança e dos poucos familiares com quem ainda conversa pelas
redes sociais, a mulher cultiva a jabuticabeira com
forte esperança de que seja possível cochilar sob
sua sombra um dia; então, não raro, enquanto faz
o almoço, a dona da casa dá olhadelas carinhosas
para a árvore, já com mais de um metro e setenta
de altura e galhos para todos os lados, além do tron -
co que a eleva e sustenta, e vê florezinhas, depois
jabuticabas que, como ninguém colhe, são comidas
pelos passarinhos e até por insetos, que descobriram
este quintal, esta casa e esta mulher que espera pela
jabuticabeira com muito mais esperança e animação
do que pela aposentadoria.
A mulher não pode criar seu filho com a dedi -
c ação que gostaria, não pode alimentar o gato duas
vezes por dia, não consegue regar as mudas com
frequência, não está em casa quando o carteiro toca
a campainha para entregar correspondências que
exigem sua assinatura. Ela acorda muito cedo, faz
as entregas do filho, das senhas, das chaves, os
acordos com as outras vizinhas, e sai a trabalhar
descontente, como provavelmente todas as pessoas
do mundo, em especial as que não trabalham para
si e para os seus. Ela retorna para o almoço, à tarde
muda de endereço profissional, retorna para um café
e muda novamente de direção. Nesse exercício de
vaivém, quase como uma engrenagem, ela consegue
dar olhadelas furtivas para a árvore que se forma no
quintal, prometendo algo difícil de comprar, seu maior
investimento: sombra e descanso.
Fruem a presença da jabuticabeira borboletas,
formigas, passarinhos e mesmo o gato, que cabe
embaixo dela e não se importa com a terra molha -
da ou as folhas em decomposição. Observam a ár -
vore algumas pessoas da vizinhança, numa espécie
de aposta controversa, em alguns casos desejando
que os galhos sequem, a planta morra, a confirmar
as previsões de tão inteligentes pessoas. Outras,
no entanto, conseguem ter bons sentimentos e, em
pensamento, ficar felizes porque a dona da casa, em
alguns tantos anos, haverá de conseguir sua sombra,
depois sua rede, onde se deitar com o gato cego e,
em paz, morrer.
RIBEIRO, A. E. Sombra e água. Estado de Minas . Belo
Horizonte. Disponível em: https://www.em.com.br/cultura/.
Acesso em: 6 nov. 2023. Adaptado.
A ambiguidade é considerada um problema grave na re -
dação oficial, que tem como traço necessário a clareza.
A frase que suscita duas leituras possíveis é:
Questão 8 de 10Q8 da prova
Leia o texto abaixo e responda as questões 1 a 10.
Sombra e água
Finalmente, a jabuticabeira começa um estirão,
deixa aquele estágio arbustivo e fica maior do que a
dona da casa. Passa do metro e setenta, uns galhos
centrais mais eretos e dirigidos ao céu, enquanto ou - ros, mais periféricos, pendem um pouco para todos
os lados, formando uma possível copa, embora ainda
baixa demais para caber uma pessoa adulta sob sua
folhagem verde-escura.
A muda da jabuticabeira não foi adquirida por
conta de sua fruta. Todos ao redor advertiam sobre
a demora da florada e das jabuticabas, que precisam
de água abundante, e aqui... neste terreno seco, po -
bre, nada haveria de frutificar. A muda foi comprada
primeiro porque a dona da casa queria, no futuro,
uma sombra. A sombra na varanda era uma espé -
cie de sonho inalcançável, e disseram que, com uma
jabuticabeira, neste solo infértil, seria como esperar
pela aposentadoria. Demoraria a vida inteira e talvez
nenhum chegasse a tempo de existirem, nesta casa, uma
mulher e uma rede, na qual ela se sentaria ou se dei -
taria para ler um livro ou uma revista ou com um gato
ciego para acarinhar.
Mas não parece que é o que vai acontecer. Pelo
visto, a sombra chegará bem antes da aposentado -
ria dessa mulher que trabalha diariamente, por três
turnos, interrompidos apenas por um pedaço de no -
vela das seis e um café para acordar. A jabuticabeira
cresceu mais depois das chuvas abundantes, o que
ajudou a confirmar as ambiguidades e os contras -
sensos do mundo. Enquanto aqui a água alimentou a
terra e as raízes de uma sombra frutífera futura, nos
bairros ao redor ela levou encostas, fez transbordar o
rio, afogou casas e animais de estimação e pessoas,
incluindo velhos e crianças em pleno sono. No quintal
em que está, a jabuticabeira deu resposta positiva à
água que caiu do céu, crescendo mais do que o es -
perado pela vizinhança inteira, enchendo de alegria a
dona da casa, essa mulher que cuida sozinha do filho
e que pretende, um dia, habitar mais a própria casa.
Também para desafiar os palpites da vizinhança
e dos familiares de pouca fé, a jabuticabeira, ainda
bem pequena, começou a dar jabuticabas, mesmo
antes de ter um metro e meio, e eram frutas que ama -
dureciam, cresciam, ficavam suculentas e podiam ser
consumidas, se alguém as colhesse daquele caule
donde nascem grudadas como insetos, depois da flo -
ação branca. [...] Contra todos os palpites da vizinhança e dos poucos familiares com quem ainda conversa pelas
redes sociais, a mulher cultiva a jabuticabeira com
forte esperança de que seja possível cochilar sob
sua sombra um dia; então, não raro, enquanto faz
o almoço, a dona da casa dá olhadelas carinhosas
para a árvore, já com mais de um metro e setenta
de altura e galhos para todos os lados, além do tron -
co que a eleva e sustenta, e vê florezinhas, depois
jabuticabas que, como ninguém colhe, são comidas
pelos passarinhos e até por insetos, que descobriram
este quintal, esta casa e esta mulher que espera pela
jabuticabeira com muito mais esperança e animação
do que pela aposentadoria.
A mulher não pode criar seu filho com a dedi -
c ação que gostaria, não pode alimentar o gato duas
vezes por dia, não consegue regar as mudas com
frequência, não está em casa quando o carteiro toca
a campainha para entregar correspondências que
exigem sua assinatura. Ela acorda muito cedo, faz
as entregas do filho, das senhas, das chaves, os
acordos com as outras vizinhas, e sai a trabalhar
descontente, como provavelmente todas as pessoas
do mundo, em especial as que não trabalham para
si e para os seus. Ela retorna para o almoço, à tarde
muda de endereço profissional, retorna para um café
e muda novamente de direção. Nesse exercício de
vaivém, quase como uma engrenagem, ela consegue
dar olhadelas furtivas para a árvore que se forma no
quintal, prometendo algo difícil de comprar, seu maior
investimento: sombra e descanso.
Fruem a presença da jabuticabeira borboletas,
formigas, passarinhos e mesmo o gato, que cabe
embaixo dela e não se importa com a terra molha -
da ou as folhas em decomposição. Observam a ár -
vore algumas pessoas da vizinhança, numa espécie
de aposta controversa, em alguns casos desejando
que os galhos sequem, a planta morra, a confirmar
as previsões de tão inteligentes pessoas. Outras,
no entanto, conseguem ter bons sentimentos e, em
pensamento, ficar felizes porque a dona da casa, em
alguns tantos anos, haverá de conseguir sua sombra,
depois sua rede, onde se deitar com o gato cego e,
em paz, morrer.
RIBEIRO, A. E. Sombra e água. Estado de Minas . Belo
Horizonte. Disponível em: https://www.em.com.br/cultura/.
Acesso em: 6 nov. 2023. Adaptado.
No fragmento “a dona da casa, em alguns tantos anos, haverá de conseguir sua sombra” (parágrafo 7), o empre -
go da locução verbal “haverá de conseguir” revela
Questão 9 de 10Q9 da prova
Leia o texto abaixo e responda as questões 1 a 10.
Sombra e água
Finalmente, a jabuticabeira começa um estirão,
deixa aquele estágio arbustivo e fica maior do que a
dona da casa. Passa do metro e setenta, uns galhos
centrais mais eretos e dirigidos ao céu, enquanto ou - ros, mais periféricos, pendem um pouco para todos
os lados, formando uma possível copa, embora ainda
baixa demais para caber uma pessoa adulta sob sua
folhagem verde-escura.
A muda da jabuticabeira não foi adquirida por
conta de sua fruta. Todos ao redor advertiam sobre
a demora da florada e das jabuticabas, que precisam
de água abundante, e aqui... neste terreno seco, po -
bre, nada haveria de frutificar. A muda foi comprada
primeiro porque a dona da casa queria, no futuro,
uma sombra. A sombra na varanda era uma espé -
cie de sonho inalcançável, e disseram que, com uma
jabuticabeira, neste solo infértil, seria como esperar
pela aposentadoria. Demoraria a vida inteira e talvez
nenhum chegasse a tempo de existirem, nesta casa, uma
mulher e uma rede, na qual ela se sentaria ou se dei -
taria para ler um livro ou uma revista ou com um gato
ciego para acarinhar.
Mas não parece que é o que vai acontecer. Pelo
visto, a sombra chegará bem antes da aposentado -
ria dessa mulher que trabalha diariamente, por três
turnos, interrompidos apenas por um pedaço de no -
vela das seis e um café para acordar. A jabuticabeira
cresceu mais depois das chuvas abundantes, o que
ajudou a confirmar as ambiguidades e os contras -
sensos do mundo. Enquanto aqui a água alimentou a
terra e as raízes de uma sombra frutífera futura, nos
bairros ao redor ela levou encostas, fez transbordar o
rio, afogou casas e animais de estimação e pessoas,
incluindo velhos e crianças em pleno sono. No quintal
em que está, a jabuticabeira deu resposta positiva à
água que caiu do céu, crescendo mais do que o es -
perado pela vizinhança inteira, enchendo de alegria a
dona da casa, essa mulher que cuida sozinha do filho
e que pretende, um dia, habitar mais a própria casa.
Também para desafiar os palpites da vizinhança
e dos familiares de pouca fé, a jabuticabeira, ainda
bem pequena, começou a dar jabuticabas, mesmo
antes de ter um metro e meio, e eram frutas que ama -
dureciam, cresciam, ficavam suculentas e podiam ser
consumidas, se alguém as colhesse daquele caule
donde nascem grudadas como insetos, depois da flo -
ação branca. [...] Contra todos os palpites da vizinhança e dos poucos familiares com quem ainda conversa pelas
redes sociais, a mulher cultiva a jabuticabeira com
forte esperança de que seja possível cochilar sob
sua sombra um dia; então, não raro, enquanto faz
o almoço, a dona da casa dá olhadelas carinhosas
para a árvore, já com mais de um metro e setenta
de altura e galhos para todos os lados, além do tron -
co que a eleva e sustenta, e vê florezinhas, depois
jabuticabas que, como ninguém colhe, são comidas
pelos passarinhos e até por insetos, que descobriram
este quintal, esta casa e esta mulher que espera pela
jabuticabeira com muito mais esperança e animação
do que pela aposentadoria.
A mulher não pode criar seu filho com a dedi -
c ação que gostaria, não pode alimentar o gato duas
vezes por dia, não consegue regar as mudas com
frequência, não está em casa quando o carteiro toca
a campainha para entregar correspondências que
exigem sua assinatura. Ela acorda muito cedo, faz
as entregas do filho, das senhas, das chaves, os
acordos com as outras vizinhas, e sai a trabalhar
descontente, como provavelmente todas as pessoas
do mundo, em especial as que não trabalham para
si e para os seus. Ela retorna para o almoço, à tarde
muda de endereço profissional, retorna para um café
e muda novamente de direção. Nesse exercício de
vaivém, quase como uma engrenagem, ela consegue
dar olhadelas furtivas para a árvore que se forma no
quintal, prometendo algo difícil de comprar, seu maior
investimento: sombra e descanso.
Fruem a presença da jabuticabeira borboletas,
formigas, passarinhos e mesmo o gato, que cabe
embaixo dela e não se importa com a terra molha -
da ou as folhas em decomposição. Observam a ár -
vore algumas pessoas da vizinhança, numa espécie
de aposta controversa, em alguns casos desejando
que os galhos sequem, a planta morra, a confirmar
as previsões de tão inteligentes pessoas. Outras,
no entanto, conseguem ter bons sentimentos e, em
pensamento, ficar felizes porque a dona da casa, em
alguns tantos anos, haverá de conseguir sua sombra,
depois sua rede, onde se deitar com o gato cego e,
em paz, morrer.
RIBEIRO, A. E. Sombra e água. Estado de Minas . Belo
Horizonte. Disponível em: https://www.em.com.br/cultura/.
Acesso em: 6 nov. 2023. Adaptado.
Em “além do tronco que a eleva e sustenta” (parágrafo 5), o pronome oblíquo em destaque retoma, no contexto do
quinto parágrafo, o referente
Questão 10 de 10Q10 da prova
Leia o texto abaixo e responda as questões 1 a 10.
Sombra e água
Finalmente, a jabuticabeira começa um estirão,
deixa aquele estágio arbustivo e fica maior do que a
dona da casa. Passa do metro e setenta, uns galhos
centrais mais eretos e dirigidos ao céu, enquanto ou - ros, mais periféricos, pendem um pouco para todos
os lados, formando uma possível copa, embora ainda
baixa demais para caber uma pessoa adulta sob sua
folhagem verde-escura.
A muda da jabuticabeira não foi adquirida por
conta de sua fruta. Todos ao redor advertiam sobre
a demora da florada e das jabuticabas, que precisam
de água abundante, e aqui... neste terreno seco, po -
bre, nada haveria de frutificar. A muda foi comprada
primeiro porque a dona da casa queria, no futuro,
uma sombra. A sombra na varanda era uma espé -
cie de sonho inalcançável, e disseram que, com uma
jabuticabeira, neste solo infértil, seria como esperar
pela aposentadoria. Demoraria a vida inteira e talvez
nenhum chegasse a tempo de existirem, nesta casa, uma
mulher e uma rede, na qual ela se sentaria ou se dei -
taria para ler um livro ou uma revista ou com um gato
ciego para acarinhar.
Mas não parece que é o que vai acontecer. Pelo
visto, a sombra chegará bem antes da aposentado -
ria dessa mulher que trabalha diariamente, por três
turnos, interrompidos apenas por um pedaço de no -
vela das seis e um café para acordar. A jabuticabeira
cresceu mais depois das chuvas abundantes, o que
ajudou a confirmar as ambiguidades e os contras -
sensos do mundo. Enquanto aqui a água alimentou a
terra e as raízes de uma sombra frutífera futura, nos
bairros ao redor ela levou encostas, fez transbordar o
rio, afogou casas e animais de estimação e pessoas,
incluindo velhos e crianças em pleno sono. No quintal
em que está, a jabuticabeira deu resposta positiva à
água que caiu do céu, crescendo mais do que o es -
perado pela vizinhança inteira, enchendo de alegria a
dona da casa, essa mulher que cuida sozinha do filho
e que pretende, um dia, habitar mais a própria casa.
Também para desafiar os palpites da vizinhança
e dos familiares de pouca fé, a jabuticabeira, ainda
bem pequena, começou a dar jabuticabas, mesmo
antes de ter um metro e meio, e eram frutas que ama -
dureciam, cresciam, ficavam suculentas e podiam ser
consumidas, se alguém as colhesse daquele caule
donde nascem grudadas como insetos, depois da flo -
ação branca. [...] Contra todos os palpites da vizinhança e dos poucos familiares com quem ainda conversa pelas
redes sociais, a mulher cultiva a jabuticabeira com
forte esperança de que seja possível cochilar sob
sua sombra um dia; então, não raro, enquanto faz
o almoço, a dona da casa dá olhadelas carinhosas
para a árvore, já com mais de um metro e setenta
de altura e galhos para todos os lados, além do tron -
co que a eleva e sustenta, e vê florezinhas, depois
jabuticabas que, como ninguém colhe, são comidas
pelos passarinhos e até por insetos, que descobriram
este quintal, esta casa e esta mulher que espera pela
jabuticabeira com muito mais esperança e animação
do que pela aposentadoria.
A mulher não pode criar seu filho com a dedi -
c ação que gostaria, não pode alimentar o gato duas
vezes por dia, não consegue regar as mudas com
frequência, não está em casa quando o carteiro toca
a campainha para entregar correspondências que
exigem sua assinatura. Ela acorda muito cedo, faz
as entregas do filho, das senhas, das chaves, os
acordos com as outras vizinhas, e sai a trabalhar
descontente, como provavelmente todas as pessoas
do mundo, em especial as que não trabalham para
si e para os seus. Ela retorna para o almoço, à tarde
muda de endereço profissional, retorna para um café
e muda novamente de direção. Nesse exercício de
vaivém, quase como uma engrenagem, ela consegue
dar olhadelas furtivas para a árvore que se forma no
quintal, prometendo algo difícil de comprar, seu maior
investimento: sombra e descanso.
Fruem a presença da jabuticabeira borboletas,
formigas, passarinhos e mesmo o gato, que cabe
embaixo dela e não se importa com a terra molha -
da ou as folhas em decomposição. Observam a ár -
vore algumas pessoas da vizinhança, numa espécie
de aposta controversa, em alguns casos desejando
que os galhos sequem, a planta morra, a confirmar
as previsões de tão inteligentes pessoas. Outras,
no entanto, conseguem ter bons sentimentos e, em
pensamento, ficar felizes porque a dona da casa, em
alguns tantos anos, haverá de conseguir sua sombra,
depois sua rede, onde se deitar com o gato cego e,
em paz, morrer.
RIBEIRO, A. E. Sombra e água. Estado de Minas . Belo
Horizonte. Disponível em: https://www.em.com.br/cultura/.
Acesso em: 6 nov. 2023. Adaptado.
O trecho que, no texto, apresenta sentido conotativo é: